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Projeto promove restauração da mata ciliar no Ceará

Mais de 20 mil mudas de espécies nativas já foram plantadas em áreas comprometidas pelo desmatamento

Por Cida Souza

Plantio de mudas visa restaurar a mata ciliar (Foto: Joseph Redfield)

Conforme relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), 54% da população mundial vive em áreas urbanas. Estima-se que, em 2050, essa proporção aumentará para 66%. O desmatamento e o crescimento demográfico nas grandes cidades, de forma desordenada, afetam as matas ciliares.

A mata ciliar é a formação vegetal localizada nos mananciais e serve como proteção contra erosões e assoreamento dos corpos de água. Nas áreas rurais, as matas ciliares são destruídas pelas atividades agrícolas, pecuárias e mineradoras. O Código Florestal Brasileiro determina que a mata ciliar é uma Área de Preservação Permanente (APP) e que deve-se manter intocada.

Apesar disso, essas áreas têm sido degradadas. Com a ausência da mata ciliar, ocorre na natureza o efeito de erosão, os resíduos e o barro são levados para dentro do rio e o solo é danificado. Com isso a vida aquática é prejudicada porque os raios solares não conseguem penetrar com tanta intensidade nos rios e, em virtude do seu aspecto escuro, a água se torna imprópria para o consumo. Além disso, causa inundações e empobrecimento da fauna e flora.

Projeto Plantando Esperança 

Visando restaurar a mata ciliar, o projeto Plantando Esperança consiste no plantio de mudas de espécies nativas às margens do rio. Realizado por voluntários da Igreja Adventista do Sétimo Dia em parceria com organizações, há 10 anos o programa acontece em São Benedito, região serrana do Ceará. No último domingo (10), foi realizada mais um ação de reflorestamento e conscientização na cidade.

A iniciativa surgiu com o  agricultor Armando Freire. Ele sempre quis fazer mais pelo meio ambiente e passou a produzir mudas. “Comecei com pequenos passos, plantando algumas árvores. Fui aos poucos mobilizando a comunidade e consegui apoio. Atualmente, plantamos centenas de mudas em um único dia. Uma vez que as nascentes têm as matas ciliares, elas proporcionarão vida. Nosso objetivo é resgatar as nascentes, fazendo com que elas sejam perenes e não venham a secar. Cada passo que damos com o projeto, é uma sensação de dever cumprido”, enfatiza.

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A atividade acontece em parceria com a Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). “Percebemos o grande desmatamento e as consequências que isso estava trazendo para o rio. Esse projeto veio atender essa demanda. A ideia é trabalhar  com o desenvolvimento, com o agricultor e com voluntários, para que juntos cuidemos do meio ambiente”, salienta o diretor regional da ADRA no Nordeste, Erinaldo Silva.

Outro forte aliado para essa tarefa é o Clube de Desbravadores. “Muitas árvores que plantamos estão em extinção, porque as pessoas só desmatam e não cuidam delas. Precisamos cuidar porque trazem vida”, explica a desbravadora Ana Élen. O secretário adjunto de Infraestrutura e Desenvolvimento do município, Jaime Gomes, já vê bons resultados do projeto. “Está dando certo, já estamos vendo diferença. O açude está mais cheio, se recuperando, se restabelecendo. Apoiamos o Plantando Esperança e almejamos expandir o mesmo em toda a região”, ressalta.

Em São Benedito já foram plantadas mais de 20 mil mudas. No dia 5 de junho foi celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data possibilita a reflexão sobre as consequências das ações humanas na natureza e quais intervenções estão sendo realizadas para combater os impactos ambientais.

 

 

 

 

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