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Especialistas analisam questão religiosa e comunicacional de atentados na França

Ataques ocorridos em Paris deixaram 12 mortos, mobilizaram milhões de pessoas e esquentaram debate sobre fundamentalismo religioso.

12 de janeiro de 2015
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Milhares de pessoas saíram às ruas de Paris em marcha contra o terrorismo. (Fotos: Pierre-Selim)

Brasília, DF… [ASN] Os dois episódios que abalaram a França e o mundo na última semana tiveram uma força ainda maior no sentido de reacender discussões sociais de forte impacto. O assassinato de profissionais em uma revista satírica em Paris e, na sequência, um sequestro em um mercado judaico, levantaram debates no planeta inteiro sobre pelo menos dois temas: intolerância religiosa e liberdade de expressão e de imprensa. Conforme os próprios autores do massacre na revista Charlie Hebdo, o ato praticado foi uma vingança pelo fato de a publicação veicular tirinhas e desenhos considerados ofensivos ao profeta Maomé e à religião islâmica.

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A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com dois profissionais que lidam com essas temáticas para ampliar a compreensão acerca do que significaram esses episódios apontados pelos governos como atentados terroristas.

Intolerância desaprovada

Para o pastor Rafael Rossi, que lidera a área de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista em oito países sul-americanos, “a liberdade religiosa é um direito fundamental de cada ser humano. Cada pessoa tem o direito de decidir seguir ou não uma religião. Esse direito precisa ser respeitado, mas quando se usa a força ou meios de coerção para impor uma ideologia ou sistema de crenças, o que chamamos de fundamentalismo extremista, isso é uma afronta à dignidade humana”.

Rossi pondera que a Igreja Adventista vê o chamado extremismo fundamentalista com desaprovação. “Cada pessoa deve ser respeitada em suas crenças, não importando quais sejam elas. Matar em nome da honra da fé é contrário aos princípios ensinados por Jesus que evocam o amor como a saída para os problemas mais complexos da humanidade”, ressalta. O conceito de liberdade religiosa, apresentado pela Igreja Adventista, é o de proporcionar oportunidades de todas as crenças se manifestarem e conviverem com suas diferenças dentro das legislações dos países.

Liberdade de expressão

Embora grande parte dos líderes mundiais reconheça que atos violentos são injustificáveis sob quaisquer argumentos, há uma crescente discussão sobre os limites da expressão e as responsabilidades que precisam existir por parte de quem comunica.

O jornalista Luis Fernando Assunção, doutor em Ciências da Comunicação e professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp – campus Engenheiro Coelho), afirma que “até a liberdade de expressão e de imprensa deve ter seus limites. Em todas as áreas da atividade humana é preciso limites. Concordo com o jornalista Luis Nassif quando ele diz que há um conceito deformado e ilimitado de liberdade de imprensa, o que leva a um total consentimento de limites para a criação humorística e garantia total de sigilo de fonte, no caso jornalístico”.

Assunção salienta, ainda, que o debate sobre os limites da liberdade de expressão é importante porque nem sempre o que se divulga contribui para a paz ou tolerância entre as diferentes culturas e credos.

Fundamentalismo

O especialista em comunicação frisa, também, que o conceito de fundamentalismo precisa ser bem compreendido. Dentro da academia, o termo é descrito como uma forma de espiritualidade criada de modo a enfrentar o temor de que a modernidade possa afetar ou mesmo erradicar a fé e a moralidade de seus seguidores.

Nesse conceito, há fundamentalismo em quase todas as religiões do mundo. Já a mídia utiliza o termo para descrever setores mais conservadores de determinadas religiões, ou mesmo grupos religiosos propensos à violência.

Mas é preciso destacar que o fundamentalismo é um fenômeno caracterizado pela cultura e que pode ser influenciado pela religião. “O termo também pode se referir especificamente à convicção de algum texto ou preceito religioso considerado infalível, ainda que contrários ao entendimento de estudos contemporâneos”, afirma Assunção. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

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