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Igrejas realizam projeto para arrecadar mantimentos e auxiliar famílias necessitadas

Por Fabio Heverton 9 de abril de 2020

Igrejas se mobilizaram em ações de esperança e amor ao próximo (foto: Henrique Rodrigues)

Com a pandemia de coronavírus, outros tipos de vítimas começam a surgir dentro de um contexto que não é desconhecido: a fome. São pessoas assoladas não exatamente pela doença, mas pelo reflexo dela, com a redução dos postos de trabalho e aumento do desemprego. Esta realidade prejudica em especial trabalhadores autônomos, que vêem as poucas possibilidades de renda alternativa escassearem de vez. Dados recentes emitidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que nos últimos 3 anos a fome afetou mais de 821 milhões de pessoas no mundo. A mesma entidade explica que este problema gravíssimo também assola o Brasil, cuja população faminta se aproxima dos 5 milhões.

Foi o que aconteceu com o autônomo Cléber Lima, que obtém o sustento de sua família através da venda de frutas nas feiras de Manaus. Ele conta que com a diminuição do movimento em função do isolamento social, o número de clientes reduziu drasticamente e o dinheiro desapareceu, trazendo consigo a privação dos itens alimentares de primeira necessidade. “Ver meus filhos e esposa pedirem o básico e não ter como prover é desesperador”, afirma o vendedor. Para o pedreiro Daniel Cássio, a triste realidade se repetiu, “os bicos sumiram, não tem como ganhar dinheiro”, declara.

Cientes desta realidade  a Igreja Adventistas do Sétimo dia na América do Sul deu início ao projeto Mutirão de Páscoa. Com o slogan “a ação solidária começa em mim, levando alimento para quem precisa”, os membros foram desafiados a ajudar quem carece de amparo. Atuando nos moldes do já conhecido projeto Mutirão de Natal, o movimento consiste em ações de solidariedade que serão postas em prática de maneira emergencial, visando a distribuição de alimentos, roupas e calçados às pessoas mais afetadas neste período de pandemia do COVID-19. O Mutirão de Páscoa funciona baseado em 3 princípios: Missionário, Estratégico e Legais.  Isso envolve atender e saciar não apenas as necessidades físicas, mas da alma também. Cada beneficiado recebe, além do alimento, uma mensagem de esperança. No âmbito do princípio da legalidade, as ações serão norteadas, no tocante à atuação de líderes eclesiásticos e voluntários em geral, pelas orientações fornecidas pelos governantes e autoridades sanitárias, bem como pelos protocolos adotados pela Igreja Adventista.

Os mantimentos doados foram coletados nas igrejas e escolas adventistas (foto: Henrique Rodrigues)

No Noroeste do Brasil as ações de coleta e distribuição dos donativos serão orquestrados por força-tarefa liderada por diversos departamentos e administradores. No último dia 05/04, as igrejas em parte do Amazonas e em todo o estado de Roraima promoveram o Dia “D” do Mutirão de Páscoa, onde mais de 700 templos estiveram abertos para a coleta de donativos, que além de alimentos, vieram na forma de roupas, calçados e dinheiro.

Para o líder das igrejas para parte do estado do Amazonas e o estado de Roraima, pastor Wiglife Saraiva, esta data será histórica. “Neste dia os templos abriram não para ouvirmos um sermão, mas para que fôssemos o sermão, testemunhando do amor de Cristo para os mais necessitados”. Ele também afirma que a sensibilidade de cada pastor, dos líderes locais e da membresia em geral tem sido vital para o êxito do projeto.

 

Resultados da Ação

Através do comprometimento do envolvidos e da solidariedade da sociedade, as arrecadações já superam 40 toneladas de mantimentos apenas nesta região e centenas de famílias já foram beneficiadas. “As ações não se limitam a um único dia. As arrecadações de donativos vão prosseguir por semanas. Nossos templos, escola e sede administrativa estarão abertos com uma equipe preparada para receber estes gestos de amor ao próximo”, afirma o coordenador das ações neste período, pastor Caio Oliveira.

Os pastores Edivan Oliveira e Marcos Pimentel, que coordenam as ações em Roraima também falam de maneira empolgada sobre o comprometimento dos irmãos e do apoio que empresários e políticos têm dado à causa. “Esta corrente do bem alcançou muitos corações e os resultados podem ser vistos nestas toneladas de amor”, declara Edivan, que ainda ressalta o fato de redes atacadistas permitirem a montagem dos postos de coleta na região. “A demonstração prática de amor por parte da juventude adventista vai além da doação dos alimentos, uma vez que durante cada dia da semana, cerca de 20 jovens doam sangue com o objetivo de salvar vidas, o que tem atraído a atenção das autoridades que se sensibilizam e decidem participar”, afirma Pimentel.

Isaque Harlem é um jovem envolvido com as ações solidárias e veio participar do movimento de arrecadação. “É simplesmente gratificante poder ajudar. Demonstrar amor na prática. Saber que um simples gesto pode fazer enorme diferença na vida de uma família inteira e que nos transmite a sensação de paz”, enfatiza.

O líder de jovens Alan Ferraz diariamente tem organizado equipes de voluntários que, seguindo os protocolos de segurança, montaram postos de coleta de alimentos nos estacionamentos de uma das principais redes de supermercados da capital amazonense. “Nossa abordagem é feita de maneira educada e objetiva e tem sido fantástico perceber que a população responde de maneira positiva. Alguns vieram ao supermercado para suprir suas necessidades particulares, mas entendem que precisam compartilhar com aqueles que mais necessitam e doam com alegria. Onde há movimento do bem, há a presença de um jovem adventista”, comenta.

Solidariedade das pessoas ao doar um pouco dos seus mantimentos para ajudar o próximo (foto: Henrique Rodrigues)

Foi este o sentimento demonstrado pela militar Aldemize Castro ao perceber do que se tratava aquele posto de coleta. Prontamente retirou de seu carrinho de compras alguns itens alimentícios declarando que, mesmo sem conhecer quem seria beneficiado por sua ajuda, tinha plena convicção de que sua ação estaria minimizando o sofrimento de alguém. “Parabéns pela ação que a igreja está desenvolvendo. Que outros repitam o mesmo gesto”, finalizou.

Para a médica pediatra Lia Abbade, a mobilização é algo inspirador. “Nos importamos com o bem estar das pessoas seguindo o exemplo de Cristo. É algo vital e toca o nosso coração. Ãs vezes não temos muito, mas quando unimos forças, percebemos que podemos fazer mais”, afirma.

“Este é o objetivo maior, levar alento e esperança ao coração daqueles que estão ao nosso alcance, fazendo por eles o que Jesus faria se em nosso lugar estivesse”, sentencia a líder das mulheres da região, Euciany Saraiva.

De acordo com o coordenador das ações de solidariedade no noroeste do Brasil, pastor Tiago Ferreira, são atitudes como estas que mostram o amor na prática. “O Mutirão de Páscoa nasceu com o objetivo de atender as necessidades que as famílias brasileiras estão vivenciando. Um movimento como esse expressa compaixão, solidariedade e a Associação Amazonas Roraima está de parabéns pelo engajamento dos pastores, da liderança e de cada membro doando aquilo que cada um pode e assim cumprindo a missão que Jesus nos deixou”. Entre um quilo e outro que recebia das mãos dos doadores, Ferreira também aproveitou para reforçar que precisamos continuar contribuindo enquanto esta crise perdurar. Esta será a atitude da Igreja Adventista em todo o noroeste do Brasil.

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