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Diariamente, colportor percorre 10 km para compartilhar a Bíblia na região serrana do Rio

Marcos Ferreira da Silva transita pelas estradas vicinais para levar livros sobre saúde e crescimento religioso

16 de maio de 2018

Por Douglas Pessoa

Marcos abraçou a colportagem: “É meu ministério”.

O clima ameno do outono ajuda a diminuir a sensação de calor do homem bem vestido que caminha pelas estradas rurais do município de Areal, na turística região serrana do Rio de Janeiro. O barulho gerado pelo atrito entre o sapato social e as pedras quebra o silêncio da paisagem bucólica. O dono desses passos caminha apressadamente.

O dia começou e, com ele, a meta de casas, fazendas, chácaras e sítios que deverão ser visitados até o sol se esconder atrás dos morros. Essas visitas já são aguardadas por uns e serão surpresas para outros. Um trabalho diferente que vem chamando a atenção dos moradores e que gera um profundo sentimento de dever cumprido em Marcos Antônio Fortes, o colportor que caminha 10 quilômetros para levar saúde e esperança através da literatura.

Fortes nasceu e cresceu em uma das pequenas vilas que formam a Comunidade Quilombola de Areal. Reduto de escravos que fugiam das lavouras de café do Vale do Paraíba no século passado, a região é habitada por descendentes que consideram esse pedaço de terra propriedade de todos a comunidade. Já adulto e com sua família constituída, ele precisou trabalhar na cidade para garantir o sustento da esposa e dos filhos. Encontrou emprego em um pequeno shopping.

Lá, era responsável por cuidar do bem-estar do clientes. Foi então que sua vida adquiriu um rumo que não havia sido previsto. “No meu trabalho eu pegava o controle da TV e, às vezes, trocava de canal para os clientes assistirem, enquanto aguardavam atendimento. Em uma dessas trocas, me deparei com a TV Novo Tempo. No dia seguinte, também sintonizei nesse canal pois estava gostando muito do que era apresentado”, conta.

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Por ser seu local de trabalho, Marcos não podia ficar vendo TV. Foi então que decidiu comprar um chip de celular com plano de internet para poder assistir em casa, com sua família. “Eu queria trazer aquelas verdades para minha esposa e meus filhos”, complementa. Todos gostaram da novidade. À medida que iam aprendendo sobre a Bíblia, começavam a mudar seu estilo de vida para se adequar às recomendações divinas. “Quando você conhece os caminhos de Deus, algumas decisões precisam ser tomadas. Uma delas foi quanto ao meu trabalho. Eu não poderia mais comparecer aos sábados”, relata. Assim, no início fez esforços para ajustar as escalas de modo que suas folgas caíssem nos sábados. Mas isso não foi possível e ele acabou demitido.

“Foi então que nossa situação financeira começou a se complicar. Eu precisava garantir o sustendo dos meus filhos e o dinheiro faltava cada vez mais”, confessa. Marcos conta que começou a vender objetos pessoais para não deixar que o alimento faltasse em casa. “Nessa época nós já estávamos frequentando a igreja. Lembro que o último objeto que precisei vender foi um secador de cabelo da minha esposa”, relembra. Mesmo com tantas dificuldades, Marcos e sua família estavam determinados em seguir o novo caminho. Para eles, uma vez que haviam conhecido as recomendações bíblicas que faziam sentido, não havia como voltar atrás. A família inteira acreditava com fé em uma providência divina.

Uma porta aberta

Marcos não se contentava que apenas sua família conhecesse a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD). Por isso, ele começou a organizar reuniões em Pequenos Grupos em sua própria residência para estudar a Bíblia e assistir à TV Novo Tempo. Essa iniciativa resultou, num primeiro momento, em cinco decisões pelo batismo. Mas a situação financeira apertava cada vez mais e ele não via saída para um trabalho que se hamonizasse com o descanso sabático. Foi então que o Leiz Medeiros de Lima, pastor responsável pelas igrejas da região de Areal, lhe fez uma proposta que uniu ganho financeiro e espiritual.

Marcos tem ajudado a levar mensagem cristã para os quilombolas.

“Ao olhar para o Marcos eu vi que ele era uma pessoa apaixonada pela missão. Percebi que ele tinha o perfil ideal para o projeto que estava sendo colocado em prática aqui”, conta. O projeto mencionado consistia no trabalho conjunto entre o pastor e o colportor, profissional que trabalha vendendo livros e revistas sobre saúde, religião e família produzidos pela Casa Publicadora Brasileira. Chamado de Os Dois Ministros, ele tem como objetivo criar um ponto de apoio para ambos. Além de comercializar, o colportor estimula o aprendizado do cliente, e o pastor o ajuda a se aproximar da Igreja. Um trabalho que garante o sustento material do colportor e o aprendizado religioso da pessoa com quem ele entrou em contato.

Marcos aceitou prontamente. Colocou os primeiros livros sobre em uma mochila, vestiu o terno, calçou os sapatos sociais e incorporou as estradas rurais à sua rotina. “Todos os dias eu caminhava de 10 a 11 quilômetros para oferecer livros nas casas das pessoas. Parece muito, mas eu fazia isso com muita garra e vontade. Os ganhos começaram a aparecer e a situação da minha família só teve melhoras”, comemora. Ele usa o verbo caminhar no passado porque após meses de trabalho, ganhou de presente duas bicicletas doadas pelo Ministério de Publicações da sede administrativa da Igreja no Rio. Uma para ele e outra para a esposa, sua companhia fiel.

Marcos e esposa durante a formatura

A entrega aconteceu durante a programação na qual a Igreja reconheceu publicamente o esforço e o empenho de Silva na colportagem. Na templo adventistas central de Areal foi organizada uma cerimônia de formatura na qual ele foi condecorado com um certificado de reconhecimento pelo trabalho. Usando beca e com sorriso no rosto, Marcos deixou claro para os presentes a felicidade e satisfação que tem de ser um colportor e participar do projeto Os Dois Ministros. Um dia de celebração que serviu de exemplo e inspiração para decisões por estudos da Bíblia.

Mas o trabalho continua. Agora, os pés dentro do sapato social pedalam apressadamente pelas estradas da região serrana, um ganho de tempo que o ajuda a visitar ainda mais pessoas. Para ele, tudo o que aconteceu foi plano divino. “Eu acredito que o projeto Os Dois Ministros é um plano de Deus. E tudo que é plano de Deus não falha e só traz bênçãos para nossas vidas. Qualquer pessoa que quiser entrar para esse projeto não deve ter dúvidas. Deus está presente nisso”, estimula.

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