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É possível superar traumas da violência?

Depois de sofrer abuso físico, sexual e psicológico, Silvana* deu a volta por cima e encontrou a felicidade em Deus e no novo casamento.

Por Fabiana Lopess 24 de agosto de 2020
Mãos de casal que apresenta felicidade ou casamento.

Silvana* escolheu ser feliz e não viver do passado, a despeito dos traumas que sofreu. | Foto: Jasmine Carter, Pexels.

A violência pode acontecer de várias formas e ter vários envolvidos. Silvana* sofreu alguns tipos de abusos e em diferentes fases da vida. Porém, ela faz questão de contar sua história para encorajar outras mulheres a denunciar. Também, não é para menos! Passar por um tipo de abuso já é algo traumático, imagine quatro! Mas Silvana mostrou que mais do que sofrer, a vida também é feita de recomeços e ela pode ter sim um final feliz. (*Silvana é um nome fictício para a pessoa envolvida na história, que prefere não se identificar.)

Sua infância foi difícil. Seu pai era muito violento e por qualquer motivo ela e sua irmã mais velha apanhavam. O próprio pai fazia o pedido: ‘vão buscar três varinhas de goiabeira, pois vocês vão apanhar’. Silvana achava que era normal apanhar tanto e quase todo dia. Um simples pedido para ir ao banheiro, na hora da refeição, já era um motivo para a crueldade paterna.

Quando a mãe percebeu que as filhas corriam perigo com o pai, pediu que seu irmão mais novo cuidasse delas. Mas o alívio não aconteceria ainda. Conheça toda sua história:

Dados da Violência

Mulher com fitas na boca e a mão fechada com o dedo sinalizando silêncio. Uma representação do oposto da imagem: quebrar o silêncio.

20% dos homicídios no mundo são cometidos por familiares e 64% desses crimes têm as mulheres como vítimas. | Foto: Kat Jayne, Pexels.

Em 2018, foram registrados 14.796 casos de violência doméstica em todo o Brasil, que inclui agressão física (67%), psicológica (47%), moral (36%) e sexual (15%). Lamentavelmente desses casos, 60% das vítimas não denunciaram o agressor pois dependiam dele financeiramente.

Numa Pesquisa do Instituto DataSenado sobre violência doméstica e contra a mulher em 2017, 51% das entrevistadas disseram que as mulheres não são tratadas com respeito no Brasil. Ou seja, entre os lugares onde ocorre o desrespeito estão: a rua (54%), o lar (27%) e o trabalho (16%). Mais preocupante ainda é saber que apenas 20% dos casos de violência contra mulher são denunciados.

O Relatório de 2018 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) registrou os seguintes números de violência contra a mulher no mundo: 20% dos homicídios no mundo são cometidos por familiares, 64% desses crimes têm as mulheres como vítimas e 82% desses crimes, quando cometidos por parceiros íntimos, têm as mulheres como vítimas. (Fonte: Revista Quebrando o Silêncio 2020)

 

Leia também: Precisamos dialogar com quem está crescendo em um sistema de violência, afirma a promotora

 

Projeto ‘Quebrando o Silêncio’ completa 18 anos

Criado em 2002, o Projeto Quebrando o Silêncio é uma campanha educativa e de prevenção contra o abuso e a violência doméstica contra a mulher, a criança e o idoso, da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O Projeto portanto, abrange oito países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.

A campanha se desenvolve durante todo o ano, mas uma das suas principais ações ocorre sempre no quarto sábado do mês de agosto. Este é o “Dia de ênfase contra o abuso e a violência”, quando ocorrem passeatas, fóruns, escola de pais, eventos de educação contra a violência e manifestações na América do Sul. No entanto, por conta da pandemia, as ações deste ano estão restritas a ambientes menores, para evitar a aglomeração de pessoas.

O tema central deste ano é ‘Amores que matam’, fazendo alusão a não violência contra a mulher. Por incrível que pareça, as agressões contra a mulher podem acontecer em diversos lugares, além de ter o envolvimento de familiares, amigos, conhecidos ou desconhecidos.

A líder do projeto na região central do Rio de Janeiro, Adjane Firme, diz que para quebrar o silêncio e seguir adiante é preciso coragem e ousadia. “fala da Adjane”.

No dia 20 de agosto, uma live especial foi feita pela sede da Igreja Adventista na região Central do Estado do Rio de Janeiro, com o tema Violência contra a mulher. Com a participação de Darleide Alves, apresentadora da TV Novo Tempo; pastor Marcelo de Oliveira, que atua no distrito de Xerém, Rio de Janeiro, pastor Jean Abreu, secretário e líder de Comunicação da Igreja Adventista do Sétimo Dia na região Central do RJ e a jornalista Fabiana Lopes.

Como denunciar uma agressão?

Mãos cerradas com telefones úteis para denúncia de abuso ou violência.

A denúncia faz total diferença para ajudar a combater a violência. Denuncie! (Arte: Gabriela Machado, Foto: Pexels)

Para denunciar qualquer tipo de agressão, existem alguns canais como telefones, e-mails e aplicativos. Infelizmente, o principal impedimento para que a denúncia aconteça depende da vítima, que muitas vezes prefere não denunciar o agressor. Atualmente, os canais de atendimento têm dado maior encorajamento às vítimas de agressão, preservando sua identidade e até das testemunhas envolvidas no caso.

Aplicativo: Direitos Humanos Brasil – Permite fazer denúncias em tempo real, além do envio de vídeos e conversa por chat, além de gerar protocolo de atendimento para acompanhamento da denúncia. Disponível também para LIBRAS. Para ter acesso ao aplicativo, baixe na Play Store ou na Apple.

No Rio de Janeiro, as denúncias também podem ser feitas na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM). Então, clique aqui e tenha acesso a todos os endereços e telefones das catorze unidades em todo estado: duas na Grande Niterói (Niterói e São Gonçalo), quatro na Baixada Fluminense (Belford Roxo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São João de Meriti), três na Capital (Campo Grande, Centro e Jacarepaguá) e cinco no Interior (Angra dos Reis, Cabo Frio, Campos, Nova Friburgo e Volta Redonda).

DGPAM – Departamento-Geral de Polícia de Atendimento à Mulher

Rua da Relação, 42 – 11º andar – Centro

Rio de Janeiro – RJ, Cep 20231-014

Telefones: (21) 2334-9749 / 2334-9814 ou (21) 99288-6369

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