Notícias Adventistas

Gente

De complicações pós-parto a um transplante: o poder da oração na família de um músico

Oração sempre esteve presente em diferentes momentos na vida da família de Geraldo Bispo


  • Compartilhar:
Geraldo Bispo comemora recuperação após receber transplante de fígado. (Foto: Arquivo pessoal)

Após a ingestão de um lanche durante uma viagem em 2019, o músico Geraldo Bispo sentiu um forte mal-estar. Apesar de não ser constante, esse mesmo incômodo ocorreu em algumas ocasiões. Ele imaginava se tratar de algum problema estomacal simples, sem gravidade. Entretanto, em dezembro de 2021, após não se sentir bem, ele procurou um hospital de Blumenau, em Santa Catarina, cidade onde mora com sua esposa, Vivian Sartorti Bispo, e suas filhas gêmeas, Ester e Rebeca, de 6 anos.

Durante o atendimento médico, foram solicitados alguns exames. Para a sua surpresa, foram diagnosticadas tromboses gravíssimas em duas importantes veias da região abdominal. "Quando você tem tromboses deste nível, normalmente 95% dos casos levam ao óbito. É raríssimo a pessoa escapar desse tipo de doença porque ela é muito silenciosa. Ela entope as veias e a pessoa morre", detalha Geraldo. Devido à gravidade da doença, ele foi rapidamente encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Após melhora em seu quadro clínico, recebeu alta hospitalar.

Leia também:

De acordo com a equipe médica que atendeu o músico, os mal-estares e as tromboses em suas veias eram consequências de um problema no fígado. Ainda em dezembro de 2021, no período da internação na UTI, Geraldo precisou rapidamente entrar na fila de transplante de fígado. "Eu recebi a notícia que o meu tempo de vida era muito curto. O doutor Daniel, que é o meu médico, chegou para mim e disse que eu tinha de 60 a 90 dias de vida, no máximo", lembra.

Mediante a complexidade de seu problema e a possível demora para receber o transplante, Geraldo chegava a imaginar que iria morrer, que não daria tempo de receber o novo órgão. Mas todas essas circunstâncias dramáticas em sua vida não o fizeram perder a fé e a esperança por um milagre. E mesmo que o pior pudesse ocorrer, permanecia calmo e confiante nos planos de Deus.

A esperada ligação

Nove dias após ter seu nome incluído na lista de transplante de fígado, Geraldo recebeu a tão sonhada ligação do hospital informando que ele seria transplantado. "Quando tocou o telefone, aí sim deu um friozinho na barriga. Logo em seguida, eles falaram que eu deveria estar no hospital no outro dia pela manhã para fazer a preparação para a cirurgia", conta o músico.

Geraldo recebeu o transplante em um momento pouco favorável, já que segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados em setembro do ano passado, havia mais de 50 mil (50.218) pessoas em busca de órgãos ou tecidos no Brasil. Para piorar a situação, houve considerada redução do número de doadores efetivos devido ao cenário de pandemia da Covid-19, conforme consta em levantamentos da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

Resposta à oração

O transplante ocorreu no dia 18 de dezembro de 2021. Após mais de sete horas de uma cirurgia bem-sucedida, finalmente Geraldo estava com seu problema de saúde resolvido. Ele diz que antes da cirurgia, já na cama hospitalar, orou a Deus e pediu Sua proteção. Sete dias depois da cirurgia, recebeu alta da unidade médica e pôde passar o Natal e o aniversário de suas duas filhas, comemorado em 26 de dezembro, em sua casa, com familiares.

Geraldo Bispo no hospital antes da cirurgia (Foto: Arquivo pessoal)

O músico atribui sua recuperação ao cuidado de Deus e às orações da igreja, amigos e familiares. "Eu não sei quantas pessoas oraram por mim, mas eu sei que teve muita oração. Não só em nossa igreja, mas como várias outras congregações, como a luterana de Pomerode (SC), evangélicos, batistas, metodistas e o pessoal da Assembleia de Deus. O nosso Deus é fenomenal, Ele move corações por causa de um ser insignificante como eu", agradece Geraldo.

