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Como é viajar em uma Kombi que na verdade é uma casa

Kombi encontrada num ferro velho trouxe um novo significado para as férias em família e comporta sala, quarto, cozinha e até banheiro.

Por Fernanda Beatriz 12 de janeiro de 2019

Para entrar no clima do Campori, família optou por dormir em barracas durante o evento (Foto: Ellen Lopes)

Imagine viajar e poder levar sua casa junto. Esta tem sido a rotina da família Melo, que veio ao V Campori Sul-Americano a bordo de uma Kombi apelidada de Benedita. Foram 3,8 mil quilômetros rodados entre a cidade de São Miguel do Gostoso, no litoral do Rio Grande do Norte, onde moram, até Barretos, interior de São Paulo.

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Os professores Sorley Audrey e Cynthia Lins viajaram com os três filhos de 16, 8 e 6 anos. Eles saíram no dia 24 de dezembro e chegaram ao Parque do Peão no dia 8 de janeiro. No trajeto, fizeram pausas para conhecer cidades de Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Relatos sobre a viagem têm sido publicados periodicamente na página da Benedita nas redes sociais.

Foram 3,8 mil Km rodados com a Benedita para chegar ao Campori (Foto: Arquivo pessoal / Cynthia Lins)

A cada pausa para abastecer pelo caminho, os funcionários dos postos ficavam curiosos para conhecer a casa móvel. Eles, então, abriam as portas do veículo para mostrar a estrutura feita totalmente por eles.

O banco de trás é usado como sofá e, à noite, vira cama. Pequenos armários fixados no teto guardam as roupas da família. Na lateral, uma bancada exibe, na maior parte do tempo, objetos decorativos, mas esconde a estrutura da cozinha: pia com torneira, mini-fogão, botijão de gás e armário que guarda utensílios.

No canto, um frigobar garante a água gelada graças a um painel solar fotovoltaico instalado na Kombi. O sistema também possibilita ligar o liquidificador, carregar os celulares e oferece água aquecida para o chuveiro instalado do lado de fora, na parte traseira do automóvel. E, como em todo banheiro, na Kombi também tem vaso sanitário. Basta levantar o assento de um dos puffs da sala para encontrá-lo.

Como é morar numa Kombi?

Espaço interno foi projetado e construído pelo casal para atender as principais necessidades do dia a dia (Foto: Ellen Lopes)

A rotina na casa de 4m² exige paciência e organização. “Quando a gente acorda, desmonta as camas e monta o “modo cozinha” para preparar o café da manhã e, geralmente, já faz também o almoço. Depois, nós transformamos no “modo carro” e seguimos viagem”, explica Cynthia, que também é diretora associada do Clube Atlântico Norte.

A experiência de morar dentro de um veículo nas altas temperaturas de Barretos pode parecer sinônimo de muito calor. Mas a isolação térmica instalada no teto garante a manutenção de temperaturas agradáveis, seja em ambientes frios ou de calor.

Os filhos aprovaram a estrutura. “Morar aqui está sendo bem confortável. Meus pais pensaram em tudo”, garante Cyliam Lins, de 16 anos.

Após o Campori, eles pretendem continuar viagem até o Chile e retornar para o Rio Grande do Norte somente no início de março.

“Nós queríamos viver uma experiência com a família. De férias em casa não estaríamos tão próximos quanto aqui, pois dormimos todos no mesmo ‘quarto’. Eu acho que todo mundo deveria viver um pouquinho disso, porque, na verdade, as pessoas sobrevivem. A gente trabalha, trabalha e depois morre”, analisa Sorley.

Experiência ensina a viver mais com menos

“A felicidade está no sorriso dos nossos filhos”, conclui a mãe (Foto: Arquivo pessoal / Cynthia

Além de estar mais próxima, a família tem aprendido importantes lições sobre consumo consciente. “Essa viagem tem mostrado que a gente precisa de muito menos para viver. A humanidade tem se tornado muito consumista, mas a gente não precisa de nada disso para ser feliz. A felicidade está no sorriso dos nossos filhos”, assegura Cynthia ao garantir que, se for para acumular alguma coisa, eles preferem que sejam apenas as boas memórias dos momentos vivenciados na viagem.

A Kombi Benedita

Kombi encontrada num ferro velho, prestes a ser desmanchada, trouxe um novo significado para as férias em família (Foto: Arquivo pessoal / Cynthia Lins)

A Kombi Clipper, ano 1986, foi encontrada por Sorley há quase cinco anos, encostada num ferro velho. Ele precisava de um veículo grande para transportar os desbravadores do clube Atlântico Norte para as atividades realizadas na região. Então, não pensou duas vezes e a comprou. “Era engraçado. Às vezes a Kombi dava defeito e muitas vezes os meninos precisavam empurrar”, recorda.

O automóvel também teve muita utilidade durante a construção do primeiro templo adventista de São Miguel do Gostoso. Transportou de materiais de construção e até água.

Recentemente, Sorley a colocou à venda por R$ 3 mil. “Mesmo nesse preço tão baixo, as pessoas olhavam para ela, diziam que iam pensar e ninguém comprava. Talvez porque me viram carregando tijolo e areia e pensavam que a Kombi estaria muito acabada”, afirma.

Com a falta de compradores interessados, o casal teve a ideia de reformá-la e transformá-la em um motorhome, ou seja, um carro que oferece estrutura para morar.

“A gente pensou: por que não? A gente tem uma Kombi que ninguém quer comprar porque está velhinha, mas dá para espremer e sair um caldinho”, brinca Cynthia.

A reforma começou em novembro e terminou na véspera da vinda ao Campori. “A única coisa da Benedita que foi feita por outra pessoa foi a lanternagem e a pintura. No restante, a gente colocou a mão na massa e fez cada detalhe”, explica a mãe.

Agora que a Benedita está com novo visual, surgiram compradores, mas o casal não consegue atribuir um valor financeiro ao veículo, apenas emocional. “Essa Kombi tem muita história. Ela ajudou o clube a crescer, foi muito útil na construção da igreja, então não tem preço”, avalia Sorley.

Conheça mais detalhes sobre a Benedita:

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