Notícias Adventistas

Filho reencontra mãe por meio da venda de livros

Eles estavam separados há mais de 15 anos, mas se encontraram por influência da colportagem.

11 de maio de 2016
A perda de contatos e endereços fez com que Ângela Gonçalves não soubesse o paradeiro do filho.

A perda de contatos e endereços fez com que Ângela Gonçalves não soubesse o paradeiro do filho

Paranaguá, PR…[ASN] Wesley Gonçalves tem 18 anos. Nascido em um lar cristão, sempre em contato com a igreja, foi criado em São Paulo pelos avós, e em sua adolescência passou a morar com seu pai em Curitiba. Guarda boas memórias de sua infância, mas em nenhuma delas lembra da presença de sua mãe. O que sabia sobre ela se resumia a poucas informações dadas pelos membros da família e o nome em sua certidão de nascimento: Ângela Gonçalves.

“Eu tinha ciência que minha mãe estava viva. Minha avó e meu pai falavam que ela (a mãe) morava em Paranaguá, mas eu não tinha o endereço e não sabia se ela tinha mudado de cidade. Eu não questionava muito porque fui criado pela minha avó e sempre tive meu avô e meu pai por perto. Eu tinha curiosidade para saber como ela era. Mas também ficava pensando por que ela não veio me procurar”, conta Wesley.

Logo chegou a época de escolher uma carreira profissional para seguir. Com o desejo de estudar Teologia, Wesley encontrou na colportagem – ministério da Igreja Adventista que se dedica à venda de livros sobre saúde e religião – a possibilidade de ingressar no ensino superior. E a oportunidade de participar do projeto Sonhando Alto o levou para Paranaguá, sua cidade natal, em março deste ano. Ali, com um grupo de aproximadamente 30 pessoas, Wesley pôde firmar sua comunhão com Deus . “Eu nunca tive uma espiritualidade tão forte na minha vida que nem eu tive na colportagem. Porque teu chefe é Deus, então você está sempre com Ele e Ele te ajuda a todo momento”, garante.

Em mais um dia de trabalho, o jovem lembrou que seu pai tinha uma amigo de infância no município e resolveu ir até sua casa oferecer algum material que estava vendendo. Chegou no local, conversou com o senhor, e logo foi relembrado sobre sua mãe que supostamente morava nas proximidades. “Ele me perguntou se eu já sabia onde a minha mãe morava, e eu nem lembrava tanto do assunto. Eu disse que não sabia. Aí ele desenhou numa folha um mapinha que chegava até a casa dela e me entregou”, esclarece o jovem, que na ocasião ficou em conflito se iria em busca de sua mãe ou não.

Reencontro

Naquele momento, Wesley percebeu que mesmo com a espiritualidade firmada e o trabalho, algo lhe faltava: o perdão. “Eu me sentia estranho porque eu [oferecia literatura], falava de Deus, sobre o amor, e como eu ia falar disso se eu não conseguia perdoar e amar a minha própria mãe?”, indaga. Mesmo intrigado, decidiu procurá-la.

Acompanhado de seus amigos, no dia seguinte ele seguiu o mapa que lhe foi entregue. No entanto, as primeiras tentativas foram frustradas. Depois de localizar a residência errada, o morador o direcionou até um pequeno comércio perto dali. O nervosismo era grande. Reunidos, aqueles que o acompanhavam intercederam por Wesley ali, no meio da rua.

Wesley ingressou na colportagem há cinco meses, começando em uma outra campanha.

Wesley ingressou na colportagem há cinco meses, começando em uma outra campanha

Ao chegar ao local indicado, o rapaz foi atendido por um garoto que se apresentou como filho de Ângela Gonçalves, a pessoa que ele procurava. “Olhei para o menino e achei muito parecido comigo. Até perguntei pro meu amigo: ‘será que ele é meu irmão?’ Eu estava muito angustiado. Foi quando a mulher apareceu e eu me apresentei como um colportor e dei a oferta para ela. Quando ela me viu, já perguntou o meu nome e minha idade. Ela foi indo para trás, com a mão no peito, e me perguntou o meu nome completo. Quando respondi, ela já me reconheceu, me abraçou e falou que eu era seu filho”, descreve Wesley.

O momento foi de emoção e muita surpresa. Logo, ele descobriu que não era filho único, e sim que tinha mais quatro irmãos. Na ocasião, também conheceu seus avós, tios e outros familiares que nunca teve a oportunidade de ter  contato. Foi ali que o rapaz entendeu que era hora de praticar o perdão. “Ao mesmo tempo que eu estava feliz em vê-la, eu também tinha muitas perguntas na minha cabeça. Com o passar do tempo, conversamos muito e fui entendendo. Por isso que não é bom julgar as coisas antes do tempo”, entende o jovem.

Aprendizado

Para Wesley, o reencontro e e a compreensão de tudo o que aconteceu em sua vida o estimulou a dar o exemplo para sua família e enxergar a colportagem ainda mais como um ministério. “Eu já estou levando meu irmão na igreja e, por influência dele, o mais novo também está indo. Depois de ter essa experiência, por mais que eu não consiga vender nada na casa de alguém, pelo menos um estudo bíblico eu consigo deixar. As pessoas veem no seu olhar o amor quando vem do coração. Isso faz com que ela aceite a Deus mais facilmente”, acredita.

Agora, mais que uma cidade natal, Paranaguá se transformou em um lugar de recomeços. “Aqui reencontrei minha mãe, aplicando os três saberes: saber perdoar, saber amar e saber ouvir, que são os princípios que passo para população em minhas ofertas. Eu vivi a vida inteira na igreja sabendo o que é correto a fazer, mas relutando. A colportagem me deu um empurrãozinho pra fazer o que era certo”, conclui. [Equipe ASN, Jéssica Guidolin]

Assista o momento do reencontro:

 

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox