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Cuidado ambiental é dever de cristãos diante de mudanças climáticas

Causas das mudanças climáticas dividem opinião de especialistas, mas há um ponto em comum: a importância da preservação daquilo que foi criado por Deus.

Por Felipe Lemos 13 de dezembro de 2018

Apesar das divergências quanto às causas das mudanças climáticas, necessidade de preservação ambiental é importante para cristãos. Foto: Shutterstock

Até o dia 14 de dezembro, 195 países estarão reunidos na Polônia para mais uma rodada de negociações relacionadas às mudanças climáticas. Muitos objetivos são buscados na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP24. Dois, no entanto, parecem bem claros: a redução da emissão de carbono e limitação do aquecimento global do planeta.

Cristãos criacionistas também refletem sobre o tema à luz da Bíblia e da ciência. Especialmente porque, no relato do Gênesis, há uma orientação dada aos seres humanos quanto ao cuidado do que foi criado por Deus. Os adventistas se pronunciaram oficialmente sobre isso em um documento de 1996. Lá, segundo o que foi registrado no livro Declarações da Igreja, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, em nível mundial, reitera que “a humanidade foi criada à imagem de Deus no controle do planeta, administrando o ambiente natural de maneira fiel e produtiva. A natureza é um dom de Deus.”

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Preservação e questões políticas e religiosas

O presidente da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), o geólogo Marcos Natal, ressalta que “nós, como cristãos, cremos que existe um chamado bíblico evidente para sermos fiéis mordomos do meio em que vivemos. Por isso, os adventistas têm, historicamente, colocado certa ênfase sobre o estudo da natureza, o segundo livro por meio do qual Deus tem se revelado.”

O tema também suscita controvérsia por conta do viés político dado aos fenômenos relacionados ao meio ambiente. Tanto da parte dos governos laicos ou, também, de estados, como o Vaticano. A Igreja Católica já emitiu documentos oficiais falando do assunto (encíclicas), em que há alusão a questões religiosas como o descanso semanal no domingo, o cuidado do meio ambiente e o combate às causas das mudanças climáticas.

O pastor Sérgio Santelli, estudioso do assunto, ressalta que “não há consenso nem mesmo entre os cientistas quanto às causas das mudanças climáticas”. Ele chama a atenção para o fato de que, segundo a Bíblia e mesmo os escritos de Ellen White, as calamidades ambientais têm maior relação com o conflito espiritual entre Deus e seu inimigo nos tempos finais.

Mudanças climáticas 

A existência de alterações significativas quanto ao clima, no entanto, pode ser atestada. Paulo Henrique de Souza, pós-doutor em Planejamento e Gestão Ambiental e professor de Climatologia na Universidade Federal de Alfenas, afirma que alguns fatores são claros para que se possa falar em mudanças climáticas.

Na sua avaliação, são irrefutáveis aspectos como aumento da população (e consumo) e emissão de combustíveis fósseis. O raciocínio de Souza é de que há um desequilíbrio progressivo na atmosfera. Uma análise da condição climática mostra que o padrão das chuvas, da intensidade dos vapores, está saindo dos níveis habituais. “Não levar a sério isso será o maior erro que poderemos cometer”, pontua.

No entendimento do professor de Climatologia, esta alteração mais significativa vem desde o início da era industrial. A transformação do carbono, nas formas sólida e líquida, em estado gasoso, está na raiz do problema. O que ocorre é que o fenômeno coopera para o ganho de energia e faz com que os raios refletidos pela superfície terrestre não se dissipem pelo universo. Pelo contrário. Acabam reenviados ao planeta. Para o estudioso, furacões e tufões, por exemplo, só se formam porque tem muita água sendo evaporada.

Entenda o que pensam os adventistas sobre o meio ambiente:

Causas humanas ou nem tanto?

Há pelo menos duas correntes básicas em relação às causas das mudanças climáticas: a que defende a origem essencialmente humana (causas antrópicas), como alegadas pelo professor Paulo Henrique de Souza, e a que admite outras explicações.

É o caso do climatologista Ricardo Felicio, professor da Universidade de São Paulo (USP). Em entrevista ao blogueiro e jornalista Felipe Moura Brasil, ele afirma que as variações climáticas são históricas e continuarão, com ou sem a presença humana na Terra. “Dizer que os seres humanos conseguem mudar o clima do planeta continua a ser um enorme embuste, só sendo possível de ser provado nos modelos falaciosos de computador que só sabem simular o falso “efeito estufa” e não os reais controladores do clima terrestre”, ressaltou Felicio.

Ao mencionar o aquecimento global, por exemplo, o climatologista da USP ressalta que as diferenças apresentadas, na ordem de 0,1 graus centígrados, são insignificantes para instrumentos que têm erros de medida de 1 grau centígrado. Sem falar em diversos processamentos matemáticos e estatísticos que propagam estes erros.

Na mesma entrevista, Felicio afirma que não enxerga excepcionalidade no regime de chuvas ou variações diferenciadas hoje. “Dados climáticos que remontam a era dos vikings mostram que o regime de chuvas e as secas do século XX não tiveram nada de excepcional, exatamente como o início do século XXI. Pelo contrário, pois essas variações estiveram mais intensas nos séculos anteriores”, assegurou na entrevista.

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