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Membros da Comissão Diretiva da sede mundial adventista debatem ação de compliance

Decisões sobre conformidade com os regulamentos da Igreja, enquadrados como uma questão de compliance, foram tomadas em encontro anual.

Por Adventist Review e Adventist News Network 25 de outubro de 2019

Momento em que delegados votam acerca de ação de compliance. (Foto: Adventist Review)

Na última Comissão Diretiva da liderança mundial adventista, finalizada no semana passada, um dos temas debatidos foi sobre uma ação de compliance. A ideia de compliance está relacionada a um conjunto de disciplinas que orientam o cumprimento de normas legais e regulamentares, e diretrizes de qualquer tipo de organização. A política de compliance de uma empresa, por exemplo, serve, também, para evitar ou identificar desvios ou inconformidades que possam ocorrer.

No caso da Igreja Adventista, foram votadas disciplinas para as entidades da denominação consideradas em não conformidade com os votos e políticas de ordenação. A primeira proposta para advertir quatro  sedes administrativas das Divisões europeias passou com uma margem de 164 para 124. Neste momento, a proposta alterada para advertir outros dois escritórios da Divisão Norte-Americana (sede adventista que abrange Estados Unidos, Canadá e alguns outros países) passou com uma margem de 190 para 94.

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Como declarado no documento que descreve as recomendações, o resultado dessa votação agora oferece às organizações advertidas a oportunidade de entrar em conformidade com as ações e políticas votadas antes que outras medidas disciplinares sejam aplicadas.

O documento divulgado aos delegados e que continha as recomendações disciplinares originais também afirmava que “cada uma das entidades não conformes nomeadas tem a oportunidade de recorrer dessa ação por meio de processos já previstos no documento do Concílio Anual de 2018 e no Working Policy (Regulamentos Eclesiástico-Administrativos) da Associação Geral”.

Vários oradores inscritos para falar no momento dos debates relacionados à votação sublinharam a importância contrastante de preservar a ordem da Igreja, ao mesmo tempo em que atuam com justiça em relação às organizações da denominacionais cujos constituintes votaram em abordagens alternativas às posições sobre a ordenação.

No plenário, havia duas moções separadas para aceitar as recomendações descritas no documento intitulado Recomendações Resultantes da Ação de Conformidade do Concílio Anual de 2018. O material propunha avisos para as quatro sedes e repreensões públicas para os presidentes de outras duas.

Os delegados votaram aceitar a primeira recomendação para fornecer avisos a certos escritórios administrativos e emendaram a segunda recomendação, alterando a recomendação de repreender publicamente dois indivíduos da Comissão, a uma advertência das respectivas organizações da Igreja que eles representam.

Introdução à ação proposta

“Esta não é uma situação fácil”, disse o presidente da Igreja Adventista mundial, Ted Wilson, ao apresentar a proposta. “Eu pessoalmente lutei com o Senhor por essa situação”, acrescenta. Wilson, que presidiu a sessão, expôs as medidas adotadas pela sede mundial adventista desde a ação votada pelo Concílio Anual de 2018, que delineou um processo para lidar com a não-conformidade e as medidas disciplinares para aqueles considerados não conformes.

O processo envolveu principalmente dar às Divisões, que são os órgãos administrativos regionais da Associação Geral (sede mundial adventista), tempo para avaliar e resolver a não-conformidade percebida em seus territórios. Além disso, uma carta foi enviada pela sede mundial para as Divisões em questão no dia 4 de junho de 2019, lembrando-as das estipulações da ação de 2018 e solicitando que elas relatassem o status de tais organizações em seu território.

O líder mundial adventista também esclareceu o status das comissões de não-conformidade estabelecidas pela Comissão Administrativa (Adcom) e referenciadas na ação de 2018. “Eles ainda estão lá”, explicou Wilson. “Eles não foram eliminados.” O esclarecimento foi oferecido à luz dos relatórios nos últimos meses de que as comissões de não-conformidade haviam sido dissolvidas.

De acordo com Wilson, a Comissão optou por não usar as comissões de não-conformidade porque elas não foram “tão difamadas” após sua aparição no documento de conformidade de 2018. Wilson declarou que as comissões de não-conformidade são comissões consultivas da Adcom e lembrou aos participantes que a Adcom especificada da ação de 2018 “pode” usar as comissões de conformidade.

A natureza das recomendações

O presidente mundial relatou que “nenhuma resposta apropriada foi dada para as alterações nas entidades nomeadas nas recomendações”, o que levou a proposta a ser considerada no Concílio Anual deste ano.

“Não me lembro de nenhuma situação da história de nossa Igreja em que tenha acontecido uma ação direta contra um voto feito em uma sessão da Associação Geral por parte de entidades”, expressou Wilson. “E é por isso que esse voto eleva a situação a um perfil bastante alto”, frisou.

Consequentemente, o documento Recomendações Resultantes da Ação de Compliance do Concílio Anual de 2018 solicitava que advertências oficiais fossem feitas para as seguintes entidades: União Dinamarquesa, União do Norte da Alemanha, União Norueguesa e União Sueca. Essas entidades “adotaram ações que não estão em harmonia com o Working Policy e práticas sobre as credenciais”, afirmou o documento.

