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Igreja enfrenta crise econômica sem diminuir investimentos em evangelismo

Crise econômica não deverá afetar ações de evangelismo público, plantio de igrejas e outras iniciativas próprias relacionadas à missão.

28 de janeiro de 2016
Ações de grandes empresas brasileiras, como a Petrobras, estão muito desavalorizadas, o que faz parte do conjunto de indicadores da crise que afeta o Brasil. Crédito: Plena Investimentos.

Ações de grandes empresas brasileiras, como a Petrobras, estão muito desavalorizadas, o que faz parte do conjunto de indicadores da crise que afeta o Brasil. (Foto: Plena Investimentos)

Brasília, DF … [ASN] O cenário mundial econômico preocupa, para 2016, diversas nações, especialmente as emergentes. Juros altos para países investidores, queda nas ações de grandes corporações e até mesmo baixa no valor do barril de petróleo inibem novos investimentos no Brasil e outros países do mesmo porte. Ao mesmo tempo, a nação brasileira sofre com a alta valorização do dólar, inflação crescente, maior desemprego e redução drástica do crescimento econômico. No entanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul encara a crise com a perspectiva de não diminuir os investimentos em ações de evangelismo.

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O pastor Marlon Lopes, diretor financeiro da Divisão Sul-Americana (que controla o trabalho em oito países), conversou com a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) e explicou como a Igreja definiu sua estratégia para enfrentar a situação adversa.

O diagnóstico da crise inspira cautela. A Divisão Sul-Americana é hoje a segunda, entre as 13 divisões mundiais adventistas, no ranking de arrecadação de dízimos e ofertas, e sua participação impacta cada vez mais nas finanças mundiais da organização. O Brasil, por exemplo, responde por 84% da movimentação financeira entre os oito países que compõem a Divisão Sul-Americana. Dados da área financeira demonstram que, no ano passado, a inflação oficial ficou em 10,67% no Brasil, enquanto o crescimento dos dízimos chegou a apenas 4,21%. Nos anos anteriores, o índice de aumento dos dízimos (que são uma das principais entradas da Igreja Adventista) historicamente sempre foi maior do que a inflação registrada.

Dízimos e ofertas

Lopes analisa que “temos uma combinação de elementos adversos. Os membros, em geral, diminuíram seu poder de compra, alguns estão desempregados e outros tiveram redução na renda. E tudo isso aliado a uma alta valorização do dólar, o que fez com que tivéssemos de usar mais moeda brasileira para enviar nossa parte em dólares à Associação Geral da Igreja, nos Estados Unidos, e colaborar com a missão mundial”.

O diretor financeiro percebe, no entanto, que, apesar da crise econômica, as ofertas (que não são definidas em percentual para os membros adventistas) não caíram tanto em relação à inflação. No ano passado, no Brasil, com a inflação de 10,67%, o crescimento das ofertas foi pouco menor: 9,53%. Para o pastor Marlon Lopes, isso indica que “permanece o sentimento de liberalidade e de compromisso das pessoas com Deus a ponto de não alterar significativamente a fidelidade nas ofertas”.

Reação institucional

Feito o diagnóstico e compreendida a situação na prática, a sede sul-americana da Igreja criou um plano. Além de acionar suas reservas, a organização decidiu eliminar custos de alguns projetos ou até adiar alguns deles e mesmo cortar despesas ordinárias com a manutenção do escritório em Brasília. “A regra agora é automatizar alguns processos, redistribuir tarefas e simplificar procedimentos para diminuir custos de qualquer maneira”, acrescenta Lopes. Isso vai significar, por exemplo, menos viagens para eventos, critérios mais rígidos para uso de energia, água e material de expediente, entre outras ações.

A diretriz foi repassada para todas as 16 uniões, que são regiões administrativas ligadas à Divisão e que administram regionalmente a Igreja.

O diretor financeiro da Igreja sul-americana, no entanto, faz uma ressalva. Não há previsão de cortes nos investimentos diretos em projetos e ações conectadas diretamente à evangelização. Os grandes esforços anuais da organização deverão ser preservados. É o caso do movimento dos dez dias de oração, distribuição de livros, programação durante a Semana Santa, campanhas grandes de evangelismo público e aporte para compra de terrenos dentro do projeto de plantio de igrejas (em locais sem presença adventista).

O pastor Marlon Lopes, inclusive, vê que a crise econômica acentuada tem até um ponto positivo. Na sua avaliação, a adversidade global obriga a denominação a se reorganizar em termo de prioridades, a disciplinar ainda mais os gastos e reconhecer que Deus é o soberano e está acima de tudo. “A crise não pode nos desviar da missão. Não podemos, como membros, deixar de ser fieis a Cristo por conta das dificuldades circunstanciais. Creio firmemente que as crises surgem para burilar nosso caráter”, arremata o líder. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

Veja uma entrevista com o diretor financeiro mundial da Igreja, pastor Juan Prestol, sobre o assunto:

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