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Paquistanês conta testemunho de perseguição religiosa

Perseguição e intolerância religiosa estão entre principais motivos para que cerca de 50 milhões de pessoas vivam refugiadas de seus países de origem.

18 de março de 2015
Deputado que coordena a Frente mostra mapa com a localização dos países do mundo onde mais se persegue por conta da religião

Deputado que coordena a Frente mostra mapa com a localização dos países do mundo onde mais se persegue por conta da religião

Brasília, DF … [ASN] Um homem, sua esposa e três filhos tomam lugar nas cadeiras da frente do auditório 4 de um dos anexos da Câmara Federal, em Brasília. Eles não são uma família comum como muitos pensavam antes de ouvir o chefe da família falar. Os quatro representam a história viva dos efeitos da perseguição religiosa que ainda deixa sequelas. O paquistanês recentemente se tornou cidadão brasileiro e foi um dos convidados para o lançamento da Frente Parlamentar para Refugiados e Ajuda Humanitária que aconteceu na noite desta terça-feira, 17.

O ex-refugiado ainda teme que seu nome e de seus familiares sejam divulgados por medo de possíveis represálias. Esse temor, no entanto, não o impediu de falar abertamente aos juristas e defensores da liberdade religiosa sobre o que aconteceu em sua vida. O drama começou em 2009, quando, já convertido ao cristianismo, foi acusado de ferir a Lei de Blasfêmia do Paquistão, país oficialmente islâmico. A punição prevista, nesse caso, é a morte. A maneira encontrada pelo ex-muçulmano foi a de fugir para Sri Lanka, país asiático com predominância de budistas e hinduístas e mais de 21 milhões de habitantes. “A mídia regional incitou o ódio contra nossa família e, em determinados lugares do Paquistão, os fundamentalistas odeiam os cristãos. Nessa situação, eu já não podia mais contar, por exemplo, com a proteção policial, por isso deixei meu país”, afirmou o paquistanês.

Só que no Sri Lanka, por ser um imigrante ilegal, acabou preso. Durante seis meses ficou aprisionado até o final do ano passado em Colombo, capital do país. Foi quando conseguiu ter contato com entidades que começaram a ajudá-lo. A principal delas foi a Anajure, Associação Nacional de Juristas Evangélicos, do Brasil, que adotou sua causa e começou a fazer a diferença e intercedeu junto a autoridades.

O dia 2 de dezembro de 2014 foi o momento da libertação do paquistanês e sua família. Obtiveram visto e hoje o pai da família exibe com orgulho e emoção um passaporte brasileiro. O passaporte paquistanês levava a informação sobre a sua nova religião (o que acontece em muitos países). Certamente uma forma de identificar rapidamente possíveis traidores da religião oficial e, em alguns casos, poder facilmente punir essas pessoas.

Mais apoio

É para auxiliar mais gente assim que foi lançada a Frente Parlamentar na capital brasileira que conta com 210 deputados e três senadores. Calcula-se que, no mundo, 4 bilhões de pessoas vivam em regiões de grande intolerância e perseguição por conta da religião.

O presidente da Anajure, Uziel Santana, explicou que essa ajuda aos refugiados é sistemática, mas que evidentemente políticas públicas precisam ser feitas para facilitar ainda mais o apoio a quem sofre perseguição religiosa.

O presidente da Frente, deputado federal Leonardo Quintão, ressaltou que o Brasil não pode se omitir de ajudar pessoas de outros países, pois “aqui, apesar da perseguição religiosa velada que temos, há muito mais tolerância que em outras partes do mundo”.

O diretor de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista para oito países sul-americanos, pastor Rafael Rossi, salientou que a denominação também tem contribuído para ajudar pessoas refugiadas, seja por guerras ou intolerância religiosa. É o caso da rede hospitalar adventista e da ADRA, agência humanitária adventista, que ajudam diversos refugiados sírios que fugiram para países vizinhos por conta das guerras civis. “No Brasil, de uma forma um pouco diferente, criamos, por exemplo, uma congregação adventista em Rondônia para atender haitianos que deixaram suas cidades por conta das graves crises econômicas e dificuldades políticas”, acrescenta. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

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