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Mal de Alzheimer: novidades sobre prevenção e tratamento

Neurologista explica o que se sabe de novo sobre tratamentos e explica que há fatores que contribuem para a prevenção do Mal de Alzheimer

Por Felipe Lemos 21 de setembro de 2020

Rede de apoio, especialmente da família, é fator fundamental no tratamento da doença (Foto: Shutterstock)

A Doença de Alzheimer é um conhecido transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória. O resultado é o comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais.

Ela é estudada no mundo inteiro e pesquisadores estão em busca de respostas relacionadas a diagnósticos e tratamentos precoces, vacinas e mais informações que possam contribuir para prevenção e combate.

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A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com um especialista no assunto sobre o que de mais atual se sabe a respeito. O entrevistado é o médico Christian Ximenes. Há 23 anos na área, é neurologista, doutor em neurociência e professor universitário. Atualmente, trabalha na Universidade Estadual do Ceará e Hospital Geral de Fortaleza.

O que é a doença?

Em linhas gerais, o que se sabe atualmente sobre os prejuízos causados pelo Mal de Alzheimer ao organismo humano?

A Doença de Alzheimer se enquadra no grupo de doenças chamadas de neurodegenerativas; elas são caracterizadas pela degradação de neurônios em áreas específicas do cérebro e essa degradação se espalha depois para o restante do órgão.

No caso do Alzheimer, a área de início é o hipocampo, uma região de grande importância para formação de nossas memórias. No início, o paciente idoso começa a ter dificuldade de formar novas memórias, a esquecer coisas que aconteceram recentemente (onde guardou algo, por exemplo). Com a evolução da doença, começa a comprometer também as memórias mais antigas, bem como a orientação espacial (localização em lugares). Na fase mais avançada, até as funções mais básicas como locomoção e alimentação (engolir alimentos) fica comprometida.

Existe algum tipo de informação sobre possíveis medidas ou comportamentos que podem, de alguma forma, contribuir para a prevenção desta doença?

Sim. Estudos mostram que pelo menos 40% dos casos de Alzheimer podem ser evitados se fizermos a coisa certa. Para “atacar” esses fatores de risco, são importantes algumas ações: evitar a hipertensão, a obesidade e o diabetes; não fumar nem beber bebidas alcoólicas; evitar qualquer atividade que leve a pancadas na cabeça; manter atividade física regular; procurar lugares com menos poluição e evitar ser fumante passivo; prover educação para nossas crianças e jovens e evitar qualquer coisa que leve ao risco de perda da audição e, caso ocorra perda, tratá-la adequadamente.

Rede de apoio da família

Qual é a importância de uma rede de apoio a doentes do Mal de Alzheimer, especialmente no ambiente familiar?

A Doença de Alzheimer não afeta apenas o doente, mas todos na família. O tratamento precisa ser feito por uma equipe multidisciplinar que vai tratar e orientar não somente o paciente, mas quem cuida dele também. Os grandes centros já possuem locais onde há avaliação e suporte dos pacientes e famílias. Além disso, existem grupos de suporte em muitas cidades, onde cuidadores podem, portanto, encontrar a empatia de outros que já passaram ou passam pela mesma situação. A ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer) é uma instituição que provê muitas dessas informações e pode ser encontrada no site abraz.org.br.

Em relação a diagnóstico e tratamento, há algum tempo tem-se falado sobre uma possível vacina e, também, a respeito de exame de sangue, que poderia detectar com maior rapidez a enfermidade. O que se sabe, de maneira concreta, sobre a eficiência e desenvolvimento destes passos?

Hoje, o diagnóstico é feito de forma indireta por meio do exame clínico do médico, geralmente um neurologista, acrescido de alguns exames de imagem que irão corroborar ou não a suspeita. Os estudos sobre um novo método de diagnóstico, na forma de um exame de sangue, estão em fase avançada, porém dependem muito de conseguirem tornar o exame mais acessível do ponto de vista técnico e financeiro.

O tratamento com uma vacina procura evitar o acúmulo das substâncias tóxicas que levam à morte dos neurônios na Doença de Alzheimer. Os estudos relativos à vacina, no entanto, estão em um estágio menos avançado que o exame de diagnóstico. Provavelmente, a vacina, caso se concretize, vai demorar um pouco mais.

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