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A cada cinco segundos, uma pessoa fica cega

Especialista explica quais são os principais riscos e doenças dos olhos e dá dicas sobre como prevenir problemas oftalmológicos.

Por Cléber Jorge de Azevedo 13 de outubro de 2018

Oftalmologista classifica principais ameaças à boa visão de acordo com idade. Foto: Shutterstock

Se você está lendo este artigo, agradeça a Deus por sua visão. Cuidar dos olhos é algo muito importante.

Existem hoje no mundo cerca de 36 milhões de cegos e 217 milhões de pessoas com comprometimento moderado a severo da visão, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A cada cinco segundos, uma pessoa fica cega e a cada minuto uma criança perde a visão.

A visão é um dos cinco sentidos que nos liga ao mundo. Cerca de 85% de todas as informações nos chegam por meio da visão. Por esta razão, a falta dela nos traz grandes limitações na vida diária.

Veja algumas dicas importantes que podem nos ajudar a preservar uma boa visão em diferentes fases da vida.

Cuidados na infância

Nossos olhos podem estar em perigo mesmo antes do nascimento. Por causa disso, a futura mamãe deve fazer o pré-natal com acompanhamento médico. Doenças como a rubéola e a toxoplasmose podem causar danos irreversíveis aos olhos dos bebês, levando-os à cegueira.

A primeira consulta oftalmológica deve ser logo após o nascimento. Este primeiro exame tem por objetivo verificar se o olho está bem formado e se existe alguma patologia que necessita de pronto tratamento. É preciso garantir que tudo esteja bem para que a visão se desenvolva plenamente nos primeiros anos de vida.

Assim como o bebê aprende a coordenar os braços, pernas e dedos, ele aprende a coordenar os olhos e a interpretar a imagem que vem ao cérebro através deles.

Toda criança deve fazer uma nova avaliação na idade pré-escolar. Nesta idade, o uso de óculos pode ser muito importante, podendo ter consequências irreparáveis em caso de negligência.

Casos de acidentes com pregos, lápis, anzóis, tiaras de cabelo e outros objetos não são raros. A proteção ocular deve ser um hábito em qualquer atividade de risco, este conselho se aplica em qualquer fase da vida.

Juventude

O ceratocone é uma alteração corneana que costuma se manifestar entre a adolescência e a juventude.

A córnea apresenta fragilidade das ligações de sua estrutura. Isso pode levar a deformidades em sua curvatura gerando baixa visão.

Nunca é demais falar que coçar os olhos ou apertá-los nos deixa vulneráveis a este mal e a outros. O acompanhamento médico se faz sempre necessário.

Maturidade (depois dos 40 anos)

Ao redor dos 40 anos de idade, devemos estar atentos ao glaucoma, a maior causa de cegueira irreversível no mundo. Trata-se de uma doença silenciosa, muitas vezes sem apresentar qualquer sintoma. A perda da visão se inicia da periferia para o centro conforme a doença progride. Geralmente ocorre de forma assimétrica, ou seja, em um olho antes que o outro e, não raro, observamos pacientes que perderam a visão de um dos olhos e não se aperceberam. Após os 40 anos é obrigatória a avaliação oftalmológica anual para descartar a doença. O tratamento tem por objetivo impedir a progressão da doença, mas infelizmente, não há como recuperar o que se perdeu de visão.

Após os 50 anos

Existem duas patologias muito comuns que se iniciam geralmente após os 50 anos de idade.

Catarata

É a maior causa de cegueira reversível em todo o mundo.

A catarata é a opacificação do cristalino, uma estrutura localizada logo atrás da íris que tem a função de uma lente para focalizar a imagem na retina. Com o envelhecimento, esta lente torna-se mais rígida e posteriormente menos transparente. A perda da visão por catarata pode ser recuperada por meio de cirurgia. Aliás, é a cirurgia mais realizada no mundo.

Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)

Outra doença que a incidência tem aumentado grandemente nos últimos anos é a DMRI. Esta já é a primeira causa de cegueira após 50 anos de idade em países desenvolvidos.

Até a poucos anos atrás o médico oftalmologista não tinha o que fazer para impedir o avanço da doença. A idade avançada, a ingesta de gorduras saturadas, o tabagismo, e a história familiar são os maiores fatores de risco. Após estudos multicêntricos de grande relevância como o AREDS e AREDS II, descobriu-se que a boa alimentação e o estilo de vida são de grande importância na prevenção da doença e também são uteis no tratamento. Novos medicamentos podem ajudar em casos específicos, como os Anti-VEGFs. A DMRI, ao contrário do glaucoma, afeta primariamente a visão central trazendo grande prejuízo comprometendo atividades como a leitura e a visão de detalhes.

Alimentos ricos em vitaminas C e E, zinco, cobre, luteína, zeaxantina, ômega 3 podem prevenir e até estabilizar a DMRI. Para as mulheres além desses elementos as vitaminas B6 e B12 assim como a ingesta de ácido fólico trazem benefício.

Retinopatia Diabética

Outro grupo importante, que tem maior risco de perda da visão, é o grupo das pessoas diabéticas. Tanto do tipo I como as do II. Estas devem fazer exame de fundo de olho periodicamente. A Retinopatia Diabética é a terceira maior causa de cegueira irreversível no mundo. Mais uma vez a alimentação e o estilo de vida saudável são a base da prevenção.

Em todos os casos, a prevenção continua sendo a melhor estratégia no cuidado dos olhos. Alimentação saudável, exercícios e acompanhamento do médico oftalmologista são os pilares da boa visão.


Cléber Jorge de Azevedo é médico oftalmologista, especialista em Retina, Glaucoma e Catarata, e atua no Hospital Adventista do Pênfigo, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

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