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Brasil tem 35 mil pessoas à espera de transplante

País é o segundo que mais realiza transplantes no mundo. Apesar disso, a população ainda precisa compreender a importância do ato.

Por Fabiana Lopes, com informações de Camila Torres 10 de maio de 2019

Roberto (esquerda) recebeu a doação do amigo Carlos (direita). Eles contaram a história no Programa Encontro, da TV Globo. (Foto: TV Globo)

A doação de órgãos é um ato que pode salvar vidas. Muitas vezes, o transplante pode ser a única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço. Roberto e Carlos são exemplo de uma amizade que resultou na doação de rim após seis anos de hemodiálise feita por Roberto. A cirurgia aconteceu há cinco anos, no Hospital Adventista Silvestre.

O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão (coração, fígado, pâncreas, pulmão, rim) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de uma pessoa doente (receptor) por outro ou tecido normal de um doador, vivo ou falecido.

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Segundo o site do Ministério da Saúde, o Brasil é referência mundial na área de transplantes e possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Atualmente, cerca de 96% dos procedimentos de todo o País são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Apesar dos esforços, a fila de espera por um órgão, no primeiro trimestre de 2019, contava com aproximadamente 35 mil pessoas, de acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.

Roberto e Carlos no hospital em que foi realizado o transplante (Foto: Reprodução)

Os pacientes recebem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante, pela rede pública de saúde.

Em 2017 foram realizados 5.948 transplantes de rins no País, tendo a região Sudeste com o maior índice de cirurgias. O Estado de São Paulo realizou 2.108 transplantes, seguido por Minas Gerais com 620 e Paraná com 607.

Conheça Roberto e Carlos, amigos que realizaram o transplante há cinco anos no Hospital Adventista Silvestre e contaram sua história de amizade e solidariedade no programa Encontro, da TV Globo, no dia 29 de abril:

Para trazer mais informações sobre o assunto, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com o doutor Eduardo Fernandes, cirurgião especializado em transplantes de órgãos abdominais pela Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos. Hoje ele atua no Hospital Adventista Silvestre (HAS) como coordenador do Programa de Transplantes.

Que tipo de transplantes o Silvestre realiza?

Realiza transplante de fígado e rins.

Qual a estimativa de transplantes já realizados pela instituição?

Estima-se que o Hospital já realizou quase mil transplantes e esperamos manter a média de 100 transplantes anuais. O Programa de Transplantes do Hospital Adventista Silvestre é reconhecido mundialmente e possui uma trajetória vitoriosa.

O programa tem centro de treinamento, onde ocorre a capacitação dos profissionais, e possui um processo de internacionalização, com a especialização dos profissionais brasileiros a partir do intercâmbio com algumas das mais importantes instituições do mundo, caso da Universidade de Oslo (Noruega), Nebraska (EUA) e Santiago (Chile). No Hospital Adventista Silvestre nós formamos, qualificamos e investimos na especialização de cirurgiões, hepatologistas e anestesistas.

Como funciona o processo para realizar o transplante? Como o paciente entra na fila?

Para saber se o paciente pode entrar na fila dos transplantes é realizada uma série de exames. No caso de transplantes de fígado, os resultados dos exames são avaliados e é produzido um número de MELD: Model for End-stage Liver Disease – usado para qualificar a urgência de transplante de fígado. Quanto maior o número MELD, maior a urgência para realizar o transplante. Os transplantes são realizados pelo Sistema Único de Saúde.

Depois de realizado o transplante, quais são os cuidados que o paciente deve ter?

Após a realização do transplante, o paciente que recebeu o órgão deve tomar remédios contra rejeição a vida inteira e deve ter acompanhamento médico rotineiro. O contato com médico é de extrema importância, já que, é preciso monitorar o órgão transplantado de uma possível rejeição e acompanhar o estado de saúde do paciente regularmente.

Se um amigo ou membro da família quiser ser o doador, como é o procedimento?

Esse tipo de procedimento, de doador vivo, é destaque no HAS. Para um amigo ou membro da família poder doar o órgão, o candidato deve atender alguns pré-requisitos: ter menos de 50 anos, estar saudável, não ser obeso, não ter diabetes ou outras doenças crônicas que prejudiquem a saúde de modo geral.

Para ser doador de órgãos é necessário informar à família sobre o desejo de ser um doador, pois no Brasil, apenas os familiares podem autorizar a doação. Existem dois tipos de doadores: doador vivo, que pode doar rim, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão; e o doador falecido, paciente com morte encefálica, geralmente vítima de catástrofe cerebral, como traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral). No segundo caso, há necessidade de autorização da família para realizar a doação.

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