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O jogo da fé: o que a Copa do Mundo ensina sobre testemunho e disciplina

Assim como o preparo de grandes atletas, o cristão precisa fortalecer sua vida espiritual para testemunhar de sua fé


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O treino invisível começa muito antes do apito final (Foto: Gerada com IA)

Entre junho e julho aconteceu o maior evento esportivo do planeta: a Copa do Mundo de Futebol. As melhores seleções, depois de anos de preparo, se apresentaram diante de bilhões de espectadores, e até quem não acompanha futebol se arriscou a palpitar sobre a escalação e a tática de jogo.

Nos tempos bíblicos também havia estádios e atletas em preparação, e o apóstolo Paulo usou essa cena para ilustrar a caminhada cristã. Antes de erguer a taça, toda seleção campeã passa por um preparo prévio: os 90 minutos em campo são só a parte visível do que foi construído longe das câmeras.

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Com a fé também é assim. O que se vive no secreto com Deus hoje aparece amanhã, pois os cristãos, assim como o mundo que interrompe tudo para assistir à Copa, estão a todo momento sendo observados, “espetáculo para o mundo, tanto para os anjos como para os seres humanos” (1 Coríntios 4:9). Essa vida pode ser um testemunho que atrai as pessoas para Cristo, ou uma “pedra de tropeço” que as afasta.

A fé precisa ser vivida

Especialistas comentaram que o técnico Carlo Ancelotti teve pouco tempo para preparar a Seleção Brasileira, sem que os jogadores tivessem tempo de se conhecer bem. Já a Seleção campeã vinha de anos de rotina, convivência e treinamento tático, um preparo que ocorreu longe dos holofotes e dos aplausos.

Paulo escreveu: “Vocês não sabem que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que ganhem o prêmio. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível” (1 Coríntios 9:24-25).

Para haver vitória na vida cristã é necessário preparo espiritual. O treino invisível do cristão é sua vida devocional, vivida em segredo para que os resultados apareçam depois. Sem isso, a derrota na hora do jogo será certa.

O estudo diário da Bíblia fortalece a fé (Romanos 10:17) como um músculo que precisa ser exercitado. Um jogador que não treina não desenvolve a musculatura, tem baixo desempenho e pode se lesionar; da mesma forma, o cristão que não busca a Deus fica com o “músculo espiritual” atrofiado e se lesiona tão logo o adversário der o primeiro carrinho.

Um bom testemunho exige refletir o caráter do Senhor, transformação que só acontece ao contemplá-lo na Palavra (2 Coríntios 3:18). Ellen White escreveu: “Far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais. Ao meditar assim em Seu grande sacrifício por nós, nossa confiança nEle será mais constante, nosso amor vivificado, e seremos mais profundamente imbuídos de Seu espírito” (O Desejado de Todas as Nações, p. 83).

Na oração, o cristão abre o coração a Deus como a um amigo, e as janelas espirituais do céu se abrem. Jesus disse: “Pedi e dar-se-vos-á” (Mateus 7:7). Em grande medida, o testemunho cristão perante o mundo é acanhado ou limitado por falta de oração. O céu está desejoso de derramar suas bênçãos, mas isso só ocorrerá na medida em que as pedimos. Se Jesus orientou a pedir e o cristão não pede, ele deixa de receber.

A jornada da perseverança até o fim

Essa Copa do Mundo testemunhou, provavelmente, as cenas finais da carreira dos dois grandes atletas modernos do futebol. E, quando se analisa a vida deles, é possível perceber que os resultados que alcançaram não foram fruto do acaso, mas resultado de perseverança e dedicação no cuidado com o corpo, com a alimentação, nos treinos. Hoje, do ponto de vista do preparo, ambos são reconhecidos como atletas exemplares como resultado de toda a dedicação que tiveram antes de entrar em campo, superando desafios, lesões e o cansaço, sempre perseverando. Suas carreiras foram prolongadas devido à sua disciplina.

Com a fé é a mesma coisa. A carreira do cristão não é apenas um amistoso de fim de semana, é uma temporada longa, com partidas difíceis, com vontade de desistir no meio do jogo, com aquela manhã em que a pessoa acorda e não quer fazer o “treino espiritual” do estudo da Bíblia e da oração. Por isso, Hebreus pede para "correr, com perseverança, a carreira que nos é proposta, fixando os olhos em Jesus" (Hebreus 12:1-2); Apocalipse fala da “perseverança dos santos” (Apocalipse 14:12), e Jesus fala que “aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mateus 24:13).

Perseverar significa ter resiliência, disciplina e domínio próprio. Significa não desistir quando aparecem os desafios, seguir em frente mesmo quando a vontade própria diz não. Afinal, a “carne milita contra o espírito” (Gálatas 5:17), e a natureza humana sempre desejará recuar das disciplinas espirituais.

O que fazer quando se acorda sem vontade de buscar a Deus? A mesma coisa que se faz quando se acorda sem vontade de ir ao trabalho, mas é preciso prosseguir. O que essa pessoa faz? Vai para o trabalho mesmo sem vontade. Isso é disciplina. Com o estudo da Bíblia e a oração deve acontecer o mesmo. Se a pessoa acorda sem vontade, deve orar e estudar sem vontade mesmo, pois à medida que começar a estudar e orar, o Espírito Santo encherá o coração, a fé será fortalecida e a vontade voltará!

Chegou a hora de entrar em campo

Um cristão que vive sua fé de maneira intensa em particular, se exercitando espiritualmente através do estudo da Palavra e da oração, sairá para atender suas demandas cotidianas cheio da unção do Espírito e dando um poderoso testemunho de fé. Será exemplo nos negócios, no trato com as pessoas e na forma de compartilhar o amor de Cristo. William J. Toms disse: "Tenha cuidado com a forma como você vive; você pode ser a única Bíblia que algumas pessoas irão ler".

Mas nenhum atleta vence sozinho. Por mais decisivo que seja um jogador, é o time inteiro que marca, que arma, que corre atrás, que levanta a taça, e nenhuma seleção conquista algo dividida. Com a igreja é igual: somos, como ensina Paulo, muitos membros formando um só corpo (1 Coríntios 12:12), cada um com sua função, e a unidade entre os irmãos foi o próprio pedido de Jesus ao Pai, “para que o mundo creia” (João 17:21). O testemunho mais forte não é o de uma vida isolada, é o de um povo unido.

A Copa termina, os holofotes se apagam, mas a corrida da fé continua, e você já está inscrito nela. E esse testemunho não se decide num único grande lance: constrói-se no cotidiano, nas pequenas escolhas de cada dia, quando ninguém está filmando. Fica então a pergunta: que time as pessoas veem você defendendo, mesmo quando ninguém está torcendo?


Lucas Hígor é teólogo e pastor no Espaço Alpha (Igreja Adventista Alphaville), em Manaus, Amazonas.

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