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Estudante do Norte de Minas viaja pela cultura indiana

Neste bate papo, Yasmin conta sobre esta experiência, como a de ter ido na Igreja Adventista na cidade onde está

Yasmin Kelly, é estudante universitária em Montes Claros, Norte de Minas Gerais. A convite de amigos, está desde o início do mês na Índia, conhecendo a cultura e os costumes do povo deste país.

Segundo o Portal Eco Debate, a Índia tinha uma população de 376 milhões de habitantes em 1950 e passou para 1,34 bilhão de pessoas em 2017 e chegará a 1,383 bilhão em 2020, segundo dados da Divisão de População da ONU. Ou seja, acrescentou 1 bilhão de habitantes em 70 anos (muito mais do que toda a população da América Latina e Caribe que é de 646 milhões de habitantes em 2017). O país que possui, atualmente, a segunda maior população do mundo (só perde para a China) e caminha para ser a nação mais populosa do globo a partir da próxima década.

Neste bate papo, Yasmin conta sobre esta experiência, como a de ter ido na Igreja Adventista na cidade onde está. Ela que retorna ao Brasil na próxima semana, virá com algumas certezas, de que ela faz parte de uma igreja mundial e de que é preciso levar a mensagem de esperança para as pessoas em todos os lugares. Entrevista concedida ao jornalista Samuel Nunes

Como surgiu a oportunidade de conhecer a Índia e sua cultura?

Tudo começou no Amor Coruja, escola da nossa família. No ano de 2016, comecei a dar aulas de inglês para as crianças maiores. Um casal de Indianos procurou a nossa escola pois queriam muito matricular o filho deles, que tinha 2 anos.

Havia algumas semanas que eles tinham chegado da Índia e assim que foram conhecer a escola perguntaram se havia alguém que falava inglês, eu estava lá e apresentei a escola para eles que gostaram muito da estrutura apresentada e gostariam também que alguém acompanhasse o filho deles, o Aarav, que só falava em inglês.

O Aarav precisava de uma intérprete para acompanhá-lo nas aulas,  auxiliar nas atividades, e conversar com os colegas e professores, além disso, conseguir dar orientações aos pais sobre o que estava acontecendo e as atividades realizadas por ele na escola.

Era um desafio para mim, nunca tinha feito nada parecido antes, mas senti que devia tentar e ajudar da melhor forma possível. Notei que Aarav sentia falta da Índia e da sua família também, ele não estava habituado com o português, no início foi bem complicado para ele, pois não conseguia entender o que os colegas diziam, nem os professores. Comecei a ensinar algumas frases em português e os colegas com o tempo foram se habituando a ele. A Aarti e o Pushkar , os pais do Aarav, também não falavam português.

Acredito que foi muito difícil para eles também, virem para uma cidade onde ninguém fala a sua língua, com uma cultura completamente diferente. Decidi dar o meu melhor para ajudar aquela família e tentar fazer a escola o melhor lugar possível para o filho deles. Sentia que de alguma forma Deus tinha me colocado no caminho deles.

Então organizei meus horários e comecei a acompanhá-lo durante às tardes no Amor Coruja. Nos apegamos muito. Aarav é uma criança adorável, inteligente, amável, esperta e comunicativa.

Na escola começou a aprender português também e se apegar com os colegas e professores, sempre quando podia o ensinava orar juntamente com os colegas e falava também de Jesus. Os pais do Aarav gostaram muito da ideia do filho aprender a orar e saber mais sobre Jesus. Mesmo eles não acreditando na nossa crença, sabiam que os valores cristãos ensinados ali seriam bons para filho.

Pushkar e a Aarti, são pessoas adoráveis, logo nos tornamos amigos, eles gostavam muito do trabalho que realizávmos na escola e do carinho que tínhamos por Aarav.

Fui intérprete por 2 anos, 2016 até 2018. Nesses 2 anos fizemos uma bela amizade, ficamos bem próximos e foi um período de muita aprendizagem para mim em todos os aspectos.

No início de 2018 eles tiveram que retornar a Índia e logo que foram embora, me fizeram o convite de visitá- los em Bangalore, capital do estado de Karnataka, na Índia. Fiquei muito empolgada com o convite providenciei minha documentação e nas férias da faculdade vim reencontrá-los e estou tendo a oportunidade de vê -los novamente e conhecer também a cultura tão vasta desse país, está sendo uma experiência incrível.

