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Clube ensina Libras para interagir com desbravadores surdos

Com três integrantes surdos, Clube Maranata tem interprete de língua de sinais e promove cursos para que crianças e adolescentes aprendam a se comunicar em Libras.

Por Fernanda Beatriz 15 de janeiro de 2019

Kauã, Lucas e Felipe fazem parte dos 9,7 milhões de pessoas que são surdas ou têm deficiência auditiva no Brasil (Foto: Naassom Azevedo)

A alegria dos desbravadores geralmente é expressada de forma sonora. Prova disso são os gritos de guerra, a ordem unida, as bandas marciais e o apito, muito utilizado para captar a atenção dos garotos.

Mas os integrantes do Clube Maranata, de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, estão descobrindo que também é possível se divertir sem os sons. Eles desenvolveram brincadeiras utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para interagir com três colegas surdos que fazem parte do clube. “As mesmas brincadeiras que fazemos em português fazemos com eles em Libras”, garante a desbravadora Maria Eduarda, de 12 anos.

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O clube conta com um líder que é tradutor e intérprete do idioma. Para conseguir se comunicar diretamente com os colegas surdos, as crianças e adolescentes fizeram a especialidade de Língua de Sinais, proposta pelo Manual de Especialidades dos Desbravadores, e participaram de um curso na igreja adventista central de Nova Iguaçu.

O empenho, no entanto, não parou por aí. Nícolas Cavalcante, de 14 anos, também recorreu a aulas de Libras pela internet. “Logo quando eles chegaram no clube, entrei numa aula no YouTube e aprendi o básico, incluindo frases”, detalha.

Um dos desbravadores surdos é Kauã Duarte, de 13 anos, que percebe o interesse dos colegas em aprender o idioma para se comunicar com ele. “Aqui fiz muitos amigos ouvintes que brincam comigo. Eu gosto muito”, comemora.

Instrutor utiliza sinais para passar comandos da ordem unida (Foto: Naassom Azevedo)

A Libras já faz parte da rotina do clube, tanto que, ao ser entrevistado, o ouvinte Kauã Colavitto, de 15 anos, se expressou por meio dos sinais que aprendeu. Desbravador há três anos, ele conhece o alfabeto, algumas palavras e pretende continuar o aprendizado. “Se sentir sozinho é muito ruim, então aprendi a língua deles para ser mais fácil eles serem amigos da gente e ficar todo mundo junto, unido”, comenta Colavitto.

Campori reforçou a importância da comunicação entre surdos e ouvintes

Brincadeiras utilizando a Libras integram desbravadores surdos e ouvintes (Foto: Naassom Azevedo)

A convivência durante os cinco dias da edição Alpha do V Campori Campori Sul-Americano possibilitou aos ouvintes ter mais contato com a Libras. “A gente não aprende uma língua de uma hora para outra. Então, esse processo vai a partir do momento em que eles começam a criar intimidade e interesse pela pessoa com quem querem conversar. O Campori foi muito importante para isso. Eles brincaram juntos e aprenderam mais sobre Jesus juntos”, explica o tradutor e intérprete de língua de sinais Mateus Delmar, que também é conselheiro do Clube Maranata.

No evento, os garotos conheceram outros desbravadores surdos. “Tenho conversado com um chileno que é surdo. A língua de sinais dele é diferente da nossa. Também conhecemos as meninas do Mato Grosso do Sul [que também são surdas]. Foi muito legal”, comenta um dos desbravadores surdos, Lucas Santos, de 15 anos.

Os líderes do clube avaliam que a tradução para Libras realizada durante os programas do Campori promove a valorização da pessoa surda. “Nos sentimos parte do meio ao saber que se preocuparam em colocar alguém para interpretar. É muito bom compreender o que o pastor está falando”, destaca uma das líderes do Clube Maranata, Eliane Maria, que há cinco anos foi diagnosticada com perda auditiva moderada no ouvido esquerdo e moderada severa no direito.

Desbravadores incentivam aprendizado da língua de sinais desde 1970

A especialidade de Língua de Sinais foi incluída no Clube de Desbravadores em 1978. Nela, as crianças e adolescentes precisam aprender as letras e números da língua de sinais do seu país; ter, pelo menos, cinco horas de aulas com um instrutor fluente e pesquisar sobre o funcionamento do sistema de inclusão dos alunos surdos no ensino fundamental.

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