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Mães presas recebem assistência da Igreja Adventista em Pernambuco

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Assistência religiosa oferece novas perspectivas de vida às presas. Todas as detentas receberam kits contendo produtos de higiene

Caruaru, PE… [ASN] A população carcerária feminina do Brasil é composta por aproximadamente 35 mil mulheres, de acordo com o relatório do Sistema de Informações Penitenciárias (Infopen) de 2012. Destas, 80% têm filhos. Por trás dos números estão mulheres que convivem diariamente com a solidão, o preconceito e a privação do direito de criar os filhos. Para muitas, a fé religiosa é o único meio de manter a esperança de reconstruir a família quando terminarem de cumprir a pena.

Para colaborar com processo de reintegração à sociedade, a Igreja Adventista do Sétimo Dia no interior de Pernambuco (Associação Pernambucana Central) presta assistência religiosa a mulheres da Colônia Penal Feminina localizada na cidade de Buíque, Agreste do Estado. Todas as quintas-feiras ocorrem cultos e estudos bíblicos na unidade.

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Na última semana, a Igreja realizou a entrega de 420 kits com produtos de higiene, comemorando antecipadamente o Dia das Mães. Cada presidiária recebeu xampu, condicionador, desodorante, sabonete, creme dental, escova de dente, absorventes e um exemplar do livro missionário A Única Esperança. Os materiais foram arrecadados em uma campanha realizada por esposas de pastores na região. “O nosso objetivo é que elas leiam o livro e vejam que vale a pena confiar em um Deus que as criou para ser felizes”, comenta a coordenadora do Ministério da Mulher para o interior de Pernambuco, Lindete Reis.

A leitura frequente da Bíblia possibilita que a detenta Francisca dos Santos, condenada a cumprir oito anos de prisão por tráfico de drogas, mantenha a esperança de ter uma nova chance para reconstruir a família. Ela está cuidando da filha de apenas um mês no berçário instalado dentro da unidade.

A convivência entre mãe e crianças no cárcere é assegurada até o sexto mês de vida do bebê pela Lei Federal de Execução Penal. De acordo com o agente penitenciário Anderson Rocha, no final desse período é realizado o processo de desligamento, no qual a criança deverá ser entregue aos familiares da presa ou a outros responsáveis legais. O procedimento é realizado pelo serviço de assistência social da unidade.

Famílias separadas pelas grades

A Lei 12.962/14 sancionada pela presidente Dilma Rousseff em abril fez alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente para garantir que pais e mães que cumprem pena possam receber visitas periódicas dos filhos independentemente de autorização judicial.

A nova Lei, porém, não fez nenhuma diferença na vida de Jucineide Balbino, que está presa há um ano na Colônia Penal de Buíque.  Ela assume que começou a vender drogas depois de se divorciar, perder a casa que morava e enfrentar dificuldades financeiras para criar os dois filhos de sete e 14 anos. “Eu achava emprego, mas, era sempre à noite, não encontrava quem quisesse tomar conta dos meus filhos, então, sempre tem o lado errado, que é mais fácil”, conta. A tentativa de educar os filhos cometendo um crime resultou na condenação de cinco anos de prisão por tráfico. O pai das crianças estava preso e, pouco tempo depois de ser solto, foi a vez de Jucineide ir parar atrás das grades.

Quando os filhos ficaram aliviados com a liberdade do pai, foram surpreendidos com a prisão da mãe e se revoltaram contra ela. Por isso, Jucineide acredita que só vai conseguir revê-los quando terminar de cumprir a pena. A última visita que recebeu deles foi em novembro do ano passado. A filha mais nova, de sete anos, disse que não voltaria mais para vê-la e, até agora, mantém a promessa. “Eu fico triste, angustiada. Vejo os filhos chegando para ver as mães, eu não vejo os meus. Sinto um vazio muito grande dentro de mim”, desabafa ao lembrar-se dos momentos solitários que enfrenta nos dias em que as colegas da prisão recebem visitas.

É através da fé em Deus que Jucineide consegue conviver com a dor da solidão e fazer planos para quando sair da Colônia Penal. Ela disse que vai pedir perdão pessoalmente aos filhos – ela já faz isso hoje, mas através de cartas sem resposta – e desenvolver uma profissão para recuperar a dignidade. “Também quero ter meu emprego, minha carteira ‘fichada’ e meu diploma de cozinheira. Porque esse é meu sonho desde pequena, eu adoro cozinhar”, compartilha Jucineide. [Equipe ASN, Fernanda Beatriz]

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