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Uma porta aberta

A visita inesperada de um colportor mudou a vida de um casal que queria aprender mais sobre a Bíblia.

Por Jefferson Paradello 28 de abril de 2019

Barroso (centro) entre o casal que conheceu mais sobre Cristo a partir da venda de livros (Foto: Gustavo Leighton)

Era final de tarde na cidade de Villa Dolores, em Córdoba, na Argentina, quando o funcionário público Walter Manzado percebeu que alguém batia palmas em frente à sua casa. Ao sair, se deparou com um homem que não conhecia, mas dizia ter algo a oferecer a ele. A conversa iniciada no portão foi transferida para o interior da residência, onde estava Alejandra, a esposa.

Naquela terça-feira, decidiram ouvir o que o desconhecido tinha a compartilhar. O senhor de meia idade começou a retirar exemplares de livros de uma maleta e, aos poucos, explicou a proposta de cada um deles. O primeiro era sobre saúde. Atentos, ouviram as estatísticas das doenças que atualmente afetam milhões de pessoas em todo o mundo, como a depressão. “Isso teve um impacto muito grande em nós, porque temos esse tipo de enfermidade em nossas famílias”, ressalta Manzano.  

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Àquela altura, o casal já vinha mudando seu estilo de vida e estava em busca de novas informações, o que despertou seu interesse pelas páginas à sua frente.

Casados há dois anos, tinham em uma das paredes da moradia um quadro que revelava sua crença em Deus, o que captou a atenção do visitante. Percebendo ser propício, o homem lhes apresentou obras de natureza religiosa, o que foi suficiente para que a conversa fosse direcionada para esse tema, amplamente discutido até o início da noite. Ao despedirem-se, uma coleção de livros ficou em posse dos dois jovens.

Um ministério, uma missão

Aquele não fora um dia fácil para Héctor Barroso, de 55 anos. Antes de chegar à casa de Walter e Alejandra naquela tarde quente, havia visitado outras quatro famílias, mas sem alcançar o êxito que esperava. Desde que desistiu de pintar casas para ser um colportor evangelista, é assim que, há 14 anos, ele tem garantido o sustento de sua esposa e de seus filhos. Hoje, ele se dedica a levar mudança de vida física, mental e espiritual impressa em papel pelos lugares por onde passa.

Após abraçar esse ministério – e não uma profissão – como ressalta, já mudou de endereço 17 vezes. Com um sorriso, ele garante que ao analisar os benefícios que compartilha com as pessoas com quem se encontra, isso é apenas um detalhe.  

Mas aquele primeiro contato com o casal deixou uma porta aberta. Passados 15 dias, Barroso visitou um vizinho que morava em frente à casa dos Manzado. Ao sair dali, percebeu que eles estavam no quintal e os cumprimentou. Uma nova conversa teve início, até que chegaram ao tema das profecias bíblica, que visivelmente atraía Walter. “Ele estava muito curioso”, relembra o colportor, que decidiu oferecer um estudo bíblico sobre o Apocalipse.

Embora fossem membros de uma denominação religiosa, aceitaram seguir em frente para compreender sobre os pontos que desconheciam. “Os estudos foram surpreendentes”, refere-se o esposo em relação às simbologias encontradas no último livro da Bíblia. “Muitas dessas coisas foram moldando nossa vida. O sábado foi o tema que mais nos impactou.”

O impacto foi tal que perceberam que era necessário mudar sua rotina: deixar de trabalhar, fazer as compras para a casa e abrir mão das atividades esportivas que eram realizadas nesse dia. Uma tarefa fácil? De modo algum, frisam. Semelhantemente, aprender sobre conceitos que se chocavam com o que conheciam também trouxe reflexos para o dia a dia.

“Eu não ficava tranquilo. Às vezes não conseguia dormir à noite, pensando nos estudos”, sublinha Manzado. Questionador, ele não era convencido logo de início. Ia até a internet e pesquisava em livros para entender mais. Alguns dos temas, depois de apresentados por Barroso, geravam conflitos e desacordos entre o casal.

Base bíblica

E foi a consistência dos fatos e argumentos sustentados pela Igreja Adventista que os levou a dar um passo em direção à mudança: o batismo, que ocorreu durante o II Concílio sul-americano de Colportores Evangelistas, realizado em Foz do Iguaçu, interior do Paraná. A demonstração pública foi uma maneira de mostrar aos mais de 2.400 participantes os resultados que podem ser gerados a partir dos livros.

O que querem, agora, é trabalhar para que outras pessoas também conheçam essa mesma mensagem. É por isso que estão envolvidos na visitação de pessoas encarceradas e planejam trabalhar com jovens, para que também tenham uma comunhão íntima com Deus. Hoje, a vida deles é um testemunho. “Nossos familiares e amigos perceberam a diferença e contamos por que decidimos mudar”, ressalta Alejandra.

Hector, o colportor evangelista que não desistiu de bater em uma porta que se encontrava fechada, quer continuar a fazer o que já faz parte de sua rotina: dar estudos bíblicos para seus clientes. Walter e sua esposa entraram para a lista de pessoas para quem ele apresentou Cristo – seja pela primeira vez ou de forma profunda, como a Bíblia apresenta.

Com a decisão do casal, ele calcula que 51 pessoas já foram batizadas após receber ele e sua esposa – que sempre o acompanha – para aprenderem mais sobre os conteúdos bíblicos. Seu desejo, diz, é o mesmo de quando trocou os pincéis por livros: “Quero salvar uma pessoa mais.”

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