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Max Mace: um farol da música adventista

Fundador do grupo Heritage Singers fez de um sonho um ministério que até hoje influencia pessoas ao redor do mundo

Por Joêzer Mendonça, com informações de iamaonline e Adventist Today  6 de novembro de 2020

O ministério criado por Max Mace foi fundamental para dar o tom a diversos grupos musicais (Foto: Adventist World)

Ninguém sabe se foi de dia ou de noite que há quase 50 anos Max Mace disse à sua esposa, Lucy, que eles deveriam fundar um grupo musical. Não tinham dinheiro, mas tinham um nome para o grupo: Heritage Singers. E muita fé. Eles sentiam que alguma coisa boa estava para acontecer. Olhando em retrospecto para o gigantesco sucesso musical do grupo, parece ter sido uma decisão óbvia e fácil. Mas à época, foi um desafio cheio de percalços.

No entanto, o que mais ele poderia fazer? Quando se tem uma ideia fixa, já não importa o emprego fixo. Max era funcionário do United Medical Labs em Portland, no Estado do Oregon, Estados Unidos, e dirigia o grupo vocal Rose City Singers, que era patrocinado pela instituição. Max deixou o emprego para se dedicar exclusivamente ao Heritage Singers.

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Ele relembrou os primeiros meses de excursões do grupo. “Não tínhamos dinheiro. Aquilo era sobre ser parte de algo maior do que nós. Nós simplesmente deixamos Deus fazer Seu trabalho.”

Lucy Mace já contou que “houve tempos quando não tínhamos certeza de onde viria nosso próximo dólar, então íamos checar a correspondência e havia um cheque para nós. Isso aconteceu várias vezes. Era difícil perceber claramente a direção para o nosso ministério. Era um dia de cada vez.”

Nasce um ministério

No mesmo ano de nascimento do grupo, 1971, o Heritage Singers lançou dois discos: Hymns that we remember e Come along with me. O primeiro com regravações de hinos evangélicos, e o segundo, um convite para que os ouvintes andassem na nova trilha musical aberta por Max Mace.

Ele logo os organizou profissionalmente, com remunerações aos cantores, com instalação de estúdio e escritório central em Placerville, na Califórnia. Alguns anos depois, a fim de atender os convites que vinham da Costa Leste, se viu na situação de criar um grupo cover do próprio Heritage, os Heritage Singers II, que tempos depois passou a se chamar New Creation, e também Heritage Singers en Español, que cantava versões em espanhol para as congregações hispânicas nos Estados Unidos e na América Latina.

Desde então, o ministério do Heritage Singers já rodou o planeta inteiro fazendo mais de sete mil apresentações musicais em cerca de 80 países; já lançaram mais de 100 álbuns e produziram mais 200 programas de televisão. Se chegaram aqui, chegaram pela fé. E também com muito profissionalismo e dedicação.

A influência do Heritage Singers para a fundação de grupos musicais na Igreja Adventista é incomensurável. Até o final dos anos 1960, a maior parte da música da denominação era liderada por pessoas com formação musical erudita e raramente havia um cantor ou grupo que fosse o compositor das músicas de seus discos. O surgimento do Wegdewood Trio, com suas canções de estilo folk, teve repercussão, mas seu impacto acabou ficando mais restrito aos Estados Unidos.

Influência

O projeto musical e ministerial de Max Mace atingiu um patamar global dentro da música adventista. Segundo o Historical Dictionary of the Seventh-Day Adventists, o grupo Heritage Singers contribuiu para uma transformação na música adventista, que passou de música gospel tradicional interpretada por quartetos ou solistas acompanhados de órgão ou piano para incorporar canções contemporâneas acompanhadas de instrumentos acústicos, elétricos e percussão.

Mas a influência dos Heritage Singers não foi apenas na adoção de instrumentos elétricos ou de um repertório mais contemporâneo. Foi também na maneira de cantar. A harmonia vocal e a sutileza da dicção foram uma novidade que repercutiu na formação e no estilo de vários grupos vocais no Brasil nas décadas de 1970 e 1980.

Não se pode omitir que houve críticas contra a proposta musical liderada por Max Mace, que diria tempos depois. “Nós tínhamos um som contemporâneo com o qual algumas pessoas não se sentiam confortáveis, e não éramos bem-vindos em todas as igrejas. Mas éramos sensíveis às preocupações das pessoas e buscávamos ajustar nossos concertos e apresentações a públicos específicos. Mas, de fato, levou anos para que nossa música se tornasse amplamente aceita.”

Legado

Max Mace liderou uma renovação musical, mas sua finalidade sempre foi a missão do evangelho. “Fomos tentados a usar nossos recursos para impulsionar a publicidade do grupo. Mas refletimos e oramos a respeito, e enxergamos que somos mais que artistas e produtores. Temos um ministério que queremos proteger e trilhar.”

Nascido em 1937, faleceu neste mês de novembro de 2020. Ele não era pastor nem músico, mas seu ministério e sua música resistiram ao teste do tempo. Entre tantas canções favoritas de seus ouvintes pelo mundo, como God’s wonderful people, Someone is praying for you, The King is coming, Peacespeaker ou Plenty of room in the Family, uma música define o que representa Max Mace: Jesus is the lighthouse, que ficou conhecida em português como O Farol.

Max acreditava que se não fosse pela luz de Cristo brilhando, ele não teria erguido e vivido um dos mais belos ministérios musicais de nosso tempo. Para a música adventista, o velho Max também foi um farol que apontou novos caminhos, agregou novos ouvintes, alegrou e confortou muita gente. Como diz o título de sua autobiografia, ele foi muito “além de seus sonhos”.


Joêzer Mendonça é doutor em Música pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e autor de Música e Religião na Era do Pop.

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