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Médicos usam profissão para aproximar pessoas de Cristo

Dentro ou fora do consultório, profissionais adventistas aproveitam oportunidades para impactar vidas

Por Jefferson Paradello

O médico Renato Araújo e sua família. Sonho que começou na infância se tornou realidade e hoje já influencia a vida dos filhos (Foto: Arquivo pessoal)

O médico Renato Araújo e sua família. Sonho que começou na infância se tornou realidade e hoje já influencia a vida dos filhos (Foto: Arquivo pessoal)

Renato Araújo cresceu ouvindo histórias de médicos que dedicavam parte da vida para integrar projetos missionários e ajudar pessoas. Seus primos, por exemplo, se graduaram em odontologia e seguiram esse caminho. Assim, o contexto em que esteve inserido foi fundamental para ajudá-lo a definir o que faria no futuro. Com isso, decidiu cursar medicina, mas, segundo ele, naquele tempo raras eram as iniciativas institucionais que pudessem levá-lo a realizar seu sonho.

Para sua frustração, concluiu a faculdade sem nunca ter vivido tal experiência. “Parecia que tinha passado o tempo dessas missões. Eu não sabia nem se elas ainda eram relevantes”, relembra Araújo. Em 1993, após a graduação, começou sua carreira no Rio de Janeiro. Se casou com uma médica e vivia um momento profissionalmente feliz.

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Envolvidos com as atividades de sua igreja local, encontraram uma maneira diferente de servir as pessoas: fazer missão urbana na favela da Rocinha. Mesmo assim, Araújo queria outros desafios, e por isso começou a orar. “Olha, Deus, talvez o seu plano seja diferente. Nós gostamos tanto de morar aqui, estamos nos sentindo tão úteis, mas se o Senhor tiver outro plano para a nossa vida, estamos à disposição”, segredou.

Pouco depois, o médico recebeu uma ligação. Era a proprietária de uma clínica lhe convidando para trabalhar em Manaus. A proposta não o animou muito. Afinal, a cidade ficava no extremo do País, distante da realidade com a qual estava acostumado. Ele tinha certeza de que sua esposa não aceitaria. No entanto, após passarem um mês em oração, entenderam que deveriam ir, onde permanecem desde 2002.

Na segunda semana após a chegada, foram convidados a participar de uma missão em comunidades ribeirinhas. “Foi aí que comecei a entender a vontade de Deus. E depois daquela não paramos mais”, sublinha. Convidados para ajudar a fundar um templo adventista em um bairro de classe média alta da capital manauara, viram cerca de 30 médicos passarem a frequentar o local. “A gente achou muito natural continuar com o ministério de missões. E hoje somos muito atuantes. Fazemos isso todos os meses.”

Unidos para salvar

Araújo e seus amigos integram a Associação de Médicos Adventistas (AMA), um ministério de apoio da Igreja Adventista que os têm envolvido em ações missionárias e cotidianas que ajudem a reforçar a filosofia de saúde adventista.

Diferentemente de outras associações médicas, que geralmente são voltadas para especialidades específicas, a AMA reúne profissionais de todo o Brasil que atuam em diversas áreas. Seu objetivo principal não é apenas oferecer atualização científica, sobretudo em temas pertinentes ao médico adventista. “Queremos despertar nele sua vocação pastoral, espiritual, de trabalhar pelo corpo e pela alma”, esclarece o doutor Luís Fernando Sella, atual presidente da entidade.

Com aproximadamente 250 membros ativos, incluindo médicos e estudantes, 270 pessoas participaram do IV Congresso Nacional da AMA, realizado na sede administrativa da Igreja Adventista para a América do Sul, em Brasília, entre 29 de junho e 1º de julho.

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Com a proposta Curar e salvar – uma obra completa, o encontro apontou as diretrizes que devem reger o trabalho do médico adventista e a relevância de sua atuação para chegar a corações que não teriam essa abertura não fosse pela área de saúde. Durante as palestras e apresentação de relatórios das regionais da instituição, a tônica foi a busca de oportunidades para se fazer a diferença na vida de alguém.

“O médico missionário é aquele que crê que tem uma responsabilidade diante de Deus em favor das pessoas. Que crê que o seu paciente é uma pessoa por quem Cristo morreu, e aquele que usa a sua profissão, o seu dom, para aliviar o sofrimento das pessoas, mas também para aproximá-las de Jesus”, define Sella, que esclarece que o missionário não é apenas aquele que atravessa o oceano, mas o que ora com seu paciente, distribui literatura e apresenta uma mensagem de esperança.

O evento ainda reuniu médicos que dedicam sua carreira integralmente a servir a Igreja em suas clínicas e hospitais nos sete países de fala hispana. De forma semelhante ao que acontece no Brasil, já existem iniciativas para formar associações de médicos adventistas na Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Chile, Peru e Equador.

Novas gerações

Embora tenha apenas 18 anos e ainda não esteja cursando a graduação, Maria Carolina Morsch pensa em ser médica e foi ao Congresso para entender de que maneira poderá contribuir para que as pessoas conheçam a respeito de Jesus através de sua profissão.  

“Quero fazer algo que seja relevante, algo que possa ajudar. Por isso penso em medicina, que é muito usado em campo de missão, que tem muita abertura e que em lugares mais fechados para pastores, por exemplo, você pode entrar facilmente e compartilhar essa mensagem”, justifica.

