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O que achados arqueológicos de 2026 revelam sobre a Bíblia

Três descobertas recentes confirmam detalhes históricos das Escrituras


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Sítios arqueológicos encontram evidências dos relatos bíblicos (Imagem: Gerada com Inteligência Artificial)

Arqueologia bíblica e fé não são adversárias. Para quem acompanha as escavações no Oriente Médio e as pesquisas em manuscritos antigos, essa afirmação não é convicção religiosa: é conclusão científica. Três achados recentes ilustram como evidências históricas corroboram as Escrituras. 

O doutor Garrick Allen, da Universidade de Glasgow, liderou a recuperação de 42 fólios do Códex H, que são cópias do século VI das epístolas de Paulo ocultas como material de encadernação em outros livros, prática comum na Idade Média. Recuperadas com imageamento por luz infravermelha, essas folhas confirmaram com notável fidelidade as cópias posteriores já existentes.

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O achado também revelou o aparato de Eutálio: prefácios, anotações exegéticas e marcadores litúrgicos que mostram que os monges medievais não eram copistas mecânicos. Eles liam, comparavam e debatiam o que transcreviam. A transmissão do texto bíblico foi crítica e cuidadosa. Para quem se pergunta se a Bíblia foi bem preservada ao longo dos séculos, esse é um dos argumentos mais sólidos disponíveis. 

Inscrição em Laquis derruba argumento crítico sobre o Gênesis 

Durante as escavações que realizo em Laquis junto ao professor Yosef Garfinkel e à equipe do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) em parceria com a Universidade Hebraica de Jerusalém, foi encontrado um ostracon — fragmento de cerâmica com inscrição — datado de antes de 1200 a.C. O epigrafista Daniel Vainstub identificou o nome teofórico Baal Shalit, cujo elemento central é a palavra shalit: governador, dominador. 

Essa é exatamente a palavra usada em Gênesis 42:6 para descrever o cargo de José no Egito. Por décadas, críticos argumentavam que shalit era um termo tardio, de origem persa, e que por isso o Gênesis seria composição muito posterior a Moisés. O ostracon de Laquis documenta o uso dessa palavra séculos antes do que os críticos supunham, tornando o argumento arqueologicamente insustentável. 

Laquis foi a segunda maior cidade do reino de Judá depois de Jerusalém. As escavações nesse sítio têm produzido descobertas que ampliam nossa compreensão do Antigo Testamento, incluindo evidências de escrita alfabética anteriores ao próprio alfabeto fenício. 

A estátua de Ramsés II e a cronologia do Êxodo 

Uma estátua colossal atribuída a Ramsés II, com 2,2 metros e cerca de seis toneladas, foi encontrada em Tell el-Faraum, no Delta do Nilo. A imprensa retomou a tese de que Ramsés II seria o faraó do Êxodo bíblico. A cronologia das próprias Escrituras, porém, aponta em outra direção. 

Primeiro Reis 6:1 informa que o Êxodo ocorreu 480 anos antes do quarto ano de Salomão, situado em torno de 966 antes de Cristo (a.C.). Isso nos leva a 1446 a.C. Ramsés II reinou entre 1279 e 1213 a.C., quase 200 anos depois. Juízes 11:26 oferece uma segunda convergência: Jefté, situado em torno de 1100 a.C., afirma que Israel habita em Canaã há 300 anos. Somando os 40 anos no deserto, chegamos novamente ao século XV a.C. 

O faraó mais provável é Tutmósis III. No túmulo de seu pai, Tutmósis I, há uma inscrição da Amduat descrevendo um exército sepultado nas águas, com uma oração pelos que morreram afogados sem direito a sepultamento digno. A estátua de Ramsés é um achado genuíno. A associação direta com o Êxodo bíblico, porém, não resiste à análise cronológica. 

Por que esses achados importam além das manchetes 

Os três casos exigem laboratório, datação por termoluminiscência, epigrafia e crítica textual. Estudar a Bíblia com seriedade é tarefa multidisciplinar. É um campo de trabalho de especialistas rigorosos, não refúgio de ingênuos. O silêncio das evidências não equivale à negação dos eventos: o que já encontramos é suficiente para uma conclusão firme. A Palavra de Deus tem raízes históricas mais fundas do que qualquer ceticismo consegue alcançar. 

Veja o conteúdo completo no vídeo: 


Rodrigo Silva é doutor em Teologia Bíblica e doutor em Arqueologia Clássica. Atua como professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), diretor do Museu de Arqueologia Bíblica (MAB) do Unasp e apresentador do programa Evidências, da TV Novo Tempo. 

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