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Liberdade religiosa

Liberdade religiosa no Crossfit

Competição que aconteceu no sábado antecipou circuito de provas para que atleta adventista pudesse participar.


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Competição que aconteceu no sábado teve adaptação para que atleta adventista pudesse participar (Imagem: Adri Silvas)

Empurrar um pneu, escalar uma corda, subir e descer de um caixote. Esses são apenas alguns dos exercícios do Crossfit, uma das modalidades esportivas que mais cresce no Brasil. Os treinos acontecem dentro de espaços chamados Box, ou, Centro de Treinamento. Foi em um desses ambientes que o advogado Rodrigo Hanh, de Curitiba, vivenciou uma experiência nada comum no mundo dos esportes: o respeito a liberdade religiosa.

Tudo começou em 2015, quando Hanh começou a ter problemas de saúde. Sedentário e sem nenhum interesse em atividades físicas, ele via nos números da balança o reflexo das suas escolhas ruins. Pesando mais de 90 quilos e com o corpo entrando em colapso, devido aos problemas no fígado e no coração, ele decidiu mudar seus hábitos.

“O médico me falou que eu morreria se continuasse assim, na época, me pediu para começar a tomar remédios para o coração. Fui para uma academia tradicional, entre 2015 e 2017 e diminui meu peso de 90 quilos para 65”, relembra.

Foi em 2018 que ele começou a fazer Crossfit. “Isso mudou minha vida. Todos os problemas do meu corpo sumiram. O coração ficou bom, o fígado está em perfeito funcionamento, a gordura corporal está baixíssima e tenho um ótimo condicionamento físico. Além disso, nosso corpo é santuário do Espírito Santo, temos que cuidar bem dele”, detalha o crossfitter.

Fé em jogo

No último sábado (21), aconteceu uma competição, promovida pelo espaço onde o advogado treina há quase 4 anos. No entanto, a escolha da data impossibilitava sua participação. Segundo a administradora do Box, Fabiane Guilmo, a organização do evento decidiu abrir uma exceção, em respeito à liberdade religiosa do aluno. “Nosso campeonato ocorreu no último sábado, dia 21, para 70 atletas e o Rodrigo, junto com sua dupla Maria, pode realizar as provas na quinta-feira, dia 19.  Isso, graças à colaboração de toda equipe Maestro”, destaca.

Rodrigo e a sua dupla Maria conquistaram o 2° lugar na competição (Imagem: Jordana Graci)

Para Guilmo, a adaptação da competição foi apenas um dever cumprido. “Vendemos a ideia de que o esporte é para todos e no dia a dia, adaptamos para a realidade do aluno, sendo ele sedentário, idoso ou com alguma limitação. Então, no nosso campeonato não poderia ser diferente, somos nós que nos adaptamos a realidade do aluno, e isso deveria ser normal na sociedade em que vivemos”, observa.

Para a dupla de Rodrigo, a estudante de educação física, Maria Luiza Francisco, as diferenças de crença não são um problema. De fé católica, ela entendeu a opção do colega, de não competir aos sábados, após conversarem sobre o assunto.

“O Rodrigo deu o seu melhor em tudo, no início estava bem nervoso, pois foi a primeira competição dele, mas percebi que ele orava em todas as provas, e isso nos dava mais força” explica a atleta.

O resultado do esforço e da dedicação dos dois, conquistou o 2° lugar no podium. Para o advogado, que vivenciou na prática a experiência de ter seus direitos religiosos respeitados, a situação foi duplamente feliz. “A discriminação por sermos diferentes é algo que, atualmente vivenciamos com muita frequência.  As pessoas estão muito intolerantes, sem paciência, sem respeito... A falta de amor é muito grande em nosso meio. Eu vejo que a liberdade religiosa tem a ver com respeito, com acolhimento e amor”, conclui.