OYiM: treinamento fortalece rede de voluntariado no norte do país
Pará, Amapá e Maranhão somam quase 70 jovens prontos para liderar e viver a experiência do Um Ano em Missão.

Aos 20 anos, Macleuma Rosa aprendeu cedo que fé não é discurso, é experiência. Natural de Monte Dourado (PA), cidade que faz divisa com o Amapá, ela deixou a casa dos pais ainda na adolescência para estudar em uma escola agrícola a 150 quilômetros de distância.
Foram meses longe da família, lidando com responsabilidades e incertezas. O período, que poderia ser apenas desafiador, tornou-se decisivo. Ali, segundo ela, nasceu uma confiança sólida em Deus.
Os anos passaram, o curso foi concluído e uma oportunidade em uma grande empresa surgiu. Para Macleuma, cada etapa foi confirmação do cuidado divino, e também um chamado. Hoje, o sonho é outro: dedicar a vida à missão.
“Esse treinamento está sendo muito importante para nós. Minha expectativa é levar o evangelho a outras pessoas e que elas reconheçam Jesus como Salvador. Tenho vontade de ser missionária em outros lugares. Quero ir aonde Ele mandar”, afirmou.
Ela está entre os 68 jovens que participaram, durante cinco dias, de uma capacitação do projeto Um Ano em Missão (OYiM), realizada na Faculdade Adventista da Amazônia (FAAMA). O encontro reuniu representantes do Pará, Amapá e Maranhão e teve como objetivo preparar jovens missionários para atuar em projetos específicos em suas respevtivas regiões.
Formação para a linha de frente

O ponto alto do treinamento foi o foco nas habilidades práticas. Os jovens aprenderam a organizar feiras de saúde com acadêmicos do curso de Enfermagem da FAAMA, aprenderam também a realizar evangelismo público, conduzir estudos bíblicos e utilizar as mídias sociais como ferramentas missionárias. A proposta foi prepará-los para atuar diretamente na linha de frente.
Os projetos iniciam ainda neste mês de fevereiro e seguem até novembro. As frentes podem envolver plantio de igrejas, revitalização de congregações ou implantação de centros de influência.
Ao todo, serão sete cidades atendidas: dois projetos nas capitais e cinco no interior. Os destaques são municípios paraenses como Igarapé-Açu, região com forte presença de comunidades ribeirinhas, e Novo Progresso, área marcada por desafios sociais ligados ao garimpo e à vida em fazendas.
A iniciativa integra um movimento mais amplo da União Norte Brasileira (UNB) de fortalecer a cultura missionária entre a juventude. O programa foi estruturado para capacitar jovens a usar dons e habilidades na pregação do evangelho, incentivando tanto a missão local quanto a transcultural.
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Segundo o pastor Herbert Cléber, líder jovem da UNB, o propósito é claro: “O nosso objetivo é que esses jovens tenham uma visão clara do chamado de Deus para esta geração, usando seus dons e habilidades na linha de frente da missão, preparando pessoas para a volta de Jesus,” reforçou.
A mobilização já aponta para a visão do movimento “I Will Go”, que deve ganhar força nos próximos anos, preparando o caminho para a próxima edição do evento, em 2028, em Belém do Pará.
Dons a serviço da missão

Missões não são apenas destinos no mapa, são decisões que transformam rotas pessoais em propósitos eternos. Para o maranhense Lucas Almeida, de 26 anos, a missão já deixou marcas concretas. Em 2025, ele atuou em Santa Luzia (MA) e, em três meses, junto com a equipe, conduziu cerca de 15 pessoas ao estudo da Bíblia.
“Aprendi que a comunhão com Deus precisa estar acima de tudo. O treinamento foi excelente e quero praticar o que aprendi”, destacou.
Se a experiência de Lucas confirma o impacto de quem já foi ao campo, a trajetória de Adriele da Silva, 21 anos, de Redenção (PA), revela o entusiasmo de quem decidiu ir ainda mais longe. Após uma breve vivência na colportagem, ela enxergou na missão um chamado contínuo.
“Quero me engajar na missão uma atrás da outra; não pretendo voltar para casa”, afirmou.
Para além de uma capacitação técnica, o encontro reforçou propósito. Os jovens retornam às suas cidades não apenas com estratégias, mas com convicção renovada de que a missão começa onde estão e, quando abraçada de verdade, não conhece fronteiras.