As ações tomadas pelas quatro Uniões dizem respeito a decisões oficiais no nível das Uniões para comissionar pastores (ao contrário de ordenar homens e comissionar mulheres), entre outras variantes.

Uma segunda recomendação dizia respeito a duas outras Uniões, cujas comissões diretivas haviam votado anteriormente para aprovar a prática de ordenar mulheres. O documento nomeou a União de Colúmbia e a União do Pacífico, ambos na Divisão Norte-Americana, e se referiu a elas como estando “em persistente não-conformidade”.

O documento recomendava que os “presidentes das entidades acima mencionadas como indivíduos que representam a entidade não conforme recebam uma ‘Reprimenda Pública’ conforme previsto no documento votado pelo Concílio Anual de 2018”.

Discussão no plenário

A discussão no plenário começou com um convite do pastor Ted Wilson para que qualquer um dos presidentes, representando as Uniões em questão, expressasse seus pensamentos. Embora os limites de dois minutos para discursos tenham sido impostos aos delegados, o tempo foi estendido para quatro minutos cada, começando com os quatro presidentes da Europa cujas Uniões devem ser oficialmente advertidas.

“Um terço dos nossos pastores na União Sueca é de mulheres e eu estou extremamente orgulhoso de cada uma delas”, pontuou Robert Sjolander, presidente da União Sueca. “Juntamente com o resto de nós na Suécia, elas não estão insistindo na ordenação.” Sjolander disse que sua União respeitou a decisão tomada em 2015, em San Antonio, de não ordenar mulheres, optando por não ordenar pastores homens ou mulheres.

Victor Marley, presidente da União Norueguesa, expressou a perspectiva de que sua União está cumprindo o Working Policy da sede mundial adventista  e, também, a Crença Fundamental de número 14, que enfatizam a não discriminação com base em vários fatores, incluindo o gênero.

O presidente da União do Norte da Alemanha, Johannes Naether, acrescentou comentários semelhantes. “Tratamos homens e mulheres igualmente”, reforçou Naether. “E para nós esse é um valor fundamental, um direito humano que pensamos ser expresso na Bíblia e na Crença Fundamental 14”, referiu.

O presidente da União Dinamarquesa, Thomas Muller, sugeriu que “precisamos aprofundar um pouco mais a caixa de ferramentas e encontrar outras maneiras de conversar, encontrar e resolver problemas.” Ele expressou preocupação de que, ao seguir este curso de ação, “estamos alienando nossos membros da Igreja mundial”.

A favor da moção

Falando a favor da moção, o secretário-executivo da sede mundial adventista, G.T. Ng, pontuou que apreciou os discursos dos presidentes porque vê que eles estão “tentando fazer o melhor possível para estar em conformidade com a Igreja mundial”. Contudo, por mais que eles tentassem, NG disse que “eles ainda estão em desacordo”. Ele também lembrou aos membros da Comissão que eles não estão discutindo o processo, que foi votado em 2018. “O que estamos fazendo agora é implementar o processo”, enfatizou.

Na mesma nota, Roger O. Caderma, presidente da União Sul das Filipinas, lembrou aos participantes que “já é de conhecimento público que existem consequências para trabalhadores ou entidades que estão fora de conformidade”.

“Eu esperava algum nível de remorso por termos ido contra o que foi trazido ao nosso fórum. Eu não entendi isso. Pela falta de um termo melhor, a exibição aberta de impunidade é preocupante”, expressou Nana Kofi Nimako, uma delegada leiga da Divisão Africana Centro-Ocidental. “E se um jovem desafia sua liderança dizendo que sua consciência o manda fazer algo errado? O que a liderança faria?”

Outros reconheceram diretamente o dilema com o qual a Comissão Diretiva estava lutando. “Temos uma decisão que foi tomada nos níveis mais altos e que precisa de apoio, porque podemos ver os efeitos de ter, o que parece ser, todo mundo seguindo seu próprio caminho’, acrescentou o presidente do Oakwood College, Leslie Pollard. “Mas, por outro lado, temos um grupo de colegas que defende o corpo, ‘por favor, façamos a missão em nossos contextos.’” Pollard então perguntou retoricamente: “Qual é mais urgente: a conformidade ou a missão?”.

Advertência e não repreensão

A discussão sobre a recomendação dirigida às duas Uniões da Divisão Norte-Americana, mencionadas no documento, deu uma reviravolta inesperada com uma emenda à moção para alterar a repreensão pública dos presidentes das duas Uniões à mesma advertência dada às Uniões das Divisões Transeuropeia e Intereuropeia.

Dave Weigley, presidente da União de Colúmbia e um dos líderes recomendados para a reprimenda pública, explicou que ele “apreciaria a emenda” porque ela lhe daria uma chance de voltar ao Concílio Anual ou à Adcom para “tentar explicar o motivo por trás [da ação da União de Colúmbia]”.

Wilson lembrou Weigley que “estamos nisso há sete anos” e acrescentou que “trabalhamos através de um sistema representativo, e a Divisão deve trabalhar com você e pedimos que eles façam isso”.

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