Quais as principais dificuldades nos primeiros dias neste país?

O tempo que estou passando aqui tem sido muito bom e agradável, mas tive que me adaptar ao horário local, são quase 9 horas de diferença do Brasil. Nos primeiros dias senti a diferença, principalmente a dificuldade para me comunicar com os amigos e familiares no Brasil. A comida é muito boa, porém é diferente, tive que me adaptar também, o vestuário local também, tem sido um desafio, mas logo, me adaptei ao estilo da comunidade onde estou.

Qual a principal diferença observada do povo indiano se comparado com o brasileiro?

A língua é a principal diferença notada aqui. A língua oficial da Índia é o inglês e também a língua local que é o Hindi, porém nem todos falam Hindi, existem vários dialetos na Índia, em uma mesma cidade. Em casa as famílias costumam se comunicar com o Hindi e nas ruas, escola, faculdade , trabalho e outros todos falam em inglês.

Outra diferença é a religião, existem duas religiões predominantes aqui na Índia, o Hinduismo e o Islamismo. No Hinduismo existem muitos deuses e pelas ruas podemos encontrar muitos templos que ficam abertos durante o dia para orações. Nas casas também podemos encontrar muitas imagens e esculturas desses deuses.

Já o Islamismo, existem os templos e as pessoas se reúnem nas suas casas em determinados horários para orar. A tradição religiosa aqui é muito forte.

Pelas ruas também encontramos igrejas cristãs de várias denominações, porém o que prevalece são os templos hinduistas. A comida é bem diferente também, os alimentos são bem temperados aqui.

A carne bovina é proibida pois a vaca é considerada sagrada e muitas regiões aqui pregam o vegetarianismo. Algumas cidades pela Índia são totalmente vegetarianas. As roupas também chamam muita atenção pois são muito diferentes do Brasil, existem trajes ideais para locais específicos aqui.

O trânsito é bem movimentado e as leis de trânsito não são seguidas à risca. Existe um grande número de pessoas e pouco espaço, sempre encontramos vacas pelas ruas. Outra diferença notória é a grande população da Índia que é uma das maiores do mundo, sempre vemos as ruas lotadas de pessoas e a segregação socioeconômica é bem marcante.

Existe muita pobreza, principalmente nas vilas ao redor das cidades com precárias condições sanitárias e de moradia. Ao mesmo tempo encontramos muita riqueza, grandes construções, quantidade enorme de empresas e companhias, muitos prédios e shoppings de luxo, tudo em um mesmo espaço.

Fale como foi seu primeiro sábado na Igreja Adventista na Índia

Assim que soube que iria para Índia visitar meus amigos, logo procurei na Internet se havia, e onde eu poderia encontrar uma igreja Adventista em Bangalore. No momento que me alojei, a Aarti me perguntou se havia algum lugar específico que gostaria de ir ou conhecer e eu logo respondi que queria muito conhecer a igreja Adventista local. Ela disse que tudo bem e que poderia até ir comigo.

Ela sabe que sou cristã e já havia comentado sobre nossa igreja com ela. No sábado pela manhã nos arrumamos e fomos a igreja que ficava 2 horas de distância da casa onde estávamos.

O trânsito não facilitou muito no dia, porém, conseguimos pegar o final do culto e conversar com os irmãos da igreja que foram muitos receptivos. Conversamos também com o pastor da igreja, fizemos uma oração com a Aarti e fomos embora.

A Aarti gostou muito, ficou feliz de ver bastante crianças e também por ela poder participar do culto o qual ela achava que não era possível por ela ser hinduista.

Quando o culto acabou, fomos conversar com os irmãos que estavam reunidos atrás da igreja tendo um almoço coletivo. Os adventistas são bem unidos na Índia. Fiquei feliz de ter conhecido mesmo que pouco, mas fiquei muito alegre vendo como a igreja funciona bem, mesmo em lugares onde o cristianismo parece ser inalcançável!

Quais os aspectos da adoração que mais chamou sua atenção na liturgia em um culto na Igreja Adventista neste país?

Não pude chegar a tempo do culto mas pelo que eu conversei, tudo funciona da mesma forma que conhecemos no Brasil. Existe um bom número de membros na igreja e possuem uma boa infraestrutura também.

