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Servidores da Igreja Adventista realizam voluntariado no Oriente Médio

Além de custearem as passagens para o Líbano, o grupo de 30 brasileiros doou parte das férias para fazer a diferença na comunidade de Bechmizzine.

9 de agosto de 2018

Por Luciene Bonfim

Trabalho voluntário trouxe aprendizado para o grupo de brasileiros, unindo-os no propósito de amar e servir ao próximo

Considerado por muitos anos a Paris do Oriente Médio, podemos dizer que o Líbano é também uma mescla da Suíça, devido as belas paisagens montanhosas que atrai a atenção de milhares de turistas ao redor do mundo. Localizado no extremo leste do Mar Mediterrâneo, em sua costa situam-se Beirute, a capital do país, as cidades de Byblos, Sidon, Trípoli e Tyro.

Reserva florestal “Cedros de Deus”

Famoso por sua alta gastronomia, o Líbano é um país carregado de história, e conta ainda com registros bíblicos sobre a passagem de Cristo pelo local.

Nessa região, também são encontrados os imponentes cedros do Líbano, conhecidos como “Cedros de Deus”, árvore símbolo do país, localizados nas montanhas mais altas da região. A reserva dos cedros costuma atrair a atenção de muitos turistas, isso porque a beleza e qualidade dessas árvores fizeram delas peças fundamentais na construção do templo de Salomão.

Em meio a tanta diversidade, seja ela cultural, gastronômica ou religiosa, a região guarda memórias de um sofrimento não muito distante.

Raouché, ponto turístico da cidade de Beirute, capital do Líbano

Conhecido por suas famosas ruínas, construções milenares e um rico patrimônio histórico e cultural, ainda sim o Líbano carrega as marcas da guerra civil, que podem ser vistas na Escola Adventista de Bechmizzine.

Durante a guerra que atingiu o Líbano entre 1975 a 1990, muitos moradores deixaram suas casas, empregos e famílias para se refugiarem em países vizinhos.

Com isso, a Escola Adventista de Bechmizzine fechou as portas por mais de 20 anos. Após a reconstrução do país, por falta de recursos financeiros, a escola permaneceu fechada por mais de duas décadas.

Escola Adventista de Bechmizzine permaneceu fechada por mais de 20 anos

No entanto, no Brasil uma iniciativa desafiou voluntários a mudarem a realidade dessa escola. Além de custearem a passagem para o Oriente Médio o grupo de 30 pessoas doou parte das férias para reformar a escola de Bechmizzine.

“Quando a gente chegou aqui primeiramente eu vi a escola, e como arquiteta pensei já nessa parte de mudanças – mudanças da sala, mudanças de ambiente, mudança tanto do ambiente interno, quanto externo, isso foi a primeira coisa que eu pensei”, relembra Cristal Brito, voluntária do projeto.

“As grades estavam enferrujadas, as paredes precisavam ser pintadas, então nós chegamos e o nosso primeiro trabalho foi reformar a escola”, comenta a participante Leila Padilha.

E como todo projeto tem os seus desafios, para o grupo de brasileiros voluntários não foi diferente, a começar pela adaptação do fuso horário, clima seco, temperaturas elevadas, línguas diferentes, porém, ainda assim esses fatores não foram empecilho para o grupo, que tinha por objetivo, ajudar  moradores locais, através da revitalização da escola do bairro.

Durante duas semanas projeto social atendeu cerca de 35 crianças refugiadas

Para Dilcelene Cronthal, a receptividade e o afeto com que o grupo de brasileiros foi recebido tocou-a em todos os aspectos. “A gente chega aqui achando que vai encontrar algumas coisas, algumas dificuldades, mas você se depara com um povo extremamente solícito, amável, sedento de afeto de carinho. A universalidade do amor quando você se doa com afeto, com solidariedade, é uma linguagem universal que independente de qualquer língua, ela transpõe qualquer barreira”, ressalta a voluntária

Com o passar dos dias, a Escola Adventista, que havia sido pintada internamente por voluntários anteriores, começou a ganhar formas e cores na parte externa. “Demos uma melhorada na escola em relação à pintura dela, fizemos a parte do Playground das crianças, a quadra de esportes, fizemos a parte da entrada da escola pra dar um ambiente melhor”, pontua o diretor financeiro da Igreja Adventista na região central do Paraná, Ilton Hubner.

“Sempre que a gente sai para oferecer algo a outra pessoa, nós crescemos, nós aprendemos, nós mudamos para entender que a vida não é essa vida que a gente tem no nosso país de origem, tem muitas formas diferentes”, analisa o gerente de projetos, Iago Alonso.

Contação de histórias, elaboração de atividades manuais e brincadeiras fizeram a alegria da criançada

Paralelo a reforma da escola, foi realizado o atendimento às crianças refugiadas da Síria, moradoras da região. “Foi uma experiência renovadora, porque no Brasil eu trabalho com crianças, mas são crianças que já tem acesso à escola, e aqui a gente percebe que essas crianças não tinham absolutamente nada, então o pouco que nós trouxemos, representou muito para eles”, assegura Leila.

“Eu jamais imaginei que todo o trabalho que a gente acabou fazendo com as crianças de relacionamento, fosse mudar a minha vida. Eu consegui ver nessas crianças algo que eu nunca tinha visto antes, a realidade delas aqui é muito diferente da nossa no Brasil, e eu não conseguia entender como que eles com uma realidade tão diferente, com uma vida de traumas, e com uma carga emocional diferente da nossa, conseguia transparecer tanta felicidade, tanta paz. Eu saio daqui completa, com a sensação, como se eu tivesse tido um encontro com Cristo, ao me relacionar com essas crianças”,  avalia Cristal.

Confira as imagens:

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