Atualmente, ainda em período de recuperação, Geraldo se sente bem e mantém sua rotina diária de trabalho e atenção à família. Ele leciona no Colégio Adventista de Blumenau (CAB) e é pianista voluntário da igreja adventista central de Blumenau. Anteriormente ao seu problema de saúde, atuava em alguns cargos de liderança em sua igreja local.

A oração sempre esteve presente na família do Geraldo. Antes de enfrentar os problemas graves que quase culminaram em sua morte, eles já tinham o hábito de confiar plenamente no poder de Deus. Houve outras circunstâncias difíceis na trajetória da família, mas eles seguiram confiantes nos planos de Deus. Alguns desses momentos estão retratados na sequência desta reportagem.

Sonho de serem pais e complicações pós-parto

Por cerca de 14 anos, ele e sua esposa, Vivian Sartorti Bispo, esperavam e sonhavam em serem pais. No entanto, ela tinha uma comorbidade no sistema reprodutor que a impossibilitava de ficar grávida. "Os óvulos da minha esposa craquelavam e se rompiam", explica Geraldo. Após o casal procurar ajuda em uma clínica fora do Brasil, Vivian ficou grávida de gêmeas. Suas filhas, Ester e a Rebeca, nasceram em 26 de dezembro de 2015.

Geraldo segurando Ester e Vivian segurando Rebeca, no início de 2016 (Foto: Arquivo pessoal)

Assim que nasceu, Rebeca foi para o berçário por apresentar boa saúde, mas Ester precisou de maior atenção médica. "Infelizmente, a Ester teve complicações pós-parto. Desconfia-se que seja uma infecção hospitalar que ocasionou uma paralisia cerebral e uma surdez profunda. Dali para frente, a minha vida começou a mudar", conta Geraldo.

O músico até chegou a cogitar em aprender libras para se comunicar com sua pequena Ester, mas não seria possível por conta da limitação motora dela em decorrência da paralisia cerebral. Ele começou a fazer várias viagens para São Paulo e Brasília devido aos tratamentos médicos de Ester. Ele conta que durante essas viagens, Deus proporcionou várias oportunidades para que testemunhassem de sua fé.

A exemplo disso, certa vez ele estava trocando a fralda de sua filha no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e notou que um senhor olhava muito para eles, até que ele se aproximou para pedir ajuda. Disse que não sabia ler e, por isso, precisava de ajuda para identificar qual o portão de embarque que constava em sua passagem.

Geraldo segurando Rebeca e Vivian segurando Ester (Foto: Arquivo pessoal)

Ao ler o bilhete de embarque, Geraldo viu que o voo do homem era para a cidade de Navegantes, em Santa Catarina, ou seja, o mesmo destino dele e sua filha. Já na fila para ir ao avião, Geraldo notou que o senhor segurava em suas mãos uma sacola com o livro Em Busca de Esperança, de autoria de Ellen White.

Impressionado com o que viu, o músico perguntou se o homem era adventista do sétimo dia. Ele disse que não, que era de outra igreja, e que ganhou o livro de uma moça que estava no mesmo voo que ele entre o Ceará e São Paulo. "Eu conversei muito com ele, pedi para ele ler o livro [posteriormente]. Ele dizia que não sabia ler, mas que pediria para o filho fazer isso para ele", testemunha Geraldo.

Ouvindo pela primeira vez

Há quatro anos, a pequena Ester fez o implante coclear bilateral. Com isso, ela teve 100% da recuperação de sua audição. O implante coclear ou “ouvido biônico” é um aparelho eletrônico digital de alta complexidade tecnológica, que tem sido utilizado para restaurar a função auditiva nos pacientes portadores de surdez severa a profunda que não se beneficiam com o uso de próteses auditivas convencionais, explica, em seu site oficial, o Grupo de Implante Coclear do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)

Aparelho coclear implantado em criança. (Foto: Reprodução / Clínica Otogrupo).

Geraldo e sua família são gratos a Deus pelas proteções nas ocasiões de adversidade. Em dezembro, ele contou sua história para centenas de fiéis na igreja onde frequenta. O vídeo está disponível no YouTube, e pode ser acessado aqui.


Divisão Sul-Americana Divisão Sul-Americana

Av. L3 Sul - SGAS 611
Conj. D, Parte C
Brasília - DF
70200-710
(61) 3710-1818
Nossas redes sociais