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O custo emocional que o vício tem na vida

Uma dimensão mais ampla sobre os efeitos do vício, em suas diferentes formas, foi apresentada pela especialista Katia Reiner, durante evento mundial.

Por Sandra Blackmer, da Adventist Review 23 de julho de 2019

Citando a cofundadora da Igreja Adventista, Ellen White, Reinert disse que “vício, tristeza, ansiedade, descontentamento remorso, culpa, desconfiança, todos tendem a quebrar as forças vitais e convidar a decadência e a morte. (Foto Adventist Review)

“O vício, em todas as formas, é uma crise global e resulta em milhões de mortes anualmente”. A afirmação é de Katia Reinert. Ela falou sobre o desafio aos 800 profissionais de saúde e outros participantes de 106 países durante sua apresentação plenária em 11 de julho na 3ª Conferência Global sobre Saúde e Estilo de Vida em Loma Linda, Califórnia, nos Estados Unidos.

“Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 3,3 milhões de mortes por ano — seis mortes por minuto — são causadas apenas pelo consumo nocivo do álcool”, disse ela. “Essas estatísticas são impressionantes, e precisamos fazer mais para efetuar mudanças”.

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Estatísticas preocupantes

Katia, que é diretora associada do Ministério da Saúde Adventista na Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, compartilhou estatísticas preocupantes de mortes por fator de risco. A constatação se dá em todas as faixas etárias e ambos os sexos. Esses fatores incluíram o fumo, 6,32 milhões; açúcar alto no sangue, 5,61 milhões; obesidade, 4,53 milhões; colesterol alto, 4,39 milhões; consumo de álcool, 2,81 milhões; e hipertensão arterial, 10,46 milhões. A fonte dos dados apresentados por ela é o site ourworldindata.org.

“O maior número de mortes por pessoa na faixa etária de 15 a 49 anos resultou de sexo desprotegido, consumo de álcool, pressão alta, tabagismo, obesidade e colesterol total alto”, acrescentou a líder.

“O custo emocional do vício é enorme”, ressaltou Katia. A profissional salientou que, ainda sobre esta questão emocional, é importante saber que o suicídio é uma das principais causas de morte prematura entre adolescentes e jovens. Na avaliação da profissional, muitas famílias e comunidades sofrem as consequências do consumo de álcool, violência, lesões, problemas de saúde mental, e doenças como câncer e derrame.

Vícios de substâncias

Katia explicou que os vícios de substâncias incluem álcool, maconha, tabaco, drogas ilícitas, narcóticos/opioides e benzodiazepínicos, além do uso pesado de cafeína. Dados apresentados por ela também dão conta de que overdoses de drogas relacionadas a opioides aumentaram exponencialmente. “Somente nos Estados Unidos, em 2016, 116 pessoas morreram todos os dias por overdose de drogas relacionadas a opiáceos, e 11,5 milhões de pessoas abusaram de medicamentos prescritos”, de acordo com o Relatório sobre Álcool, Drogas e Saúde do Cirurgião Geral para 2016.

Vícios de comportamento

“Vícios envolvem mais do que abuso de substâncias, pois podem incluir comportamentos compulsivos não saudáveis também”, afirmou Katia Reinert. Ela esclareceu aos participantes que os vícios de comportamento normalmente incluem jogo patológico, compulsão alimentar, pornografia/vício em sexo, compras compulsivas, arrancar/cortar a pele, internet/mídia social, esportes/exercícios, vício em trabalho e jogos/tecnologia.

“E não se engane que os adventistas são imunes a esses vícios. Comportamentos aditivos podem ser encontrados entre pessoas de fé e nossos próprios membros da igreja também”, advertiu. A observação de Katia é a de que os vícios representam apenas a ponta do iceberg, pois as cicatrizes emocionais são a raiz do problema.

Muitas dessas cicatrizes têm origem em experiências infantis, e experiências negativas na infância podem ter um efeito profundo sobre a dependência posterior, aumento dos riscos para a saúde, doenças e morte.

“Experiências adversas na infância são o principal determinante de saúde e bem-estar social nos EUA e o principal fator nos vícios subjacentes”, complementou. De certa maneira, os adventistas já possuem livros que tratam do assunto há muito tempo. Na obra escrita por Ellen White, chamada A Ciência do Bom Viver, à página 241, por exemplo, a autora registrou que “muitas das doenças sofridas pelos homens são resultado de depressão mental. Desgosto, ansiedade, descontentamento, remorso, culpa, desconfiança, todos tendem a consumir as forças vitais, e a convidar a decadência e a morte”.

Papel da comunidade de fé

Katia Reiner observa que os líderes e membros de comunidade de fé, como os adventistas, geralmente são os que primeiro respondem a alguém que enfrenta um desafio de saúde mental. Ou mesmo um trauma. Para ela, portanto, “saber responder a esses eventos pode fazer uma grande diferença em como o indivíduo e a comunidade superam e se curam”, disse Katia.

Uma iniciativa interessante, neste sentido, é a dos doze passos na chamada Jornada para a Totalidade. Trata-se de uma adaptação do programa dos doze passos, utilizada pelo grupo mundial Alcoólicos Anônimos. No caso da Jornada para a Totalidade, o plano foi desenvolvido pelo Ministério Adventista de Recuperação Global, ligado à sede mundial adventista.  O programa fornece ajuda bíblica e centrada em Cristo para todos os vícios.

Outro exemplo de boa prática para lidar com o problema é um programa centrado em ajudar adolescentes a combater comportamentos de risco chamado Youth Alive que também está disponível. Atualmente é usado em regiões do mundo como África, Ásia e Europa, e em breve será lançado na sede adventista para a América Central”, informou Katia.

“Mais importante é que devemos olhar para Deus e Seu amor, compaixão e promessas. Ele promete cura e liberdade do cativeiro, e podemos com segurança confiar Nele”, finalizou a diretor associada de Saúde.

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