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Um folheto fez toda a diferença para a entrada do Adventismo no Norte de Minas

Uma deficiência no braço direito impossibilitava o patriarca da família Mendes de exercer atividade que exigisse força física

12 de novembro de 2014
Domingos Mendes tem 83 anos, a primeira hora do dia ele dedica a Deus

Domingos Mendes tem 83 anos, a primeira hora do dia ele dedica a Deus

Montes Claros, MG… [ASN] Idos dos anos 1932, José e Cipriana Mendes, saem do Norte de Minas Gerais, mais precisamente da cidade de Riacho dos Machados com o objetivo de mudar as condições financeiras da família. Uma deficiência no braço direito impossibilitava o patriarca da família Mendes de exercer atividade que exigisse força física.

José Mendes encontrou no comércio uma forma de conseguir o sustento para sua família, e chegou a ter de acordo com relatos de familiares, cerca de 10 casas de aluguel em Belo Horizonte.

Enquanto isso, acontecia na capital de Minas Gerais, uma série de conferência realizada pelo pastor Daniel Feder. Um certo dia, o casal Cipriana e José Mendes, transitava por algumas ruas do centro de Belo Horizonte. Foi quando algo chamou a atenção de Cipriana; ela avistou no chão uma grande quantidade de papeis, porém um chamou a sua atenção, tratava-se de um folheto convidando para uma série de conferência que acontecia no bairro Santa Tereza.

A partir daquele momento, o casal decidiu assistir mais de perto a programação e foram recepcionados pelo pastor Daniel Feder que iniciou estudo da Bíblia com Cipriana Mendes.

O BATISMO

Um dos filhos do casal, Domingos Mendes, hoje com 83 anos, que mora em Montes Claros, conta que o seu pai, desistiu de acompanhar sua mãe às reuniões, entretanto, não criara qualquer objeção ou dificuldade no sentido de sua esposa frequentar a igreja Adventista do Sétimo Dia.

Os dias se passaram e em 29 de abril de 1932 Cipriana Mendes foi batizada nas águas do Rio Arrudas em Belo Horizonte por um pastor de nome Davis. Com o passar do tempo, já com a saúde um pouco debilitada Cipriana Mendes retorna com a família para o Norte de Minas, onde fixa residência na cidade de Montes Claros.

Já no Norte do estado, Cipriana Mendes trouxe no coração o desejo de levar a mensagem de esperança para a região. Até 1944 era a única Adventista na cidade, as vezes aparecia um Colportor ou viajante, pois o seu esposo era uma figura conhecida.

“ Mamãe não perdia oportunidade de falar do amor de Jesus para as pessoas. Independentemente de quem fosse, do trabalhador mais simples, ao médico que a visitava em casa (naquela época já existia o atendimento domiciliar no que se refere a área da saúde) ela sempre presenteava as pessoas com o livro Grande Conflito, ” conta com entusiasmo e emoção Domingos Mendes.

Domingos Mendes responsável pela fundação de várias igrejas Adventistas em Montes Claros, explica que enquanto sua mãe estabelecia a mensagem Adventista na cidade, o Espírito Santo agia, de maneira impressionante, alcançando o coração de várias pessoas que residiam em cidades da região banhadas pelo Rio São Francisco. Domingos Mendes explica que a Colportagem teve também papel primordial na pregação do evangelho no Norte do estado:

“Em 1945 apareceu na região outro Colportor o José Lugão, esse vendia o impresso Marcha da Civilização. Ele veio com sua esposa e ficou um tempo em Montes Claros, nesse período ele descobriu o casal Pedro e Maria que se interessaram pela igreja Adventista por meio do programa A Voz da Profecia. E o número de Adventistas e pessoas interessadas na igreja aumenta a cada dia.

PRIMEIRA ESCOLA SABATINA

MATERIAL ESPECIALDomingo Mendes se recorda que neste mesmo ano, 1945, sua mãe dirigiu o primeiro programa de escola sabatina no Norte de Minas, na cidade de Montes Claros, à Rua Padre Augusto 378. A partir daquele momento, eles se passaram a reunir em casas de outros irmãos e interessados. Posteriormente Cipriana com a ajuda de amigos alugou um salão, na Rua Visconde de Ouro Preto número 144, onde foi dado prosseguimento as reuniões.

“ Me recordo de que no endereço da rua Padre Augusto, os espíritas se reuniam duas vezes por semana na parte da noite, e nós Adventistas nos outros dias normais de culto. Neste período veio a Montes Claros o presidente da União Pr. Wilcox, ele nos visitou e incentivou para que procurássemos outro local, conseguimos uma casa na rua Carlos Pereira. Eles votaram uma verba para a construção de uma igreja Central. Procuraram e encontram um terreno na rua Antônio Rodrigues, bairro São José, onde atualmente está a igreja Central. O pastor Wilcox falava que o bairro São José seria um bairro onde o progresso e o desenvolvimento chegariam logo. O que é a igreja Adventista Central de Montes Claros atualmente, teve início lá atrás, com o empreendedorismo e o sonho de várias pessoas, ” declarou Domingo Mendes.

RIO SÃO FRANCISCO X OBRA MÉDICA-MISSIONÁRIA

Paralelamente a chegada do Adventismo em Montes Claros, o evangelho avançava pelo Norte do estado. O seu estabelecimento de evangelização às margens do Rio da Unidade Nacional (São Francisco), passa também por alguns personagens importantes. Um deles, é Silvalino Adriano de Freitas, nascido em 25 de outubro de 1932, em uma cidade por nome de Taboleiro localizada nas proximidades de Juiz de Fora, zona da mata mineira.

