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Acampantes saem de retiro e distribuem marmitas para venezuelanos

Por Fabrício Gomes 8 de março de 2019

Mais de 5 mil acampantes participaram da Campal do Au Au (Foto: Henrique Rodrigues)

A tradição de se retirar das cidades no período do carnaval é seguida anualmente pelas Igrejas Adventistas do Sétimo Dia no estado de Roraima. Igrejas da capital e norte do estado se reúnem sempre nessa época do ano em um grande acampamento na RR-205, em uma área localizada bem na divisa entre os municípios de Alto Alegre e Boa Vista. Esse grande acampamento é chamado de Campal do Au Au, pois a área de acampamento é banhada por um rio com o mesmo nome. Neste ano, o evento ocorreu do dia 01 a 06 de março, e recebeu mais de 5 mil pessoas, entre adventistas e não adventistas. O organizador da campal e evangelista do estado de Roraima, pastor Marcos Pimentel, explica que os acampantes saem das cidades para se aproximarem de Deus. “Nos dias de acampamento, realizamos inúmeras atividades espirituais e recreativas, para que todos possam chegar ainda mais perto de Cristo Jesus”, pontua.

Foram 6 dias acampados, com atividades que se iniciavam às 5h da manhã com um culto espiritual em meio a natureza, então os horários iam sendo alternados entre atividades recreativas e espirituais até o anoitecer. Houveram palestras sobre saúde, juventude, comunhão com Deus, sempre acompanhado de muito louvor e atividades artísticas. Até mesmo uma corrida de 5 km foi organizada como atividade para os acampantes. A programação contou com a participação da apresentadora da Novo Tempo, Darleide Alves, e do cantor Wesley Fonseca.

As apresentações proporcionaram momentos muito impactantes para os acampantes  (Foto: Reprodução)

Para o jovem universitário, Bruno Bitencourt, cada dia do acampamento foi uma oportunidade única e surpreendente. ” Nesses 6 dias, longe da agitação da cidade, pude vivenciar uma experiência real com Deus”, afirma.

Atividade inovadora e solidária.

Devido ao atual cenário em que o estado de Roraima se encontra, com a expressiva migração de venezuelanos, que em sua maioria acabam se abrigando pelas ruas da cidade, os acampantes do Au Au resolveram sair de suas atividades regulares e fazer algo diferente e solidário. Como lançamento do projeto “Adote”, tema central da Divisão Sul-Americana para o Dia Mundial do Jovem Adventista, os acampantes se propuseram a adotar os refugiados venezuelanos que estavam abrigados nos arredores da rodoviária internacional de Boa Vista, Roraima.

Jovens levando marmitas para a distribuição (Foto: Henrique Rodrigues)

Na última terça, 05, cada igreja preparou sua alimentação em uma quantidade maior para montarem uma certa quantidade de marmitas. Ao todo foram preparadas mais de 500 marmitas, além de panelas que foram enviadas pelas igrejas cheias de comida para serem servidas no momento da distribuição também. Segundo o jovem Abimael Gonçalves, de Alto Alegre, foi uma experiência gratificante poder realizar essa ação junto com outros jovens adventistas. “Ir e poder compartilhar um pouco de alimento, poder dar um sorriso, um abraço, foi uma experiência transformadora pra gente”, ressalta.

O venezuelano Keive Arismende está com sua família no Brasil há um mês e meio e conta que está sendo difícil a situação, mas que com toda a ajuda prestada pela Igreja Adventista as dificuldades estão ficando mais suaves. “Sou muito agradecido por toda a ajuda que estamos recebendo aqui. Não somente pelo alimento, mas pelo carinho, abraço, hoje tem até música, deixa tudo mais agradável”, conta.

ADRA Roraima fez um workshop de como lavar as mãos adequadamente (Foto: Henrique Rodrigues)

A distribuição foi organizada por uma equipe da Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA Roraima), que também levou um workshop para os refugiados de como lavar as mãos adequadamente. Com a assistência do exercito e dos acampantes, os venezuelanos receberam a alimentação e muito carinho de todos os envolvidos na ação. O venezuelano Carlos Franceti está há 7 meses no Brasil e hoje é voluntário da ADRA. Carlos conta que se apaixonou pelo voluntariado, principalmente pelo fato de poder ajudar seus compatriotas venezuelanos onde eles estiverem. “É uma satisfação inexplicável! Desde que eu entrei, dei tudo de mim pra ajudar. Poder ver a felicidade nos rostos do meus irmãos venezuelanos ao receber uma ajuda, por mais simples que seja, ou apenas um “seja bem vindo”, “sinta-se em casa”, para mim foi algo maravilhoso”, afirma.

Veja também: ADRA auxilia comunidade indígena que abriga refugiados venezuelanos

Crianças aguardam a distribuição das refeições (Foto: Henrique Rodrigues)

“A bíblia ensina que é melhor dar do que receber. Essa simples ação vai impactar fortemente a vida, não só que quem vai receber o alimento, mas principalmente de quem vai estar envolvido com a missão. Portanto, os jovens adventistas roraimenses estão envolvidos de coração para doar, não apenas um alimento, mas também para doar mais amor. Queremos que as pessoas vejam Cristo em nossas atitudes”, pontua o pastor Marcos Pimentel.

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