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Psicólogas se unem para ação voluntária de escuta ativa a pessoas afetadas pelo coronavírus

Por Heron Santana 29 de abril de 2020

O trabalho voluntário de escuta ativa permitiu à psicóloga Romilda Cardoso cumprir o juramento de servir a comunidade com sua profissão.

Quando escolheu a profissão que definiria sua carreira, a psicóloga Romilda de Souza Cardoso, moradora no município de Filadélfia, BA, a 355 km de Salvador, fez dois votos. Um deles foi servir a comunidade em qualquer situação de emergência, em que houvesse pessoas sofrendo desequilíbrio físico emocional.

Com a pandemia do coronavírus, o juramento se transformou em muito trabalho. A psicóloga é uma das voluntárias do projeto Ouvido Amigo, iniciativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia para ajudar pessoas afetadas pela atual crise econômica, social e sanitária a restaurar a esperança por meio de um trabalho de escuta ativa. Nos Estados da Bahia e de Sergipe, 44 profissionais se cadastraram para o serviço voluntário. Na primeira semana, 144 pessoas foram atendidas.

O projeto é coordenado em todo o País pelo Ministério da Mulher, departamento da Igreja. “O projeto oferece uma oportunidade de ajuda para alívio emocional e espiritual em favor daquelas pessoas que precisam compartilhar e expressar suas angústias e ansiedades, precisando ser acolhidas nesta necessidade por meio de uma abordagem que busca ouvir e aconselhar, de forma isenta, com base na Palavra de Deus”, disse Marília Dantas, líder do Ministério da Mulher para Bahia e Sergipe.

“Estamos diante de nossa finitude, com perdas econômicas, sociais, emocionais, de vínculo”, afirmou a psicóloga Romilda Cardoso, ao analisar o atendimento que teve a oportunidade de fazer até agora. Para ela, diante de uma situação bem adversa, a escuta técnica ajuda pessoas a enxergar possibilidades de recomeço. Com o atendimento, “existe a possibilidade de acolhimento, de falar deste contexto atual, de ressignificar, redefinir o discurso de sua história de vida”, declarou.

Para a psicóloga Jucyellen Batista, a ação voluntária pode beneficiar desde familiares acometidos pela doença, profissionais na linha de frente e qualquer pessoa que teve a rotina alterada pela nova realidade.

Outra profissional que vem sendo impactada pelo atendimento voluntário é a psicóloga Jucyellen Batista. Para ela, as mudanças impostas e medidas de prevenção determinadas por conta do contágio intensificaram a ansiedade das pessoas, que podem desenvolver até mesmo outras patologias psicológicas. “É necessário o auxílio do atendimento psicológico, tanto a familiares acometidos pela doença quanto a profissionais na linha de frente, bem como outras pessoas que tiveram sua rotina modificada e precisaram se ambientalizar nessa nova situação”, disse.

Para Jucyellen, o projeto é oportunidade de ajudar a partir do exercício de sua profissão, seguindo um padrão ético comum ao Cristianismo. “O fundamento do líder máximo, Jesus Cristo, foi dar a vida como ato voluntário. E ato voluntário é a doação ao próximo, seja em tempo, recursos financeiros, dentre outros”, concluiu.

Como funciona

Nos Estados da Bahia e de Sergipe, o Projeto Ouvido Amigo começa com uma abordagem prática seletiva: as coordenadoras distritais do Ministério da Mulher levantam, nas comunidades, nomes de pessoas com necessidade de escuta. A líder do departamento da sede administrativa regional  faz a triagem e encaminha as pessoas para atendimento, conforme o perfil do profissional. O profissional voluntário chamará conforme a disponibilidade.

Algumas regras são estabelecidas, antes do encaminhamento ao profissional: A força tarefa atende especificamente pessoas durante a atual situação de crise. O atendimento é feito na modalidade online e são disponibilizados até três atendimentos. As plataformas de atendimento serão definidas entre paciente e terapeuta, conforme o que melhor se adequar para ambos.

“O foco será diminuir a ansiedade através de estratégias cognitivas e comportamentais. Não será um atendimento psicológico e sim, um aconselhamento profissional com o intuito de ensinar habilidades para redução de danos”, observou Marília Dantas.

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