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Como os desbravadores superaram dificuldades financeiras para estar no Campori

Do adolescente que vendeu alho pelas ruas da Paraíba ao conselheiro que abriu mão de duas semanas de salário para ir ao evento.

Por Fernanda Beatriz 8 de janeiro de 2019

Eduardo arrecadou 700 reais vendendo alho para custear as despesas com a viagem (Foto: Leônidas Guedes)

O Campori Sul-americano representa a recompensa pelas atividades que cada clube precisou desenvolver nos últimos meses. Mas, além do empenho em equipe, desafios individuais tiveram de ser vencidos, a maior parte deles com relação ao planejamento financeiro para custear as despesas da vinda a Barretos, no interior de São Paulo.

Para o adolescente Eduardo Rodrigues, de 14 anos, uma das mais importantes provas para estar no evento foi vencida nas ruas de Campina Grande, na Paraíba, vendendo alho de porta em porta. “Eu colocava quatro cabeças de alho num saquinho e vendia a dois reais, pelo meu bairro. Com o dinheiro apurado, paguei a passagem e ainda comprei as coisas que precisava para trazer”, explica.

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Ele faz isso desde o fim de 2017. A princípio, o propósito era ajudar a família porque o pai estava desempregado. Mas o adolescente tomou gosto pelo empreendimento e continuou as vendas mesmo quando o pai conseguiu trabalho. Desde agosto do ano passado, os lucros foram destinados para pagar as despesas da ida ao acampamento.

Venda de biscoitos garantiu inscrição de crianças carentes

Grupo chegou a Barretos graças à ajuda de outras pessoas (Foto: Leônidas Guedes)

O Clube Irapuã, situado no bairro de Guadalupe, no Rio de Janeiro, arcou com quase todas as despesas para trazer 32 desbravadores para o encontro. De acordo com o guia de turismo Eduardo Avellar, diretor associado do clube, a diretoria mobilizou padrinhos e promoveu a venda de biscoitos.

“Nossa região é bastante carente e fica numa área dominada pelo tráfico. Então o recurso que veio da parte deles [dos desbravadores] foi pouco, por isso, a diretoria fez uma captação de recursos para pagar todo o valor: inscrição, alimentação e transporte”, enumera Avelar.

Sem salário por 16 dias

Miranda ficará duas semanas longe do trabalho para participar do encontro sul-americano (Foto: Fernanda Beatriz)

Enquanto alguns participantes concentraram esforços para conseguir dinheiro, o balanceiro de frigorífico Kelven Miranda abriu mão de parte de seu salário para estar no Campori.

Sem conseguir antecipar as férias, Miranda saiu de Ji-Paraná, em Rondônia, no dia 3 de janeiro. Percorreu quase 2,3 mil quilômetros de ônibus com seu clube, o Raios do Sol, e chegou a Barretos no dia 7 para participar da edição Alpha. Após o evento, retorna de ônibus com previsão chegar em casa no dia 19.

“A empresa disse que, se eu quisesse, poderia vir, mas que vai descontar os dias não trabalhados do meu salário”, afirma Miranda ao enfatizar que todo o esforço valerá a pena. “Desde criança eu sempre quis participar deste acampamento, porém nunca deu. Desta vez eu consegui”, comemora.

O garoto que vendeu panos de prato

Bom desempenho nas atividades do clube e disposição para vender panos de prato garantiu participação de Augusto no Campori (Foto: Arquivo pessoal/Augusto Faria)

O adolescente Augusto Faria, de 12, de Nova Iguaçu (RJ), entrou no Clube de Desbravadores no ano passado. Mas, com o pai desempregado, não viu possibilidade de conseguir se inscrever no Campori. Mas, um raio de esperança surgiu quando Augusto recebeu um prêmio pelo seu bom desempenho no clube ao longo do semestre: um cheque no valor da inscrição do evento.

Para cobrir o restante das despesas, a mãe dele, Andrea Azevedo, confeccionou panos de prato e o adolescente vendeu todos pela vizinhança e arrecadou dinheiro suficiente para também levar a irmã, Guiliana Faria.

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