Notícias Adventistas

Dia Nacional da Adoção: ADRA acolhe crianças órfãs em BH

Agência humanitária adventista mantém seis abrigos para crianças e adolescentes na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

25 de maio de 2015
Levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público  aponta que 30 mil crianças e adolescentes que vivem em abrigos no Brasil

Cerca de 30 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos no Brasil

Belo Horizonte, MG… [ASN] O Dia Nacional da Adoção, vivenciado nesta segunda-feira, 25 de maio, traz à tona a realidade das cerca de 30 mil crianças e adolescentes que vivem em abrigos no Brasil, segundo o último levantamento realizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), divulgado em 2013. Destes, somente 5.661 estão aptos a serem adotados, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Os menores só podem ir para adoção quando são órfãos ou quando as todas possibilidades de reintegração à família de origem foram esgotadas.

Camila* está com 14 anos e mora em abrigos desde os dois anos de idade, quando sua mãe morreu. A adolescente não conhece o pai. Hoje, ela vive em uma das seis Casas de Esperança mantidas em Belo Horizonte (MG) pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA Brasil – Regional Minas Gerais). Na casa, Camila recebe acompanhamento psicológico, educacional e tem a possibilidade de fazer cursos profissionalizantes para ser inserida no mercado de trabalho quando completar 15 anos. Possibilidades que buscam dar caminhos melhores a quem viveu um passado de rejeição. “Eu já fui adotada com meu irmão, mas a pessoa que adotou a gente gostava mais dele, então pedi para voltar [para o abrigo]. Meu irmão está com essa família até hoje e não mais contato com ele”, relata a adolescente.

“No geral a gente faz um trabalho que elas possam ter uma vida melhor. O que a gente sempre fala é que não é porque elas viveram uma vida sofrida que elas têm que continuar sofrendo”, comenta a assistente social Rayssa Abreu, coordenadora da casa onde Camila mora com outras nove adolescentes.

Agência humanitária adventista mantém seis abrigos para crianças e adolescentes na Região Metropolitana de Belo Horizonte

Agência humanitária adventista mantém seis abrigos para crianças e adolescentes na Região Metropolitana de Belo Horizonte

O projeto de acolhimento a menores Casas de Esperança é realizado pela ADRA desde dezembro de 2013, em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte. Juntos, os seis abrigos têm capacidade para acolher 90 crianças e adolescentes. As casas contam com assistentes sociais, psicólogos e educadores. Além de moradia, as crianças e adolescentes recebem acompanhamento médico e participam de cursos e artesanato, música, informática e atividades de lazer.

De acordo com o diretor regional da ADRA Minas Gerais, Noedson Dornelis, além de cuidar das crianças e adolescentes, as Casas de Esperança têm o intuito de transformar a trajetória dos familiares dos acolhidos. “Abrigamos crianças e adolescentes órfãos e outros que estavam ameaçados até mesmo pelos próprios pais. A iniciativa protege esses menores e tenta transformar a vida destas famílias, por meio de orientações e de acompanhamento psicológico e social”, explica Dornelis. Para isso, os organizadores do projeto buscam conhecer a realidade das famílias e viabilizar o retorno das crianças e adolescentes ao lar de origem, desde que os parentes comprovem que restabeleceram a capacidade de cuidar dos menores.

Adolescentes acolhidas podem ser inseridas no mercado de trabalho ao completarem 15 anos

Adolescentes acolhidas podem ser inseridas no mercado de trabalho ao completarem 15 anos

Os esforços realizados pela ADRA para reintegrar o menor a família ou para incentivar a adoção são motivados pelo fato de que, mesmo as crianças tendo as necessidades básicas atendidas, passar a infância longe de uma família pode trazer prejuízos para o desenvolvimento dos menores. É o que constata a psicóloga Karina Alves, que trabalha em uma das casas de acolhimento da ADRA. “Por mais que a gente faça o melhor, [os abrigos] não têm as características de uma família. Às vezes acontece da criança passar de uma fase da vida para outra estando acolhida. Nesses casos, observa-se que algumas questões cognitivas ficam defasadas. E, além de tudo isso, fica o questionamento ‘por que eu estou aqui?’, então isso é trabalhado logo que ela chega [ao abrigo]”, enfatiza a psicóloga.

Quantidade de pretendentes que querem adotar também é grande

O número de interessados em adotar é quase seis vezes maior que o número de crianças e adolescentes aptos para adoção no Brasil. Hoje existem 33.629 pretendentes inscritos no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Para a assistente social Silvana Melo, da Vara Cível da Infância e Juventude de Minas Gerais, o processo se torna lento porque ainda existe uma grande diferença entre o perfil de menor que as famílias procuram para adotar e o perfil dos menores aptos para adoção. “Hoje a gente tem uma incidência maior de famílias que desejam meninas. Ainda se mantém um maior interesse por crianças saudáveis de cor branca ou parda e em geral não aceitam grupos de irmãos. Por isso que existe esta incongruência entre o número de elegíveis a adoção e de famílias interessadas, porque essas crianças elegíveis não têm um perfil compatível com o desejo dessas famílias”, afirma Silvana.

Assista ao vídeo da reportagem:

 

*O nome foi trocado para preservar a identidade da entrevistada

[Equipe ASN, Fernanda Beatriz]

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox