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Centro de Apoio para Familiares de Pessoas Autistas é inaugurado em Porto Alegre

Iniciativa de voluntários adventistas visa ampliar entendimento da sociedade sobre o assunto e dar suporte a famílias.

Por Douglas Pessoa 2 de abril de 2019

Voluntárias querem criar clima de amizade entre pais de pessoas autistas (Foto: Divulgação)

Receber o diagnóstico de autismo em um filho com pouca idade muitas vezes é um choque para pais e familiares. Devido à complexidade dessa condição, que afeta a interação social e a comunicação da pessoa, pode existir uma sensação de insegurança, medo e dificuldade de lidar com a peculiar maneira que cada criança autista tem de reagir aos estímulos sensoriais.

Pensando nisso, membros do templo adventista de Jardim Lindoia, em Porto Alegre, deram início às primeiras atividades do Centro de Apoio para Familiares de Pessoas Autistas, um espaço que busca reunir aqueles que convivem no dia a dia com pessoas nesta condição.

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Divididos em uma sala de reuniões e uma sala de brinquedos com lápis de cor e papel para desenhos, familiares e crianças autistas são atendidos por voluntários que se dedicam a oferecer um ambiente aberto e de companheirismo. O projeto foi criado por Gissele Aguilar com objetivo de fazer as pessoas se sentirem acolhidas na igreja. “Esse espaço era um sonho antigo que nós tínhamos, pois víamos a necessidade dessas famílias e das crianças encontrarem um apoio”, explica.

Ela conta que a ideia surgiu há seis anos, quando seu filho Isaac foi diagnosticado com autismo. Desde então, nunca deixou de imaginar um lugar onde outros pais pudessem compartilhar suas experiências e criar um laço de amizade. “Muitas vezes, os pais e familiares acabam ficando sozinhos, porque muitas pessoas que não possuem filhos com algum transtorno não conseguem compreender toda a essência daquilo que a gente está passando”, contextualiza.

Proximidade

O espaço também está ajudando a unir famílias que frequentam a igreja e outras que nunca haviam estado presentes em um templo adventista. “Aqui somos todos uma família. Nesse lugar elas podem contar suas experiências, seus dramas e, também, as suas vitórias. O importante é eles saberem que aqui podem contar conosco”, acrescenta.

O Centro de Apoio é a concretização do chamado Projeto Incluir, criado pela própria Gissele. A iniciativa também elabora campanhas de conscientização sobre o autismo e ajuda a divulgar informações corretas sobre o tema, pois a falta de conhecimento acaba se tornando um problema ainda maior que o próprio Transtorno do Espectro Autista (TEA), nome oficial adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o assunto.

Centro também conta com espaço para crianças autistas (Foto: Divulgação)

De acordo com Gissele, o Centro de Apoio também promoverá passeios e momentos de lazer com pais e familiares que participam. A ideia é oferecer para eles um momento de recreação, pois os trabalhos e cuidados que eles têm com o filho autista exige boa parte de seu tempo. “A gente fará passeios com eles porque a maioria das famílias nem consegue sair com seus filhos porque muitos locais não estão adequados ou por medo de situações em que precisam estar explicando. Então a gente quer unir todo mundo e fazer eles se sentirem em uma grande família”, almeja.

O casal José e Claudete Cardoso também ajudou Gissele a organizar a colocar esse sonho em realidade. Ele, que é pastor da Igreja Adventista no Jardim Londoia, acredita que esse trabalho também é um dos papeis da denominação na sociedade. “Nós entendemos que a igreja precisa ser um espaço não apenas para cultos, mas que seja um local aberto para a comunidade. Nós percebemos que o autismo não é um tema muito compreendido pela sociedade, mesmo existindo um número grande de pessoas nessa condição. Então, nós vimos isso como uma oportunidade de trazer os pais para dentro da igreja e também dar apoio para eles, porque esse é um assunto bastante delicado”, explica.

Claudete e José também são pais de uma criança autista. Para ela, a presença de outras pessoas na mesma condição no centro é um aprendizado constante. “Na verdade, essa é a parte mais importante. Aqui estamos aprendendo, pois aqui é um grupo de pessoas que se compreende e que se entende. Acredito que esse é um momento muito importante para nós, pais, e para as crianças”, pontua.

O que é Autismo

Segundo a OMS, o Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação e a interação social da pessoa. O autista geralmente apresenta comportamentos restritivos e repetitivos. No entanto, o grau de dificuldade de interação e do próprio autismo em si varia muito de pessoa para pessoa. Existem casos em que não acontece o comprometimento da fala e da inteligência, mas também há casos graves em que as relações interpessoais e a autonomia ficam comprometidas.

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