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“O educador pode interromper o ciclo da violência sexual”, afirma terapeuta

A terapeuta sexual Isabel Passos fará a palestra principal do 1º Simpósio Quebrando o Silêncio, nesta quinta-feira (22.08), em Cuiabá.

Por Dayane Nascimento 21 de agosto de 2019

As denúncias de abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes registraram um percentual de aumento de 49% em Mato Grosso [Foto: Divulgação]

Em Mato Grosso, as denúncias de abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes registraram um percentual de aumento de 49%, nos quatro primeiros meses de 2019, segundo o “disque 100”. De acordo com dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), foram registradas 67 denúncias de janeiro a abril de 2018. No mesmo período, em 2019, ocorreram 95 registros. Ano passado, o “disque 100” recebeu 280 denúncias somente aqui, no Mato Grosso.

A terapeuta Isabel Passos acredita que os professores, coordenadores e diretores de escolas tenham um papel importante na identificação de possíveis vítimas de violência. Passos é pedagoga, especialista em Psicoterapia Sistêmica de Família, Casal e Indivíduo. Com formação em terapia sexual sistêmica, pela Escola de Milão, na Itália, e mestranda em Psicologia Social pela Universidade Federal do Vale do São Francisco, de Petrolina (PE), Isabel Passos fará a palestra principal do 1º Simpósio Quebrando o Silêncio, que será realizado nesta quinta-feira (22/08), a partir das 19h, em Cuiabá, no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros.

Quais os comportamentos mais comuns identificados em crianças ou adolescentes que são vítimas de violência?
Crianças e adolescentes estão mais suscetíveis a sofrer violência psicológica, física e sexual. Quando são vítimas desses abusos, apresentam baixo rendimento escolar, podem se isolar ou se tornarem agressivas. Também desenvolvem distúrbios alimentares (compulsão ou falta de apetite) e problemas relacionados à insônia ou excesso de sono. No caso específico da violência sexual, a criança pode demonstrar uma curiosidade sexual excessiva, exposição frequente da genitália e conhecimento sexual inapropriado para a idade.

De que forma o educador pode contribuir para identificar uma possível vítima?
Os professores, coordenadores e diretores de escolas devem estar atentos às mudanças de comportamentos dos alunos. O educador tem uma posição privilegiada de acesso ao coração de seus alunos, por isso, ele pode interromper o ciclo da violência sexual. O professor precisa ser sensível e estar disposto a escutar, a ponto das crianças e adolescentes se sentirem seguros e à vontade para contar sobre os abusos que podem estar sofrendo.

Como esse educador pode, também, orientar os pais das vítimas de violência?
Aproximando-se também dos pais para informar, conscientizar e orientá-los a respeito de como abordar seus filhos. Caso a criança já tenha passado por alguma violência, é importante que o educador se informe e leia especificamente sobre o assunto. O professor pode compartilhar informações de como está o comportamento da criança ou do adolescente no dia a dia. Se for o caso, o educador deve buscar apoio nas políticas públicas, que conta com profissionais adequados e preparados para dar um apoio eficaz. E, claro, é importante manter a completa discrição do caso para que os pais consigam estabelecer uma relação de confiança.

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