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Curso prepara jovens para colportagem de férias

Três cidades do interior do Rio Grande do Sul recebem os jovens até meados de fevereiro. Através da venda de livros eles custeiam os estudos.


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Três cidades do interior do RS recebem os estudantes até meados de fevereiiro

Três cidades do interior do RS recebem os estudantes até meados de fevereiro

Taquara, RS... [ASN] Luana Cerqueira, de 16 anos, deixou a família no interior da Bahia, em plena época festiva do Natal. Ela deseja cursar o último ano do ensino médio em um internato adventista, e em seguida prestar vestibular para Nutrição.

Por isso, ela se juntou a cerca de 160 jovens que desembarcaram no Rio Grande do Sul para batalharem por um sonho: adquirir recursos para iniciar ou dar continuidade aos estudos através da venda de livros. O trabalho eles conheceram durante um treinamento.

Todos se encontraram no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), entre os dias 23 e 25 de dezembro, para participarem do Cursão promovido pelo Ministério da Colportagem. Terminado o curso, eles seguiram para as cidades de Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Passo Fundo, onde trabalham até meados de fevereiro. Eles são recrutados nos colégios e igrejas de todo o país.

O número de participantes do curso de capacitação aumentou cerca de 20% neste ano, mas a quantidade de jovens envolvidos na colportagem gaúcha nestas férias já é 70% maior. Isto porque há muitos veteranos que seguem direto para as cidades onde se instalam nas chamadas campanhas, que são as casas que abrigam os colportores.

Mas há aqueles que são veteranos e não abrem mão de participar do curso e nem da colportagem. Pamella Regina de Souza Damasceno acaba de se formar em Publicidade e recusou algumas propostas de trabalho para colportar. Ela fez esta escolha porque se sente atendendo ao chamado de ser missionária.

Desta vez a Pamella faz parte da liderança de uma equipe e dará continuidade ao acompanhamento e treinamento dos demais jovens, tendo como principal ferramenta de ensino a sua própria experiência. Embora os pais dela tivessem condições de custear seus estudos, foi a com a venda de livros que ela pagou toda a faculdade. “Na primeira campanha eu fui mal, mas eu não desisti. Eu sei que além de todo o ganho financeiro, a colportagem possibilita atuar diretamente na salvação de pessoas”, explica.

O encontro reservou dias para palestras e também para lazer e integração dos jovens. Entre os palestrantes, estava o pastor Hélio Machado, que lidera o Ministério da Colportagem no Sul do país. Segundo ele, o jovem que participa desta experiência sai na frente por estar mais preparado para a vida, pois encontra desafios constantes. “A colportagem não é um comércio, e sim a arte cristã de vender”, salienta.

Além do pastor Hélio, palestraram os líderes de Publicações da região, e o pastor jubilado Antenor Macedo, que iniciou sua vida na colportagem em 1967, no estado de Mato Grosso, e durante 13 anos figurou entre os três melhores colportores do ranking.

*Conheça um pouco mais desta história abaixo.

Além dos líderes das três campanhas, os jovens terão seu desempenho acompanhado de perto pelo pastor Jefferson Queiroz, responsável pelo curso e pela colportagem estudantil no estado.

Uma vida de sucesso na colportagem

Era 1967, ele tinha cerca de 18 anos, ouvia pelo rádio o programa A Voz da Profecia e decidiu solicitar estudos bíblicos. A vida de Antenor Macedo e de toda a sua família mudaria dali em diante. Logo receberam a visita de um representante do programa, que na verdade era um pastor adventista.

Pouco tempo depois recebeu uma carta convidando para ir a Campo Grande, e ali participou de um recrutamento e curso para colportores. Foi designado para trabalhar em um bairro pobre da cidade, vendendo livros Vida de Jesus. “Eu não tinha a opção de desistir, e também não queria voltar para a colônia como um derrotado. Eu tinha o sonho de estudar”, lembra. Depois de algumas investidas malsucedidas, decidiu apresentar o livro ao administrador de um cemitério. Naquele dia vendeu 28 livros para os coveiros, e dali em diante nunca mais pensou em desistir.

Atuou em algumas cidades, até que em uma delas conheceu Maria, hoje sua esposa. Os recursos advindos da venda de livros possibilitaram a compra de casas, carros e terrenos; além de oferecer a oportunidade de estudar, que era seu grande sonho. Foi assim que iniciou a faculdade de Teologia, sempre colportando nas férias. Na primeira alcançou dois estipêndios - que é o valor referente ao custeio da despesa anual dos estudos – e o número foi aumentando, chegando a lucrar o referente a 28 estipêndios em 15 dias de trabalho, quando atuou no Acre.

“Eu acho que estes cursos são importantíssimos, não só para saber vender. Por exemplo eu tive a oportunidade de assistir aqui uma palestra sobre finanças, e isso é muito importante. Se tivesse aprendido isso, talvez eu tivesse errado menos, porque naquela época a colportagem não era tão desenvolvida”, relata o pastor, afirmando que sempre aprende.

Há três anos o pastor Antenor encerrou oficialmente seu ministério, mas se sente ligado a colportagem intimamente, sonhando, inclusive, em voltar a atuar junto com a irmã apenas pelo prazer de vender e pregar. “Sempre há um vazio na alma e se o colportor souber explorar isso com a convicção de que os livros trazem as respostas para estes questionamentos, ele vai ter sucesso”, ensina. Para ele, a primeira habilidade que os colportores precisam desenvolver é saber escutar, e entender os anseios dos clientes em potencial, usando a mesma técnica de Jesus, que se misturava às pessoas e atendia às suas necessidades. Como último conselho, ele diz que os colportores nunca devem esquecer de orar com seus clientes.

[Equipe ASN]