Novas gerações e ferramentas digitais renovam o evangelismo tradicional
Adolescentes no YouTube e comunidades conectadas pelo WhatsApp expandem o ensino da Bíblia

O que fazer quando você descobre algo que mudou a sua vida? No interior do Pernambuco, em um povoado de cerca de cinco mil habitantes, uma família começou a pregar antes mesmo de ser batizada.
Aldelanio Arcelino dos Santos, conhecido como Lanio, sua esposa Roseane Gomes da Silva Santos e Arielly Raiany Santos Silva, de apenas 13 anos, entenderam rapidamente o que significava ser um missionário. A família frequentava uma outra denominação religiosa há muitos anos. Eram ativos, participavam de diversos ministérios e gostavam de estudar a Bíblia.
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“Teve um dia que eu comecei a sentir algumas dúvidas referentes ao sábado. E essa dúvida me fez com que eu fosse até a Bíblia procurar resposta”, relembra Lanio. Segundo o pintor automotivo, foram noites e noites lendo e estudando especificamente sobre esse tema. Foi quando se lembrou de um amigo que era da sua mesma igreja, mas que havia se mudado para outra cidade há alguns anos.
Ele enviou uma mensagem por meio do Facebook para esse amigo compartilhando suas dúvidas na esperança de que ele pudesse ajudar a compreender o assunto. Foi então que esse amigo disse: "Todas essas suas dúvidas aí que você tá tendo, eu tô (sic) em uma igreja que ela procura pregar toda a verdade da Bíblia. E a gente tem explicação para isso. Você quer um estudo bíblico?"
Foi assim que, a cada sábado, esse amigo viajava 250 quilômetros de sua cidade até o vilarejo de Lanio para ensinar sobre o sábado e outras doutrinas bíblicas. Mas tudo isso foi tão forte que logo no dia seguinte a cada estudo, o casal já reunia pessoas para ensinar o que aprendeu.
“Ele ia embora e eu já ia passar esse primeiro estudo para as pessoas da minha igreja lá. Eu só passava um. As pessoas diziam: "E o dois?". Eu dizia: "O dois eu ainda não sei. Próxima semana eu vou aprender o dois, aí eu passo o dois", conta sorrindo. Ao fim de todas as lições, outras três pessoas além de sua família tomaram a decisão pelo batismo.
Mas não foi sempre fácil. Lanio se recorda da resistência dos vizinhos, membros e líderes de sua antiga igreja. “Essas pessoas, quase todas, ficaram com raiva de mim, parado de falar, fechava a cara na rua”, comenta com tristeza. Mas, segundo ele, isso passou. Hoje, sua igreja, que começou na sala de casa, tem 35 membros.

Depois que foram batizados, a família criou um pequeno grupo em que convidavam os vizinhos, familiares e amigos. Mas Arielly disse “que era muito chato”, e resolveu criar um só para as crianças. Na época, ela tinha apenas oito anos.
Seguindo o modelo dos adultos, mas com pequenas adaptações, ela trocou os hinos do Hinário Adventista pelas canções infantis, com histórias e atividades para os pequenos. Uma das pessoas que participava era uma prima, que tinha a mesma idade. Foi a primeira pessoa que foi batizada pela influência da pequena missionária. Agora, a menina cria vídeos com o resumo da lição da Escola Sabatina dos adolescentes e publica no Youtube.
Tecnologia à serviço da missão
Do outro lado do Brasil, em São Paulo, uma igreja desenvolveu um ministério digital para alcançar as pessoas do bairro. Em terra de prédios e portões altos, a Igreja Adventista do bairro de Moema, área nobre da capital paulista, escolheu as redes sociais para conversar e orar pelos vizinhos. Por meio de vídeos e publicações direcionadas por endereço e interesses, as pessoas tinham acesso a um canal de conversa no WhatsApp em que voluntários oravam e mantinham um relacionamento com elas.

O evangelismo digital começou em 2023 teve foco na oração. Com o tempo, foi possível identificar os motivos mais recorrentes e, a partir de então, criar conteúdo voltado para essas necessidades e refinar o algoritmo para distribuição dos vídeos. Mas a internet não conhece barreiras geográficas. O pastor Robson Menezes, que lidera essa comunidade religiosa, conta que chegam pessoas de vários bairros e até outros países.
Mas a conversa não ficava só no celular. A partir do momento que a pessoa demonstrava interesse em visitar a igreja, existia toda uma preparação para que a recepção fosse a mais atenciosa possível. “Nós já passávamos para a equipe o nome e a foto. Quando a pessoa chegava, a gente já estava esperando na recepção, sabia quem era e chamava pelo nome. Isso foi uma revolução. As pessoas falavam: "Como vocês me conhecem?", explica Menezes.
De acordo com o pastor, o trabalho integrado entre o online e o offline é o que faz com que o projeto seja bem-sucedido. “Agora não conseguimos mais trabalhar sem isso. O nosso evangelismo é voltado para as redes sociais”, destaca. E isso fez com que a igreja aprendesse a ser mais acolhedora e aberta a receber pessoas de todos os tipos.
Depois do batismo, cada novo membro é direcionado a uma classe que ensina sobre a história da Igreja Adventista, suas crenças e, também, a identificação de dons que podem ser dedicados ao trabalho missionário. Assim, o ciclo se completa, enraizando o membro na comunidade religiosa.
Evangelistas ao redor do mundo
O balanço missionário de 2025 mostra como o trabalho como o feito por essa família no Pernambuco e os evangelistas digitais de São Paulo é o que levou ao resultado de 199.527 pessoas batizadas em 2025 no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Equador e Peru. Quanto aos pequenos grupos, foram mais de 65 mil unidades neste mesmo período.
Seja na internet ou de pertinho, no ano passado mais de 700 mil adventistas deram ao menos um estudo bíblico. Ao todo, foram cerca de 668 mil alunos.
A Rede Novo Tempo também chega à casa das pessoas por meio da televisão, rádio e internet. A Esperança, instrutora bíblica virtual, ensinou a Bíblia para 146 mil pessoas no ano de 2025. Para aqueles que preferem estudar com a revista na mão, foram enviados 373 mil exemplares em português e espanhol, chegando a mais de 224 mil novos estudantes.
Com o projeto Missão Calebe, aproximadamente 300 mil jovens e adolescentes dedicaram suas férias para falar de Jesus e ajudar ao próximo por meio de projetos sociais. Outros 787 voluntários preferiram dedicar um ano inteiro ao campo missionário, atuando de forma exclusiva.
Por meio do Serviço Voluntário Adventista, mais de 1.200 pessoas foram para outros países e continentes em missões de longa e curta duração, levando a mensagem bíblica para regiões desafiadoras.
Essas histórias e números demonstram a dedicação de voluntários em compartilhar algo que mudou suas vidas e pode mudar a vida de outras pessoas também. Roseane, esposa de Laino, aconselha: “Que a gente vá aonde Deus mandar. Não pode ter medo. O nosso "ide" é esse: ir e pregar o evangelho a toda criatura.”
Veja o infográfico:

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