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O sol está atrás das nuvens

O cuidado de Deus com nossos pequenos pedidos


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A data do casamento marcava o período de transição das chuvas constantes para a seca na região. (Foto: Gustavo Lucena)

Treze meses. O tempo de preparação para o meu casamento. Vestido, bolo, decoração. Tudo perfeitamente arranjado. Sou uma pessoa prática, objetiva. Sabia bem o que queria, o orçamento que dispunha e tinha meu noivo ao lado para executar todos os planos.  

Planilhas, números, prazos, agenda. Tudo parecia perfeito e bem alinhado. Até mesmo os pequenos contratempos que noivas costumam relatar pareciam passar longe de nós. Estava tudo perfeito. 

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Sempre imaginei meu “grande dia” em um belo jardim, ao ar livre, com a sombra das árvores. Sendo fotógrafa de casamentos, a cena perfeita estava construída na minha mente. Afinal, o que constrói uma bela imagem se não uma excelente luz? 

E foi assim que planejamos. O primeiro – e único – local que visitamos parecia preencher todos os requisitos. O gramado era bem cuidado, o jardim bonito e uma árvore esplêndida que seria a moldura da cerimônia. E além de tudo, cabia no nosso orçamento! Isso é um milagre no universo dos casamentos. 

Dez dias antes da cerimônia, no entanto, uma nuvem começou a pairar sobre nós, literalmente. A previsão do tempo que, até então, mostrava um dia claro, começou a escurecer. 

O casamento aconteceria em Brasília, cidade que tem a época de chuva e seca bem definidas. O dia 14 de abril de 2024 era o período de risco. Já estava se aproximando da seca, mas ainda não estava lá. Ou seja, tudo era possível, inclusive para Deus. 

O plano A de Deus 

Eu e meu noivo começamos a pesquisar o que poderia servir de plano B. Tendas, guarda-chuvas, mudar a cerimônia para o salão. Nenhuma dessas alternativas me trazia paz. Afinal, toda a beleza da cerimônia estava lá, naquela enorme árvore. Colocar uma tenda seria quase um crime. Além do custo (alto) que não estava na previsão. 

Entre um orçamento e outro, descobri uma infinidade de sites que mostravam a previsão do tempo. Estava com todas as abas abertas, atualizando as páginas a cada cinco minutos. Completo pânico. Se realmente chovesse, tudo estaria arruinado. 

Mas no sábado, oito dias antes do nosso casamento, resolvemos fazer o que deveríamos ter feito desde o começo. Entregar esse problema para Deus. Afinal, só ele poderia solucionar. Passamos aquele dia em jejum e oração. Foi uma experiência incrível como casal e como cristãos.  

No domingo, pouco a pouco, aqueles mesmos sites começaram a mostrar expectativas melhores. E foi assim na segunda-feira, terça-feira... Na sexta, dia do nosso casamento civil, um dia nublado, chuva fina. Mas isso não me preocupava mais. Sabia que Deus estava cuidando de tudo. Para o domingo, a promessa dos meteorologistas era de um dia claro, sem chuva.  

Passamos o sábado em família e no dia seguinte, logo cedinho, meu quase esposo me buscou para me levar até o local do casamento. Iria me arrumar lá mesmo. Na estrada, algumas gotinhas, mas um céu claro adiante. Até o meio-dia, céu cinza, nublado, como se estivesse esperando uma brecha para despejar toda a chuva. Mas nada veio abaixo (a não ser alguns pingos leves para testar nossa fé). 

Conforme o horário da cerimônia se aproximava, as nuvens iam abrindo espaço para o sol. O céu azul apareceu. Foi mais uma prova de que Deus cuida dos detalhes e dos pequenos pedidos que temos. O sol foi tão forte que alguns convidados se abrigaram na sombra das árvores.  

Nossa recepção, planejada para ser 100% ao ar livre, foi abraçada por um clima ameno, suave, sem calor, sem frio. Apenas os abraços, sorrisos e o amor. Começamos a nossa vida como família sendo abençoados por Deus, recebendo a confirmação de que Ele cuidaria de nós nos grandes e pequenos assuntos. E que todos eles são igualmente importantes. No dia seguinte, bem, choveu!  


Anne Seixas é jornalista, fotógrafa, nascida no Rio de Janeiro, casada e "mãe" de dois cachorrinhos.