Existem salas para as crianças para escola sabatina, galeria, projetor, microfones. Os irmãos são bem entusiasmados e tudo funciona bem! Primeiro temos o estudo da lição, todos se dividem em classes, depois o louvor e o culto. Assim que o culto acaba todos se reúnem atrás da igreja e assim todos podem almoçar juntos.

Te impressiona o fato, por exemplo, do mesmo estudo da Lição da Escola Sabatina feito na Índia também é o estudado no Brasil e em todos os países onde há presença adventista?

Sim, com certeza. Confesso que não sabia que ocorria da mesma forma em todos os lugares, mas sim, acontece! Na Índia todos levam a sério o estudo da lição e isso me impressionou muito, não só a lição mas o culto, a atenção com os visitantes, as divisões das classes, o louvor, o culto, e principalmente a união entre eles como irmãos.

Que outros aspectos você pode mencionar que faz da Igreja Adventista uma denominação de caráter mundial?

Acredito que a nossa doutrina é o aspecto que mais marca em nossa Igreja. As pessoas conseguem ver que realmente somos uma denominação diferenciada e não só uma igreja cristã qualquer. O cristianismo é um verdadeiro desafio aqui na Índia, aqui a liberdade religiosa é permitida, porém, é difícil alcançar as pessoas. As vezes penso em países próximos da região onde muitos nunca nem ouviram falar de Jesus, nem sabem quem foi ou o que fez, ou até mesmo não sabem porque não é permitido pregar, mas nada é impossível para Deus e Ele pode alcançar as pessoas de diversas formas. Acredito que muitas pessoas serão ainda tocadas pelo Espírito Santo.

Fui questionada aqui por que queria ir na Igreja Adventista e não em qualquer outra igreja cristã pelo bairro, respondi que existem diferenças doutrinárias e diferentes interpretações da Bíblia e isso me faz frequentar a Igreja Adventista pois ela prega o verdadeiro cristianismo. Expliquei a importância de frequentar a igreja e ter esse encontro com os irmãos e entender um pouco mais da Bíblia, mas na verdade, o mais importante é ser a igreja, é ter Cristo em nós.

Acredito que no fato da Igreja Adventista ser uma igreja com uma doutrina padrão, uma igreja que tem a Bíblia como um guia e a segue fielmente e guarda os mandamentos, uma igreja que demonstra amor ao próximo que se preocupa com a evangelização e com a entrega sincera das pessoas, uma igreja unida, organizada, onde os membros são a referência e não a igreja, o local.

Acredito que esse é o diferencial e o que faz a nossa igreja ser referência, pois realmente mostra Cristo as pessoas.

Este intercâmbio tem sido útil para você tanto no aspecto espiritual como pessoal. Deixe uma mensagem para a juventude adventista do Norte de Minas no sentido de que também possam estudar e conhecer outras culturas, outras realidades e transformar isto, em uma oportunidade para transmitir a mensagem de esperança.

Deus tem diferentes formas de alcançar as pessoas, por isso acredito que se nós permitirmos ser instrumento de Deus podemos fazer coisas inimagináveis. Deus tem o poder de nos capacitar e nos aprimorar para inúmeras funções, Ele quer que sejamos instrumento Dele, basta aceitar o convite. Se nós parássemos para pensar como as pessoas precisam de Deus, precisam conhecer e ter essa Luz, e pensar que eu, como uma pessoa que segue a Cristo, não posso guardar só para mim, tenho que transmiti – la para as pessoas, é uma missão.

A mensagem que quero transmitir é para que busquemos nos capacitar, aprender mais sobre o mundo, as culturas, as línguas e dialetos, sobre as tradições.

Outro ponto importante é estudar a palavra de Deus, temos tudo que precisamos em nossas mãos, só precisamos nos dedicar, nos misturar com outras pessoas, pois não sabemos quando e como Deus pode nos chamar para uma missão, seja ela qual for, as suas habilidades irão sim ser muito úteis na obra de Deus para alcançar muitas pessoas, incluindo seus vizinhos, amigos próximos, familiares, colegas de trabalho, pessoas de outros países, outras religiões. Permitir que Deus nos toque, para que assim mostrar Jesus, é essencial.

 

 

 

 

 

 

 

 

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