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‘Jantar do Bem’ distribui marmitas para moradores de rua em Campo Grande

O projeto leva alimento, roupas e livros missionários a moradores em situação de rua e famílias carentes da cidade

Por Rebeca Silvestrin 11 de maio de 2020

Em tempos de pandemia, muitas pessoas têm sofrido com a crise financeira que gerou desempregos, falta de renda e tem colocado famílias inteiras em situação de vulnerabilidade social. Mas, antes da atual crise chegar, já havia um grupo que conhecia de perto essa realidade e agora se vê ainda mais vulnerável. Esse grupo é formado pelas pessoas que dependem das ruas para sobreviver.

É o caso do jovem Leandro de Oliveira. Aos 38 anos de idade, entre idas e vindas, a rua é o seu lar e seu sustento. “Eu vendo copos de vidro que eu mesmo confecciono, mas muitas pessoas que nos veem no semáforo acham que somos a escória da sociedade. Então, por conta dessa barreira, nem sempre a gente tem o que comer e muitas vezes o dia acaba sem que eu tenha feito uma única refeição”, relata.

No decorrer da conversa, passagens de textos bíblicos são compartilhados por Leandro, revelando que ele é alguém que já viveu o evangelho na prática, mas, assim como outras centenas de pessoas que vivem embaixo de um dos pontilhões da principal marginal que atravessa a cidade de Campo Grande, as circunstâncias da vida o levaram até ali. “Sou dependente químico. Gosto? Não gosto. Sou feliz? Não sou! Luto? Nem tanto, mais. Mas são ações como essa que me fazem ter um pouco mais de fé na vida”, emociona-se ao segurar em uma mão um marmitex com macarrão caseiro e um copo de refrigerante na outra. Cortesia do projeto “Jantar do Bem”, uma iniciativa que conta com a união de voluntários adventistas e não adventistas para levar alimento, roupas e livros missionários a moradores em situação de rua e famílias carentes da capital.

De acordo com o advogado Wilton Candelorio, idealizador da ação, o mais interessante nessa união de forças é a forma com que o projeto tem alcançado essas vidas. “A gente tinha o desejo de fazer alguma coisa por esse grupo aqui da nossa cidade. Com isso, muitas pessoas  deram as mãos e uniram forças. Voluntários da Igreja Adventista, de outras denominações e até pessoas que não têm denominação alguma, todos, unidos com o único objetivo de auxiliar aqueles que tanto precisam. E é através desse trabalho que conseguimos estender a mão tanto pelo campo físico, como pelo espiritual”, pontua.

Para o voluntário João Victor de Matos, o projeto é uma estrada de mão dupla, fazendo o bem para quem recebe a ajuda, mas especialmente, para quem estende a mão. “Estar aqui, pra mim, dá sentido à vida. Sinto gratidão em ver e ouvir histórias de vida, conhecer realidades tão diferentes da nossa e entender que há muito mais no mundo do que o cenário que enxergamos de dentro das nossas casas, do nosso conforto”, comenta.

O momento de distanciamento social não permite que abraços sejam dados, tampouco um aperto de mão compartilhado. Mas a oração é um momento único, especialmente para levar esperança a quem tanto precisa e anda cansado de lutar pela própria sobrevivência, é o que revela Leandro. “A Palavra de Deus diz ‘tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber’, e que Deus utilizou as ‘coisas loucas desse mundo para confundir as sábias’. Os cristãos, muitas vezes, se esquecem do que Deus fez pelos seus, por nós, todos nós, mesmo o marginalizado. Tem dias mais difíceis que outros. O de hoje, graças a esse grupo, é um dia mais fácil do que foi ontem e provavelmente do que será amanhã. Eu só consigo agradecer ao grupo pela refeição, pelas roupas e pelo livro”, conclui Leandro, sabiamente utilizando palavras que levam à uma profunda reflexão.

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