“Tenho muito orgulho deles. É algo que me incentiva bastante”, destaca Maria Carolina (centro), ao lado dos avós, ao se referir ao fato de ao longo da vida ter conhecido pessoas que pediam que ela agradecesse aos dois pela ajuda que prestavam à comunidade

“Tenho muito orgulho deles. É algo que me incentiva bastante”, destaca Maria Carolina (centro), ao lado dos avós, ao se referir ao fato de ao longo da vida ter conhecido pessoas que pediam que ela agradecesse aos dois pela ajuda que prestavam à comunidade

Seus avós são sua principal influência para seguir a carreira na área. A jovem viu, desde cedo, como os dois usam a profissão em prol dos outros, inclusive voluntariamente. Depois de voltar impactada de um congresso missionário para jovens, o I Will Go, Maria Carolina decidiu ir a Brasília com eles quando soube que o foco seria o mesmo. “A única certeza que tenho é que quando eu estiver formada, quero fazer missão”, destaca.

Além do consultório

A maior parte do trabalho médico-missionário não é exercida por profissionais remunerados pela Igreja, uma vez que o número de vagas nas instituições de saúde mantidas pela denominação em relação ao de especialistas é limitado.

“A gente precisa unir esforços para que a mensagem de saúde seja pregada além das fronteiras de nossas instituições”, ressalta o médico Rogério Gusmão, diretor do departamento de Saúde da Igreja Adventista para oito países sul-americanos. Para ele, esses parceiros também desempenham um papel fundamental de orientação aos membros das igrejas locais em relação ao conhecimento científico que estão ligados aos princípios adventistas.

Mesmo fora da estrutura administrativa da Igreja, esses profissionais têm se unido para beneficiar comunidades, inclusive fora do Brasil. Só no ano passado, Araújo e seus amigos foram oito vezes à Guiana Inglesa, um país carente e que dispõe de um limitado sistema de saúde. Ao todo, 36 médicos participaram da iniciativa. Destes, seis não eram adventistas, acompanhados por vários estudantes que não tinham vínculo com a Igreja. “É uma ótima oportunidade para abrir portas e quebrar barreiras de preconceito”, avalia.

Foi o que aconteceu com Paulo. Por várias vezes o cirurgião foi convidado a ir ao templo adventista ou a eventos, mas nunca aceitou devido à sua resistência com religião e por se autodenominar ateu.

Em uma das primeiras missões para Lethem, na fronteira com o Brasil, ele foi convidado e aceitou ir. A esposa, que é médica, não pode acompanhá-lo, mas os filhos – dois estudantes de medicina e um que se prepara para fazer o mesmo curso – se envolveram. Durante a viagem, um episódio marcou sua vida.

Médicos viajaram cerca de 13 horas para oferecer atendimento aos moradores do país vizinho

Médicos viajaram cerca de 13 horas para oferecer atendimento aos moradores do país vizinho

“Um garoto, conhecido como little Bolt, uma das promessas do país para as próximas Olimpíadas, chegou no hospital com muita dor na barriga. Constatamos que era uma urgência e ele foi imediatamente para a cirurgia. Hoje ele está bem”, narra Araújo.

Para Paulo, a experiência foi muito significativa. Ele assegurou ter entendido o motivo de ter participado daquela viagem missionária. “Esse menino teria morrido e Deus me mandou aqui para salvá-lo”, relembra Araújo. No sábado seguinte, o médico que se dizia ateu visitou o templo adventista e já está inscrito para a próxima viagem missionária.

Crescimento

O Congresso da AMA também teve espaço para atividades práticas, reforçando aquilo que os profissionais fazem em seu dia a dia. Divididos em 18 grupos, no sábado à tarde eles foram para localidades diferentes do entorno da capital federal para oferecer atendimento a pessoas que foram previamente selecionadas. O foco esteve em orientações sobre estilo de vida e avaliações e foco na mudança de estilo de vida.

Médica atende paciente em um dos colégios adventistas no Distrito Federal

Médica atende paciente em um dos colégios adventistas no Distrito Federal

A entidade também aproveitou o encontro para lançar em seu site um cadastro nacional de médicos adventistas. O objetivo é ter em seu banco de dados o nome, contato e especialidade de todos os profissionais ligados à denominação que atuam no Brasil. Isso servirá de base para uma outra iniciativa: o Encontre um Médico Adventista.

A proposta é semelhante ao Encontre uma Igreja, que hoje permite a localização dos templos adventistas. Com isso, o paciente poderá buscar profissionais que tenham os princípios de saúde e estilo de vida apresentados pela Igreja e obter seu contato e local onde atende.

Outra iniciativa que ocorrerá em breve é uma semana de oração, seguida por 40 meditações sobre saúde, para serem realizadas nos templos adventistas, ajudando assim a criar uma oportunidade para apresentar os temas à população. O conteúdo foi desenvolvido pela própria AMA. Outra frente é o fortalecimento do núcleo científico da entidade. Isso resultará na criação de materiais com posicionamentos oficiais sobre temas polêmicos relacionados à saúde.

Para conhecer mais sobre a Associação dos Médicos Adventistas, visite medicosadventistas.org

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