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Novo departamento gerenciará dados da Igreja Adventista

Pesquisas ajudarão adventistas a cumprir a missão de forma mais eficaz

9 de maio de 2017

Pastor Edward Heidinger (esquerda) apresenta o sociólogo Thadeu Silva Filho durante sua nomeação para conduzir o departamento oficializado nesta terça-feira (Foto: Gustavo Leighton)

Brasília, DF… [ASN] Líderes do Concílio Administrativo da Igreja Adventista do Sétimo Dia para a América do Sul votaram e oficializaram a criação do Departamento de Arquivo, Estatística e Pesquisa da sede sul-americana da entidade. Sua função será gerir o conhecimento produzido pela denominação neste território com vistas a transformá-lo em informação estratégica para que se criem processos mais eficazes.

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Para coordená-lo foi escolhido o sociólogo Thadeu J. Silva Filho, de 42 anos. Natural da cidade de Belém, no Estado do Pará, é casado com Denise Rochael. Trabalha há mais de 20 anos com pesquisas de campo e análises de bancos de dados de Segurança Pública, Saúde, Educação e Demografia. Entenda mais sobre o departamento e sua contribuição na entrevista a seguir.

Estatísticas confiáveis norteiam o trabalho das organizações há muito tempo. A Igreja também precisa atuar dessa maneira? Por quê?

Sim, por vários motivos. Primeiramente, as estatísticas expressam em números as ações de pregação do Evangelho realizadas pelos membros e pastores. É impossível acompanhar pessoalmente o desenvolvimento de uma Igreja de 2,5 milhões de membros, quatro mil pastores, milhares de professores, médicos, desbravadores, aventureiros, voluntários, capelães, colportores, profissionais de comunicação e tantas outras pessoas que levam adiante a comissão deixada por Jesus em Mateus 28:18-20.

Somente por meio dos números gerados pelas atividades dessas pessoas é possível compreender isso dentro de uma dimensão tão grande. Neste caso, os números não são uma coisa “fria”; ao contrário, expressam o desenvolvimento do adventismo em nosso território. Cada número é uma vida, e é em prol de cada uma delas que trabalhamos. Já que não é possível estar presente em todas as atividades da Igreja ao mesmo tempo, recorremos às estatísticas para ajustar o rumo do trabalho, para lançar um programa de evangelismo, para decidir onde aplicar os recursos humanos e financeiros e produzir os materiais mais adequados para a situação da Igreja no momento.

Em segundo lugar, as estatísticas mantêm organizado o trabalho da Igreja Adventista do Sétimo Dia, como foi desde o Movimento Milerita. Naquele momento, dois pilares organizacionais o mantiveram vivo: reunião dos crentes no advento em assembleias gerais e um sistema de comunicação veiculado por mais de dez jornais impressos. Esses jornais mantinham integrado o movimento tanto ao publicar as demonstrações bíblicas da iminente volta de Jesus como ao noticiar as resoluções tomadas nas várias assembleias gerais dos mileritas.

Nessa mesma linha do trabalho organizado, é preciso lembrar que a primeira estratégia para evitar que os crentes perdessem a fé na Bíblia e na breve volta de Jesus por causa do desapontamento de outubro de 1844 foi um trabalho organizado: a reunião geral promovida por Joshua Himes em 29 de abril de 1845 em Albany, Nova Iorque. Esta teve três propósitos muito claros, que expressam o modo organizado de a Igreja trabalhar: fortalecer uns aos outros na volta de Jesus, criar as melhores estratégias de evangelismo integrado para confortar os aflitos e apressar a volta de Jesus e juntar forças para que outras pessoas conhecessem tal mensagem. A organização do trabalho manteve a unidade dos irmãos em torno da Bíblia, fez o esforço render mais e foi fundamental na formação, no desenvolvimento e ampliação das atividades da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Por último, estatísticas confiáveis podem indicar se a missão está no coração dos crentes. A Bíblia diz que é pelos frutos que se pode saber se a árvore é boa, de modo que os resultados das ações expressos em números mostram a proximidade dos crentes a Deus e sua dependência dEle. Exemplos disso são a quantidade de assinaturas e compras avulsas da lição da Escola Sabatina; mais gente entregando sua vida a Cristo pelo batismo do que se desligando da comunhão dos demais; quantidade de clubes de Desbravadores em cada região; proporção de homens e mulheres, jovens e adultos nas atividades das Igrejas; idade média dos batismos em cada região, etc.

As estatísticas não mostram tudo, nem são a solução de todos os problemas da Igreja. Por vezes, não são nem capazes de mostrar o que de fato se quer saber, mas, no que é possível, ela é de muita ajuda, reconhecendo possibilidades concretas de ações rumo à salvação das pessoas por quem Cristo Se entregou.

Qual é o objetivo do departamento e que resultados se espera?

Em uma frase, o objetivo do Departamento de Arquivo, Estatística e Pesquisa (DAEP) é reunir o conhecimento produzido na Igreja e transformá-lo em informação estratégica para que mais pessoas conheçam a Cristo na América do Sul. No trabalho de arquivamento de documentos, classifica atas e minutas das comissões e os torna disponíveis para a administração buscar informação no conteúdo deles. Na vertente da estatística, reúne dados numéricos na busca de informação para manter, ajustar o rumo ou interromper ações, projetos e programas da Igreja. E com as pesquisas, passa a conhecer realidades que pareciam invisíveis, além de medir o alcance, os resultados, os efeitos e os impactos das iniciativas da Igreja.

Todo esse trabalho é demorado e exige reflexão. É também de natureza acessória, isto é, não é execução direta da comissão de Cristo, mas um trabalho que auxilia em muito o cumprimento da missão da Igreja de fazer discípulos dEle, especialmente nestes tempos tão complexos.

Que impacto essa área terá sobre a vida dos membros?

Por ser trabalho de bastidores, por atuar junto à administração da Igreja (é um departamento ligado à Secretaria) e por ser de natureza acessória, é natural que os membros ouçam menos do Departamento de Pesquisa do que das áreas de Evangelismo, Escola Sabatina, Mordomia, Educação, Jovens e Desbravadores, por exemplo. O trabalho do DAEP se assemelha mais ao de profissionais da saúde, que, conhecendo a debilidade física de uma pessoa através das informações transmitidas pelo organismo, reavaliam seu regime alimentar, recomendam uma combinação mais adequada de alimentos, indicam exercícios físicos apropriado, alteram hábitos de sono e outras coisas mais em busca do funcionamento ótimo da máquina, como planejada pelo fabricante. Nesse sentido, os membros não lidarão diretamente com o DAEP, mas sentirão ajustes e mudanças na sua vivência com a Igreja derivados do trabalho desse novo departamento. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

Saiba outras informações sobre o Concílio Administrativo e o novo departamento no vídeo abaixo:

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