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Após vencer o câncer, garota de 12 anos desenvolve ministério de evangelização

Maria Eduarda Caldas é de Andradas (MG), escreve e ministra sermões em igrejas de Minas Gerais e São Paulo

6 de junho de 2018

Por Fernanda Beatriz

Pregadora mirim apresenta sermão durante a Semana de Evangelismo do Ministério da Mulher, na Igreja Adventista Central de Três Corações (MG)

Ela é meiga e tem o mesmo tamanho que as outras garotas da sua idade. Mas, quando começa a falar sobre a Bíblia, surpreende a todos pela maturidade com que aborda os assuntos. Maria Eduarda Caldas, de 12 anos, inverte a lógica comum. Ainda criança, foi a primeira pessoa da família a frequentar a igreja e influenciou parentes ao batismo. Há três anos, a garota escreve e ministra sermões para plateias de todas as idades.

No último sábado (2), a pregadora mirim iniciou a Semana de Evangelismo do Ministério da Mulher na Igreja Adventista Central de Três Corações, no Sul de Minas Gerais. O projeto é realizado de 2 a 9 de junho, em cerca de duas mil igrejas situadas nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, e é desenvolvido pelas mulheres adventistas com o objetivo de apresentar temas bíblicos à comunidade, através de cultos e outros encontros especiais.

Usando o uniforme do projeto Mensageiras da Esperança, Maria Eduarda pregou sobre o comportamento do cristão e motivou as mulheres a serem evangelistas.

Assista ao vídeo com um trecho do sermão:

A garota já pregou em igrejas de várias cidades de Minas Gerais e também do Estado de São Paulo. Todas as mensagens são escritas por ela. “Eu procuro ver o que a igreja necessita e, quando eu não conheço a igreja, consulto muito a Deus para que ele nos mostre o que deve ser pregado naquele local. É a força do Espírito Santo que move a minha vida para poder preparar cada sermão. O meu sonho é espalhar as boas-novas de cristo, pois Ele está voltando”, enfatiza.

Luta contra o câncer foi ponto de partida para o desenvolvimento da fé

Quem assiste a um sermão ministrado por Maria Eduarda pode ficar impressionado com a habilidade da garota de aplicar do conteúdo da Bíblia às situações do dia a dia de forma madura. É que a espiritualidade foi desenvolvida cedo na vida dela. Aos três anos de idade, foi diagnosticada com um câncer nas glândulas suprarrenais, que atingiu também a medula óssea. O tratamento incluiu um transplante de medula, quimioterapia e radioterapia.

“Maria Eduarda praticamente não tinha chance de vida, chegamos a assinar um termo de responsabilidade porque ela poderia não aguentar passar pelo transplante. Mas ela enfrentou tudo com muita força e fé. Chegou a passar 30 dias deitada numa cama, com uma sonda no nariz e não reclamava, nem chorava”, recorda Vanilda Caldas, mãe de Maria Eduarda, que, além do sofrimento da filha, também precisou enfrentar os desafios pertinentes ao ambiente hospitalar. “Vi muitas crianças que tinham a mesma doença que ela morrerem. Algumas mães chegavam a pedir para que Deus tirasse a vida de seus filhos para que eles parassem de sofrer. Eu tinha medo de chegar a esse ponto”, relata Vanilda.

Mudança de escola incentivou busca por conhecimento bíblico

Maria Eduarda recebeu alta do tratamento aos sete anos de idade e, ao voltar para sua rotina normal, mudou de escola. Passou a estudar mais perto de casa, na Escola Adventista de Andradas. Nas aulas, passou a ter contato com as histórias da Bíblia e se interessou em conhecer a Igreja Adventista. Aos sábados pela manhã, o pai a deixava na igreja e seguia para o trabalho.

A garota começou a fazer um curso bíblico e pediu para ser batizada. Nesse período, ela conversou com os pais sobre a importância de priorizarem a prática da religião. A mãe dela aceitou ser batizada e outros parentes também. “Uma vez ela conversou muito sério conosco e disse: ‘Deus me deu a cura, o papai voltou a trabalhar e a gente simplesmente deu as costas para Jesus, cada um está cuidando da sua vida, mas agora está na hora de vocês se voltarem para Jesus’”, recorda Vanilda, ao reconhecer a influência da filha para a espiritualidade da família.

Descoberta do dom  

O interesse em ministrar sermões nasceu quando Maria Eduarda foi apresentar o estudo da lição da Escola Sabatina à frente da igreja, no primeiro sábado de 2016, na Igreja Adventista Central de Andradas, cidade onde mora. Naquele dia, ela descobriu uma atividade que gostaria de repetir. “Eu já havia tentando cantar e tocar teclado, mas não havia dado certo. Quando eu apresentei a lição, senti um chamado de Deus e nunca mais quis largar o púlpito”, explica Maria Eduarda. No mesmo mês, a menina escreveu um sermão e pediu aos líderes da igreja para pregar em um culto.

Atualmente, a agenda da garota é organizada pela mãe e as pregações costumam ocorrer uma ou duas vezes ao mês, para que a preparação dos sermões não interfira nas atividades comuns à idade dela, como estudar e estar com os amigos.

A história e a habilidade de Maria Eduarda foram mostradas em reportagem exibida pela TV Andradas, emissora do Sul de Minas Gerais.

Assista à reportagem:

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