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Alunos do Colégio Adventista de Caruaru são finalistas em feira nacional de Ciências

Projeto de revitalização do rio Ipojuca elaborado pelos alunos concorre ao prêmio de voto popular da Febrace

Por Lucas Rocha 27 de março de 2021

Os alunos Pedro Lucena (direita) e Paulo Ricardo (esquerda) com o professor João Paulo durante apresentação do projeto em uma Feira de Ciências do Colégio Adventista de Caruaru (Foto: Arquivo pessoal)

Dois alunos do 9º ano do Colégio Adventista de Caruaru, em Pernambuco, montaram um projeto de revitalização do Rio Ipojuca, uma das principais fontes de água do agreste do Estado. O trabalho que surgiu em sala de aula com o auxílio do professor de Ciências, agora está na mostra de finalistas da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e concorre na categoria de voto popular (clique aqui para conferir o trabalho).

Caso aplicado em sua totalidade, a iniciativa recuperará o rio em 10 anos, garantindo o fornecimento de água para consumo pessoal e também para a agricultura, o que traria impacto na qualidade de vida e na economia da região.

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O projeto elaborado por Pedro Lucena e Paulo Ricardo prevê a criação de 32 pontos de tratamento de água ao longo do Ipojuca, além da construção de um canal que o ligaria ao Rio Piranju. Isso garantiria a viabilidade do abastecimento de água para consumo humano e para agricultura na época de estiagem, além de evitar alagamentos, o que é comum no período de chuva.

Entenda a proposta

De acordo com os alunos, a ideia é que cada estação de tratamento purifique a água a partir de três etapas. Na primeira, uma barreira formada por pedras e liga metálica iria funcionar como uma espécie de peneira, tirando objetos do curso do rio. No segundo estágio, seria criada uma estrutura para diminuir o leito do rio e aumentar a pressão do escoamento da água. Isso permitiria a instalação de uma pequena hidrelétrica responsável por gerar energia para a terceira fase do processo, que é o de purificação da água.

A partir de uma estrutura subterrânea, seria acrescentado na água elementos químicos como o cal, cloro e sulfato de alumínio, que matariam bactérias, além de restaurar o ph da água. A mistura da água com esses elementos purificantes é chamada de floculação. Depois, a água ainda passaria pelo processo de decantação e filtragem para então voltar ao leito do rio (veja no vídeo a explicação dada pelos alunos).

Cada unidade de tratamento de água está orçada em 3,8 milhões de reais. Ao todo, para implantar as 32 unidades ao longo dos 320km de extensão do Rio Ipojuca, seria necessário 121,6 milhões de reais. A viabilidade econômica da proposta contrasta com os valores de outros projetos de saneamento. Em 2013, por exemplo, foi liberado um empréstimo pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de 330 milhões de dólares com o objetivo de revitalizar o rio.

“A viabilidade do projeto foi um dos pontos elogiados durante a apresentação para a comissão da Febrace. Os alunos se esforçaram, consultaram até engenheiro hídrico para ajudá-los na parte do investimento financeiro. Deu muito orgulho de ver os dois respondendo a todas as perguntas com segurança”, conta João Paulo, professor de Ciências responsável por orientar os alunos no projeto.

Reconhecimento

O projeto começou a ser elaborado em 2019, ano em que foi apresentado em uma Feira de Ciências estadual, o que rendeu uma menção honrosa na Mostra CLAK, realizada no Rio Grande do Sul. Em março deste ano, a Câmara dos Vereadores de Caruaru também fez uma menção honrosa ao projeto. Alguns dias antes do encerramento dos votos para o prêmio popular da Febrace, a publicação relacionada à iniciativa conta com aproximadamente 1,2 mil curtidas, o que no momento a coloca entre as 10 primeiras. O professor e a dupla de alunos estão divulgando o projeto para receber mais curtidas. Caso ganhe a votação, eles serão os primeiros alunos da Rede de Educação Adventista a conquistar o prêmio da Febrace. 

“Eu tinha confiança no potencial e relevância do projeto, mas nunca imaginei chegar até aqui e receber esse reconhecimento e visibilidade”, pontua Paulo Ricardo. Já Lucena parece estar mais ansioso com a implantação do projeto, o que iria ajudar milhares de pessoas. “Em relação ao prêmio, chegar onde chegamos já foi uma grande vitória, conseguimos ser finalistas dentre muitos e conseguimos o reconhecimentos de autoridades. Se Deus quiser, Ele irá nos ajudar a seguir em frente com [a implantação] o projeto”, declara, esperançoso.

O período de votação vai até a próxima segunda, 29. Para votar no projeto, basta acessar a página da Febrace (clique aqui) e clicar no ícone “curtir”.

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