Ele chegou no Norte de Minas em 30 de junho de 1961, mais precisamente na cidade de Pirapora. Irmão Silvalino como é carinhosamente chamada em Montes Claros assim como Cipriana Mendes, é um dos responsáveis por contribuir com a evangelização em várias cidades da região.

“Não consigo mensurar quantas pessoas foram evangelizadas, consigo recordar do primeiro Adventista batizado na cidade de Pedras de Maria da Cruz, o irmão Joaquim de Matos que é fruto da Obra Médica –Missionária, ele foi batizado no ano de 1963. A gente trabalhava por amor mesmo a obra. Com o trabalho ajudamos a fundar algumas igrejas como por exemplo, a da cidade de Brasília de Minas. Foram mais de 20 anos trabalhando no Rio São Francisco, e outros tantos na Unidade Móvel de Saúde, ” relata Silvalino.

Silvalino conta que Deus sempre foi fiel com ele, pois tinha um sonho de fazer teologia e enfermagem na Argentina, mas foi aberta a escola de enfermagem do Hospital Silvestre e teve o prazer de estudar lá.

LUMINAR I e II

“ Faço parte da 5ª turma de auxiliar de enfermagem do Silvestre, e em 1961 mais precisamente dia 30 de junho, recebi um chamado do Dr. Scofield para estagiar na LUMINAR 1 e depois LUMINAR 2 isso na cidade de Pirapora. No mesmo ano recebi um chamado para o Hospital Adventista de Belém, mas pela amizade com o Dr. Scofield, decidi permanecer em Pirapora, ” afirma.

Silvalino recorda que extraiu dentes de inúmeras de pessoas: “ Cheguei a extrair em uma certa ocasião 402 dentes em um só dia. Ajudei a cuidar da saúde de outras milhares de pessoas, tudo feito com muito amor e dedicação na causa de Deus, “assevera.   

O trabalho de evangelização nas cidades banhadas pelo Rio São Francisco no Norte de Minas iniciou, segundo Domingo Mendes e baseados em pesquisas feitas por ele e pelo pastor Wladimir Gonçalves que atualmente exerce o seu ministério pastoral em Belo Horizonte, em 25 de março de 1948. De acordo com relatos, em uma bela noite de luar, exatamente às 20:20 h do porto da cidade de Pirapora.

“ Essa foi a primeira viagem missionária da “Luminar”. O tempo passou, o trabalho continuou e em 1957 é inaugurado o primeiro templo da igreja Adventista do Sétimo Dia na cidade de Montes Claros. A chegada de mamãe Cipriana fortaleceu e foi um fator de motivação para o trabalho em outras cidades da região, especialmente nas barrancas do Rio São Francisco, ” garante Domingos.

PRIVILEGIADO X DIFICULDADES

Domingos Mendes disse que é uma pessoa feliz e se sente um privilegiado em ser filho da primeira Adventista do Sétimo Dia em Montes Claros e no Norte de Minas.

“Éramos cinco irmãos: Geraldo Mendes, Afrio Mendes, José Mendes Junior, Maria Mendes. Vivos tem eu e a Maria Mendes que tem 85 anos. Estamos firmes e fortes na igreja Adventista e aguardando a breve volta de Jesus. Mamãe era uma mulher muito doente, mas toda pessoa que entrava em casa, ela pregava o evangelho. Gostava de escrever, e fazia a mensagem prosperar por meio de cartas.

“ A Mentira está espalhada em todos os lugares, é preciso agora levar a mensagem verdadeira, ” sintetiza Domingos.

Ele conta que a chegada do Adventismo na região pode ser caracterizada por intensas dificuldades, dado o preconceito existente à época junto àqueles que eram cristãos e a falta de ferramentas tecnológicas como as existentes atualmente para proclamar a mensagem de Esperança.

“ Era uma época que a gente sofria perseguições, faziam deboches e zombavam pelo fato de sermos cristãos. Eram pessoas indiferentes à religião. Na cidade de Taiobeiras por exemplo, o irmão Oracian Teixeira foi obrigado a se ajoelhar diante de um Cruzeiro, isso em Praça Pública, tudo para gerar chacotas e constrangimento a ele e sua família. Na cidade de Coração de Jesus ele se recorda que as perseguições eram ferrenhas, “as pessoas não davam crédito para a Bíblia”.

“ Tudo no começo é difícil. Essas duas cidades que mencionei graças a Deus já tem, há algum tempo, igrejas Adventistas. Atualmente não podemos nem comparar com o passado. É fácil pregar o evangelho hoje. Temos que aproveitar a liberdade que temos de pregar a mensagem de Esperança e leva-lá a outros lugares onde não há presença Adventista. Para se ter ideia das dificuldades vivenciadas pelos Pioneiros da mensagem Adventista no Norte do estado, as programações como conferências, eram feitas com projetor que funcionava a base de Querosene, ” descreve Domingos.

A expectativa dele é que com a presença da Missão Mineira Norte (Sede Administrativa da igreja Adventista para o Norte e Noroeste de MG) outras cidades da região possam conhecer a verdade, prosseguindo assim, o trabalho iniciado pelos Pioneiros da mensagem Adventista no Norte de Minas, destaque para sua mãe Cipriana Mendes que faleceu em 1988.

[Equipe ASN, Samuel Nunes]

 

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