Notícias Adventistas

Mais de 2.600 recuperados da Covid-19 em instituições adventistas

Dados de pacientes recuperados se referem ao primeiro semestre de 2021 e são relativos a unidades hospitalares de oito países sul-americanos.

Por Felipe Lemos 20 de agosto de 2021

Momento de vibração quando paciente recebe alta. (Foto: Jessica Santos)

Os 23 dias em coma foram apenas uma parte de um doloroso processo pelo qual Ezequias Guimarães, 56 anos, de São José dos Campos (SP), passou por conta da contaminação pela Covid-19. Do início de dezembro de 2020 até fevereiro de 2021, ele passou muito perto da morte. Os primeiros sintomas como falta de ar, febre, perda do olfato e do paladar derivaram para um quadro grave, e que deixou sequelas até hoje, em um tratamento que continua sendo realizado.

Situação semelhante viveu o professor universitário argentino, René Smith, de 75 anos. Por mais de 70 dias, permaneceu internado em unidade de terapia intensiva. Chegou a ser intubado e, também, viveu um longo período de coma. Por três vezes, praticamente foi considerado morto. “Chegaram a perguntar se deveriam desligar os aparelhos”, relembra.

Um levantamento feito pela Rede Adventista de Saúde na América do Sul mostra que de janeiro a junho de 2021, 3.446 pacientes foram internados em suas unidades hospitalares por conta da Covid-19  Neste mesmo período, 2.679 conseguiram se recuperar da doença e puderam retomar a vida.

Drama em São Paulo 

Por trás da história destes sobreviventes, e dos números, há um elemento pouco ressaltado. Ambos, Ezequias e René, foram atendidos em unidades da rede hospitalar adventista sul-americana. Guimarães afirma que passou a se sentir mal no início de dezembro e foi, inicialmente, levado a uma unidade na cidade de Jacareí, em São Paulo, onde mora. O estado de saúde piorou, o que obrigou sua remoção até o Hospital Adventista de São Paulo (HASP).

O pastor experimentou tudo o que de mais agressivo a doença acarreta. Chegou a ficar com saturação em 64% e passou pela UTI por quase 50 dias. Adquiriu infecção viral, bacteriana e por fungo. Ele afirma que foi o primeiro paciente da instituição adventista em São Paulo a fazer diálise 24 horas por dia. Uma verdadeira luta pela vida.

“Eu até hoje me pergunto como escapei. Sou muito agradecido a Deus por tudo o que fez por mim. Eu penso mais no que ganhei neste tempo todo e não no que perdi”, assegura.

Aflição na Argentina 

Na região de Libertador San Martín, interior da Argentina, o professor Smith viveu seu pesadelo particular bem antes. Ainda em março de 2020, no início do anúncio da pandemia ao mundo, o educador desenvolveu os principais sintomas da doença após uma viagem pela Europa.

Foi no sexto dia de febre e dores que se dirigiu ao Sanatorio Adventista del Plata (SAP). E de lá não saiu tão cedo. Smith lembra que, pelo menos em três momentos, não parecia haver recursos disponíveis para seguir vivo. “Eu estive totalmente nas mãos de Deus”, ressalta com emoção.

Trabalho reconhecido 

Tanto Guimarães quanto o professor argentino reconhecem a importância da estrutura de uma rede hospitalar que os recebeu neste momento desafiador. E que serviu de amparo a familiares que, com profunda ansiedade, aguardavam notícias sobre recuperação. Ezequias Guimarães considera maravilhosa a forma como foram tratados ele, sua esposa e filhas que acompanharam todo o processo pela instituição de saúde. Hoje ele consegue olhar para a frente com otimismo. Mas o processo pós-Covid-19 é demorado e envolve muita paciência. O pastor apresentou sequelas, especialmente em relação a alguns tipos de movimentos, que estão sendo tratadas com fisioterapia e acompanhamento com outros especialistas.

Smith também tenta tocar a vida depois de um longo período internado. Quando saiu do SAP, mal conseguia se mover, mas afirma que está melhorando. Os planos para o futuro envolvem, por exemplo, finalizar um livro sobre ética pela perspectiva adventista para ser publicado.

Novos e difíceis desafios hospitalares 

Por trás destas histórias emblemáticas de recuperação estão instituições com enormes desafios. Imagine que, de uma hora para a outra, equipes administrativas, financeiras, e de enfermeiros e médicos trocam uma intensa rotina por uma realidade praticamente de guerra. O diretor clínico do HASP, o infectologista Dorival Duarte, confirma que este foi o maior desafio enfrentado pela instituição, que possui 860 funcionários.

O esforço para atender a esta incomparável situação de emergência envolveu diversas ações. Foi o caso da criação de novas unidades de terapia intensiva (alguns centros cirúrgicos se transformaram em UTIs), uma estratégia para enfrentar aumento de preços de equipamentos de proteção individual (os famosos EPIs), bem como os próprios medicamentos. “Nós chegamos a ter até 110% de ocupação por várias semanas. E, em todo este processo, tivemos o desafio adicional pelo fato de as famílias terem de ficar longe de seus queridos por conta da alta transmissibilidade da doença. Tudo isso foi uma gigantesca prova”, destaca Duarte.

Muitos protocolos, muitos ajustes  

No Paraguai, o Sanatorio Adventista de Assunção (SAA), com 284 funcionários, na capital do país, registrou o primeiro caso de internação no dia 10 de março de 2020. O médico Alexis Oleynik, diretor médico da instituição, lembra deste dia ainda assustado. “De uma hora para a outra, tivemos de criar estratégias, acionar um comitê de crises, pensar na duplicação da área de atendimento, internação e estabelecer novos fluxos para várias atividades”, recorda.

Por quatro meses, as unidades de terapia intensiva do hospital paraguaio ficaram totalmente ocupadas. Foi necessária a adaptação de muitos locais para receber pacientes que chegavam rapidamente e, em grande quantidade, à unidade hospitalar. Olenyk lembra, também, da crise da falta de oxigênio (que ocorreu em vários lugares, inclusive no Brasil) para os pacientes. E reforça a importância do SAA fazer parte de uma rede maior hospitalar. “Para nós, foi muito importante integrar esta rede que, em uma ação conjunta, conseguiu nos ajudar com rapidez em momentos muito difíceis”, explica.

Para o diretor de Rede Adventista de Saúde, Sérgio Reis, a pandemia proporcionou aprendizados importantes. Um dos legados, na sua avaliação, foi o da necessidade de um estilo de vida diferenciado e saudável no decorrer da vida. “Com certeza, em algum momento este estilo fará absolutamente toda a diferença entre a vida é a morte”, comenta.

Para Reis há, ainda, o aprendizado institucional. “O fato de a Igreja Adventista ter uma rede de hospitais foi a oportunidade de testemunhar ao mundo de maneira poderosa, dos cuidados especiais de Deus para com a Sua igreja”, arrematou.

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox