Notícias Adventistas

Pneumonia é doença séria e pode matar

A pneumonia é uma enfermidade que ainda preocupa, especialmente no caso de crianças e idosos, mas tem muito a ver com baixa imunidade.

Por Felipe Lemos 14 de novembro de 2018

Estilo de vida saudável pode ajudar a fortalecer sistema imunológico do organismo e prevenir doenças como pneumonia. Foto: Shutterstock

O Dia Mundial da Pneumonia, lembrado na última segunda-feira, 12 de novembro, é uma data para provocar a reflexão sobre essa doença que, apesar de prevenção e tratamento, ainda mata. A doença matará quase 11 milhões de crianças menores de cinco anos até 2030 se as tendências forem mantidas. Os dados são da ONG Save the Children. Um total de 700 mil crianças poderão morrer da doença no Paquistão e 635 mil na República Democrática do Congo. Por isso, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias conversou com o médico clínico Sérgio Henrique da Silva Santos. Santos possui especialização em Pneumologia e Gestão em Saúde. Atua na Unidade de Referência em Pneumologia Sanitária da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e é professor adjunto e líder de Habilidades Profissionais do Curso de Medicina do UniCeub.

Afinal de contas, quais as principais causas de pneumonia?

Chamamos de pneumonia a afecção que atinge porções inferiores dos pulmões (dois órgãos que ocupam a caixa torácica), sejam os alvéolos ou ainda a porção intersticial do pulmão. A palavra pneumonia vem do grego pneumon (significa pulmão) e ia (significa doença). Deste modo, pneumonia é doença do pulmão. Vem habitualmente caracterizada com febre, tosse e catarro. Uma pneumonia pode ser causada por diversos agentes, dentre os quais destacamos: vírus, bactérias, fungos, protozoários, agentes químicos e substâncias inorgânicas como poeiras. Atualmente, muito tem se ouvido falar de pneumonias como causa de morte.

Recentemente, com a evolução de técnicas de exames moleculares temos compreendido melhor que a maioria das pneumonias é causada por vírus, para os quais não se faz necessário o uso de antibióticos, daí a importância de perseguir o diagnóstico correto.

Qual a eficácia da vacina contra pneumonia? Quem deve tomar?

Esta é uma boa pergunta. A pneumonia pode frequentemente necessitar de internação para tratamento e tem sido causa frequente de óbito em algumas populações especificas como idosos e pessoas com doenças prévias. A vacina tem sido capaz de reduzir a quantidade de internações e mortes por pneumonia, causada pelo microrganismo streptococco pneumoniae. Que é, inclusive, causador comum de infecções respiratórias. Em nosso país, a vacina antipneumocócica foi introduzida no calendário vacinal em 2010, inicialmente para crianças abaixo de dois anos. Posteriormente se ampliou o público alvo para indígenas, profissionais de saúde, gestantes e pessoas com condições que predisponham a infecções frequentes como por exemplo: neoplasias, doenças pulmonares, neoplasias, insuficiência cardíaca, renal e diabetes.

A vacina está disponível na também na rede privada, o que tem favorecido o aumento de cobertura. Convém lembrar que a vacina contra Influenza também é instrumento importante na redução de formas graves da gripe como a SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) que leva a internação e risco de morte.

Que hábitos de vida podem ajudar a prevenir pneumonias ou não há muito a fazer?

De modo diferente do vírus da gripe, as bactérias causadoras de pneumonia não são transmitidas com facilidade, por isso uma pessoa com pneumonia por bactérias, por exemplo, não necessita ficar isolada. Cuidados de higienização, particularmente das mãos, reduz a transmissão de doenças infecciosas. Além disso, sabemos que um estilo de vida saudável é capaz de prevenir doenças.

No caso das pneumonias, a manifestação da doença significa que um microrganismo foi capaz de vencer as defesas imunológicas da pessoa; sendo assim, alimentação saudável (compreendida como equilibrada), ingesta regular de água, evitar bebidas alcoólicas, prática regular de exercícios, sono regular e manutenção do peso são um conjunto de medidas que fortalecem o organismo e melhoram as defesas contra infecções. Isto é particularmente importante em pessoas com doenças crônicas.

Quais os principais sintomas e quando saber que é pneumonia?

Em uma pneumonia típica veremos febre alta, fraqueza, tosse úmida produtiva e catarro amarelado chamam a atenção. Na pneumonia atípica, o inicio costuma ser insidioso, com dores de cabeça, musculares e tosse seca. Apenas este quadro, no entanto, não é suficiente para o diagnóstico. É necessário o exame clínico da pessoa, quando, com a ausculta pulmonar, confirmamos que o problema é localizado no pulmão.

Nestas circunstâncias, frequentemente necessitamos de um exame de imagem que confirma a impressão diagnóstica e nos auxilie na busca por outros fatores associados como problema na pleura (membrana dupla que envolve os pulmões). Ou uma cavitação (área destruída do pulmão como consequência do processo de inflamação e proliferação de microorganismos). Ou, ainda, algum problema no interstício (tecido de sustentação do pulmão como se fosse uma rede de fibras de colágeno que sustenta o órgão). São elementos que conferem maior gravidade ao quadro. Habitualmente idosos, portadores de doenças crônicas e com limitação para oxigenação do sangue necessitam de internação.

Considero importante alertar que aqui estamos falando basicamente da pneumonia adquirida na comunidade, visto que pode ainda ocorrer a pneumonia hospitalar, relacionada à permanência em hospital e habitualmente mais grave. É importante lembrar de estudos que têm confirmado a confiança em Deus como elemento capaz de diminuir o sofrimento e acelerar a cicatrização em diversas situações, portanto não desanime.

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox