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História

Novo templo adventista é inaugurado em Encruzilhada do Sul (RS)

Da colportagem em 1926 ao recomeço em 1999, cerimônia marca a entrega de uma etapa do templo, após décadas de desafios e avanços em diferentes fases


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No último sábado (7), a Igreja Adventista do Sétimo Dia inaugurou o novo templo em Encruzilhada do Sul, no interior do Rio Grande do Sul. A cerimônia celebrou a conclusão de uma etapa de construção e organização que se consolidou especialmente a partir de 1999, quando uma família se mudou para a cidade com o propósito de reerguer, de forma permanente, a presença adventista no município.

O papel das publicações

A história local, porém, começa bem antes - e nasce do ministério da colportagem. Em 1926, o casal Emílio Timm e Metha Timm, então luteranos, adquiriu de colportores o livro Vida de Jesus e se surpreendeu com o tema do sábado. Para conferir na fonte que mais respeitavam, buscaram uma Bíblia em alemão traduzida por Martinho Lutero e chegaram a fazer uma viagem de carroça para conseguir o exemplar, mas parentes recusaram o empréstimo por receio de que se tornassem adventistas. No retorno, acabaram encontrando um viajante que se apresentou como alguém que já pertenceu a denominação e lhes ofereceu uma Bíblia em alemão; a partir daí, vieram meses de estudo, apoio de um dentista adventista da região e a decisão de começar a guardar o sábado, realizando a primeira Escola Sabatina na própria casa. O processo culminou no batismo em 5 de maio de 1928, realizado pelo pastor H. C. Harder, na localidade dos Folis, então ligada a Encruzilhada do Sul e hoje pertencente ao município de Amaral Ferrador.

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Tempos de dificuldades

Por anos, os Timm foram responsáveis pela presença adventista na região, incluindo a construção de uma igreja no interior. Com o tempo, porém, a terceira geração se mudou no fim da década de 1960 e, sem liderança formada para dar continuidade, a igreja acabou fechando as portas nos anos seguintes. Os poucos remanescentes passaram a se reunir em casas, entre eles o irmão Ney Freitas.

Família Timm foi responsável pelo início da presença adventista na região. (Foto: Divulgação)

Em 1985, um novo esforço reuniu cerca de 15 pessoas na cidade, atendidas pelo distrito de Cachoeira do Sul. O líder do grupo faleceu aos 49 anos e, novamente, a presença adventista local enfraqueceu, fazendo com que os irmãos remanescentes voltassem para suas casas.

Um novo fôlego

A retomada decisiva veio em 1998, quando o pastor Marlinton Lopes, então secretário-executivo da sede adventista para o Sul do Rio Grande do Sul (ASRS), recebeu a visita do irmão Jorge Altamir Pinheiro Cardoso, da igreja do Bairro Camaquã, em Porto Alegre, que expressou o desejo de pregar o evangelho em uma cidade sem a presença organizada da denominação. Com orientação de Lopes e apoio do então diretor da Escola Adventista de Cachoeirinha, o hoje pastor jubilado Adalmiro Fontoura Cardoso, natural de Encruzilhada do Sul, o plano avançou. Em janeiro de 1999, Jorge Altamir fechou sua empresa gráfica em Porto Alegre e se mudou para Encruzilhada do Sul com a esposa Mara Crystina Barra Cardoso e os filhos Jorge André Barra Cardoso, Ana Caroline Barra Cardoso e Jônatas Barra Cardoso.

Ao chegar, a família reuniu os irmãos remanescentes, incluindo Ney Freitas, então com 81 anos, além da família do irmão João Amadeu Souza, sua esposa e oito filhos, que havia se mudado para a cidade em 1995, e as irmãs Adiles, Gasparinha, Suzete, Eracema e Zilda. Na garagem da casa, Jorge Altamir deu início ao grupo adventista em Encruzilhada do Sul por meio do projeto Missão Global. Passados dois anos, quando o retorno a Porto Alegre era esperado por conta do encerramento do projeto, a família decidiu permanecer definitivamente na cidade, por entender que ainda não havia liderança fortalecida para sustentar o trabalho sem apoio direto.

Avanços para a construção

Os anos seguintes foram de lutas, decisões e organização prática. O grupo decidiu sair do aluguel, se manter em pequenos grupos e se reunir uma vez por mês para levantar recursos e iniciar a construção no terreno adquirido em 1990 pelo irmão Célio, com apoio de membros de Cachoeira do Sul. Em 2008, com a ajuda dos irmãos de Cachoeira, liderados pelo mestre de obras irmão Martinho e sob direção local de Vanderlei Sousa (filho do irmão João), teve início a construção da parte inferior do templo (o porão), onde a congregação se reuniu até 7 de fevereiro de 2026.

Em 2021, sob direção do irmão Valdez Rodrigues, novas etapas avançaram com recursos próprios e doações. Em 2023, agora dirigidos por Jorge André Barra Cardoso e com o esforço do pastor Renan, então distrital de Santa Cruz do Sul — distrito ao qual o município atualmente pertence —, o grupo foi contemplado com recursos do escritório da Igreja para o Sul do Brasil (União Sul-Brasileira) e da sede para a região central do estado gaúcho (ACRS) para erguer o templo.

A administração do processo de construção até a conclusão foi conduzida pelo tesoureiro do grupo, Alessandro Cauê Andrade Ribas. Nesse período, também passou a congregar na comunidade o pastor jubilado Adalmiro Fontoura Cardoso, natural de Encruzilhada do Sul e sobrinho do saudoso Ney Freitas.

Ao longo desses 27 anos, os líderes que dirigiram a igreja foram Jorge Altamir Pinheiro Cardoso (1999–2004; 2014–2017), Jorge André Barra Cardoso (2004–2008; 2023–presente), Vanderlei Sousa (2008–2013) e Valdez Rodrigues (2018–2022). Passadas quase três décadas desde a chegada da família Cardoso, o grupo deve ser elevado à condição de igreja nos próximos meses e hoje conta com liderança atuante e uma juventude vibrante, características que marcam a nova fase da comunidade adventista na cidade.