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Trabalho voluntário na Índia impacta vida de jovem carioca

Isabella França e França trabalhou como voluntária em Patna, nordeste da Índia.

21 de fevereiro de 2018

Por Douglas Pessoa

Voluntários são recepcionados por adventistas indianos em Nova Délhi.
Foto: Isabella França e França

Dedicar as férias em um trabalho voluntário fora do Brasil sempre foi um grande objetivo na vida de Isabella França e França. A jovem, que vive no Rio de Janeiro e atualmente atua como designer de interiores, teve a oportunidade de realizar esse sonho nas férias de janeiro desse ano. Juntamente com um grupo de missionários ela passou 15 dias fazendo trabalho voluntário na Índia. Um país asiático marcado pela desigualdade e por um sistema social que mantém milhões na pobreza.

Apesar de ser a primeira vez participando de um projeto assim, Isabella mostra como o desejo em ajudar o próximo sempre foi uma coisa muito viva na mente. “Desde pequena eu sempre fui muito envolvida em projetos sociais da Igreja como Mutirão de Natal, Encontros de Jovens e outros. Inclusive, há alguns anos, eu tenho participado de um projeto evangelístico contextualizado para o público carioca chamado ‘Um Lugar para Você’. Eu acho que quando você começa a se envolver com essas coisas, Deus vai abrindo seus olhos para outras oportunidades dentro do contexto da Missão”, contextualiza.

Esse desenvolvimento relatado por Isabella foi o caminho que mostrou para ela a oportunidade de trabalhar no país asiático. Dentro do projeto “Um Lugar para Você”, que faz parte de uma iniciativa do escritório que administra a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) no Rio de Janeiro, ela assistiu a um seminário sobre missiologia urbana e tomou conhecimento do projeto. “A decisão de ir pra Índia veio como uma resposta natural de um chamado que já vinha acontecendo há muitos anos na minha vida”, afirma. Apesar da força de vontade, algumas incertezas surgiram antes de tomar a decisão definitiva sobre a viagem. “Eu tive certeza que precisava participar, mas muitas inseguranças e dúvidas surgiram”, conta. Isabella começou a se questionar se teria capacidade e recursos para essa empreitada. Mas a maneira como as coisas foram acontecendo, segundo ela, guiadas por Deus, mostrou que estava fazendo a escolha certa e que a conclusão de tudo seria mais que satisfatória. “Aos poucos Deus foi abrindo as portas e mostrando que quando ele chama, ele capacita”, pontua.

Voluntários brasileiros sendo recepcionados em Patna, nordeste da Índia.
Foto: Isabella França e França.

A Missão, organizada pelo Núcleo de Missões do Centro Universitário Adventista de São Paulo em parceria com o escritório adventista no Rio, aconteceu entre os dias 16 e 27 de janeiro deste ano. Os voluntários se dividiram em voos diferentes e se encontram em Nova Délhi, capital indiana. De lá eles partiram para a Patna, uma cidade com mais de um milhão de habitantes nas margens do rio Gânges e que só possui a presença de 15 adventistas. Durante os dias de trabalho os missionários fizeram diversos trabalhos e receberam amplo apoio dos líderes e fiéis de igrejas indianas de outras regiões do país. “Nós ajudamos a reformar uma escola e também fizemos uma Feira de Saúde”, relata. Isabella também conta que entre as dificuldades enfrentadas a maior estava na barreira linguística. “A Índia é um país muito diverso e com inúmeros idiomas e dialetos. Boa parte do pessoal que nos recebeu fala hindi, uma das línguas oficiais do país. Mas essa não é a língua mais usada em Patna. A população carente, por exemplo, geralmete não fala inglês e pouco se comunica em hindi. Foi um desafio muito grande nesse ponto de vista, mas isso não impediu o nosso trabalho”, ressalta.

Esse e outros desafios ajudaram Isabella a ter certeza de que o trabalho que estava desempenhando era a vontade de Deus. Segundo ela, o mais importante para que um voluntariado missionário como esse seja bem sucedido é ter a consciência de que é um processo de aprendizado guiado por Deus. “Quando você entra em contato com uma cultura diferente é preciso, entre outras palavras, voltar a ser criança, aprender a viver como eles vivem e ver o mundo como eles exergam. A gente também precisa entender como evangelho pode salvá-los dentro da cultura deles. Ao mesmo tempo, você nunca está sozinho nessa jornada porque Deus inspira seus companheiros de missão a te ajudarem nesse aprendizado. Afinal, a missão é dEle e não nossa”, enfatiza. Dendo essa conclusão em mente, Isabella acredita que a viagem para a Ásia impactou profundamente sua vida espiritual. “Para participar de uma missão assim faz você ter uma visão diferente de Deus e notar em como é possível fazer o bem mesmo que as condições não pareçam favoráveis”, pensa.

Panorama

Escola reformada or voluntários em Patna.
Foto: Isabella França e França.

Com um milhão e 500 mil de adventistas espalhados entre mais de um bilhão de pessoas, a Índia é um dos países com maior número de fiéis da igreja, mas ao mesmo tempo é pouco evangelizada. Segundo levantamento da ONU, mais de 35 cidades indianas têm mais de um milhão de habitantes. As três maiores, Mumbai, Deli e Calcutá, têm mais de dez milhões de moradores. Mesmo assim, 70% dos indianos vivem em áreas rurais. No panorama religioso o cenário é ainda mais oposto ao ocidente. 80% da população se declara seguidora do hinduísmo, religião politeísta milenar oriunda da própria região. Outras religiões com forte presença no país são o budismo e o sikhismo. Apenas quarto por cento dos moradores declaram ser seguidores de algum ramo do Cristianismo.

 

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