Notícias Adventistas

Cigarros eletrônicos podem causar sérios danos pulmonares

Segundo especialista, eles ainda podem ser a porta de entrada para o uso do cigarro comum.

Por Janelle Ringer, departamento de Saúde da Universidade de Loma Linda 9 de outubro de 2018

Equipamentos podem levar à dependência do tabaco (Foto: Adventist Review)

O rápido aumento do uso de cigarros eletrônicos por adolescentes fez com que a Food and Drug Administration (FDA), agência federal dos Estados Unidos responsável pela proteção e promoção da saúde pública, considerasse proibir a venda de aparelhos a menores, manifestando a preocupação de segurança para os jovens usuários.

Ainda é necessário realizar pesquisas para entender melhor os efeitos adversos que esses dispositivos exercem sobre o corpo, mas muitos estudos já demonstraram inúmeros riscos de saúde em longo prazo que podem ser evitados.

Leia também:

Mais de mil empresas envolvidas na venda de cigarros eletrônicos nos Estados Unidos começaram a receber cartas de advertência da FDA alertando-as a parar de vender para menores, uma medida que pretende impedir o que o órgão está chamando de epidemia.

O que são cigarros eletrônicos?

Os cigarros eletrônicos, conhecidos também como e-cigarros, são dispositivos movidos a bateria que produzem um aerossol ao aquecer um líquido que normalmente contém nicotina – a droga viciante em cigarros comuns, charutos e outros produtos de tabaco, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Esta epidemia tem o potencial de causar sérios problemas de saúde para usuários jovens e adultos, diz o pneumologista e dermatologista da Universidade de Loma Linda, Laren Tan.

“Os danos causados pelos cigarros eletrônicos, tanto em menores quanto em adultos, podem representar riscos à saúde que podem causar danos em longo prazo”, afirma Tan.

Os cigarros eletrônicos vêm em muitos formatos. Alguns se assemelham a cigarros de tabaco tradicionais e alguns imitam itens do cotidiano, como canetas ou pen drives. “Estes dispositivos não são regulamentados, por isso não se sabe se o tamanho do dispositivo afeta muito o grau de vapor consumido”, explica Tan.

A evidência

Devido a essa falta de regulamentação e por ser relativamente novo no mercado – teve início em 2006 na Europa e em 2007 nos Estados Unidos – Tan pontua que a evidência conclusiva necessária ainda está sendo coletada, já que há uma escassez de informações sobre os dispositivos. “Embora os dados sobre os danos ainda estejam disponíveis em muitas pesquisas independentes, alguns usuários acreditam que os cigarros eletrônicos não são tão prejudiciais quanto os comuns. No entanto, eles não são nada saudáveis para os pulmões”, sublinha o pneumologista.

“Geralmente, o que torna o consumo prejudicial para a juventude é a nicotina”, comenta Tan. “O que sabemos, e o que vários estudos mostraram, é que a nicotina em menores prejudica o desenvolvimento do cérebro.”

O marketing desses sistemas de fornecimento de nicotina é frequentemente visto como direcionado a um grupo demográfico mais jovem, com sabores como chiclete ou algodão-doce. Embora os sabores não sejam uma ameaça ao serem ingeridos, a inalação pode ter efeitos adversos.

“Sabemos que certos sabores de cigarros eletrônicos contêm diacetil, um produto químico ligado a uma doença pulmonar grave. A inalação de diacetil causa inflamação, irritação e pode levar a danos pulmonares permanentes ”, avalia o médico.

Uma publicação recente dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças observou que o componente metálico necessário para o funcionamento dos cigarros eletrônicos, que aquece o líquido e muda para um estado de vapor, libera pequenas partículas de metal junto com o vapor. Essas partículas são geralmente de metais pesados, como níquel, estanho ou chumbo. Quando inalados, esses metais danificam o tecido pulmonar e diminuem a resistência natural do corpo a infecções e cânceres.

Uma porta de entrada para o cigarro comum

O uso de vaporizadores pode ser uma porta de entrada para os adolescentes começarem a fumar cigarros comuns, dizem funcionários da Sociedade Torácica Americana. Além disso, aqueles que se iniciam no vício da nicotina com esses dispositivos são mais propensos a usar outros produtos do tabaco.

Segundo Tan, quase 10% de seus pacientes chegam dizendo que são fumantes de cigarro eletrônico. “Esses pacientes apresentam falta de ar, tosse e chiado no peito. Alguns deles já têm doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) subjacente, asma ou outra condição respiratória crônica”, afirma.

Ele ainda comenta que aqueles que têm tosse persistente, que têm maior produção de muco ou problemas respiratórios, podem estar mostrando sinais de lesão pulmonar.

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox