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IASD Pênfigo realiza ação social em ONG que atende crianças vítimas de abuso sexual

A ONG existe há cinco anos e são 20 casas de apoio espalhadas pelo Brasil.

26 de novembro de 2014

Campo Grande, MS… [ASN] Nos olhos pequenos era possível ver o brilho de quem recebe amor e carinho como algo que até um tempo atrás não fazia parte da rotina deles. Crianças de 0 a 12 anos, meninos alegres, saudáveis, enérgicos, mas com uma história triste em comum: o abuso sexual e a violência doméstica.

A diretora do Ministério da Mulher da IASD Pênfigo, Márcia Marques, durante a entrega das cestas.

A diretora do Ministério da Mulher da IASD Pênfigo, Márcia Marques, durante a entrega das cestas.

Essa é a história de 30 crianças que fazem parte da ONG “Meninos e meninas dos olhos de Deus”, em Campo Grande – MS. No último fim de semana a ONG recebeu a visita de membros da igreja adventista do Pênfigo, através de um projeto social criado pelo Ministério da Mulher da igreja, em parceria com o Clube de Desbravadores (Cosmos) e de Aventureiros (Cosmos Kids). Juntos, os membros entregaram diversas cestas recheadas com frutas e legumes, presenteando as crianças com a alimentação saudável.

“Nós estamos maravilhados com a iniciativa da igreja, recebemos várias doações de alimentos de outras instituições, mas, em geral as doações são de arroz, feijão, açúcar, sal, etc. Frutas e legumes não recebemos e geralmente falta no cardápio deles, por isso é um presente e tanto”, comenta Zuleica Marques, coordenadora do projeto.

O projeto nasceu no Nepal, segundo conta Aluisio Marques, marido de Zuleica e coordenador da ONG junto com a esposa. “O médico missionário José Rodrigues, da igreja Missão Cristã Mundial, foi ao Nepal a serviço e se deparou com a triste história de crianças vendidas para prostituição. A pobreza do país levava os pais a venderem os filhos por míseros centavos e foi quando o doutor José se deparou com a história de uma menina de oito anos, violentada por mais de 20 homens por conta desse mercado negro”, conta.

Membros da IASD Pênfigo com os coordenadores da ONG Meninos e Meninas de Deus, durante ação social.

Membros da IASD Pênfigo com os coordenadores da ONG Meninos e Meninas de Deus, durante ação social.

A história triste da criança deu ao médico a ideia de criar uma ONG que cuidasse dessas crianças. A igreja no Brasil começou então a destinar dinheiro de vendas de CDs – inclusive o grupo gospel Diante do Trono destinou a verba da venda de um de seus DVDs para o projeto no Nepal – e a partir disso nasceu a ONG. De lá pra cá foram anos de cuidados e histórias de vidas transformadas.

Aqui no Brasil a ONG existe há cinco anos e são 20 casas de apoio espalhadas pelo Brasil. Em Campo Grande existem três casas: duas atendem meninas vítimas de abuso sexual, de 0 a 18 anos, e uma delas – a casa que recebeu a visita da igreja – atende apenas meninos, em sua maioria crianças menores de 10 anos.

O pastor Eliézer, líder da igreja do Pênfigo, acompanhou a visita, deixou uma mensagem de esperança às crianças e orou com elas. Perto da hora de ir embora, um dos meninos da casa observou por alguns instantes os aventureiros vestidos com a camiseta do clube e comentou com alegria típica de criança: “Eu já fui aventureiro”. Quando questionaram o autor da frase, o menino Leandro Soares, de oito anos, sobre o que ele achava do clube, rapidamente respondeu: “Muito legal!”. Mais uma prova de que laços e princípios ensinados nos clubes são mesmo eternos não importando a situação da vida, uma criança sempre lembra o que de bom lhe é ensinado.

A visita

A ideia de visitar a ONG surgiu depois que Janete Gonçalves, secretária do clube de aventureiros, viu uma matéria em um jornal da cidade que falava sobre o projeto. “No início do ano visitamos uma casa de idosos e levamos material de higiene e, resolvemos agora visitar um abrigo de crianças e levar os aventureiros e desbravadores para fazer essa interação”, explica.

Meninos vítimas de abuso sexual, atendidos pela ONG, escutam mensagem do Pastor durante entrega das cestas.

Meninos vítimas de abuso sexual, atendidos pela ONG, escutam mensagem do Pastor durante entrega das cestas.

A visita e a entrega das cestas rendeu sorrisos sinceros também de quem encabeça o projeto. “Uma iniciativa linda da igreja, de encher os olhos. O que mais me impressionou aqui foi a maneira com que eles entregaram as cestas, tudo tão bem organizado e limpo. Esse é um projeto muito especial da igreja de vocês”, comenta a coordenadora Zuleica.

O projeto

Todos os anos o Ministério da Mulher da IASD Pênfigo, de Campo Grande, realiza um culto de ação de graças no fim do ano, para agradecer a Deus pelas atividades e o desempenho do departamento ao longo do ano. “Como forma de gratidão a Deus trazemos até o altar os frutos da terra, que Ele nos dá, para agradecÊ-lo pelas bênçãos concedidas. E depois entregamos essas frutas e legumes em cestas para uma instituição especial, dessas vez foi a ONG que cuida tão bem dessas crianças”, comenta a diretora do Ministério da Mulher, Márcia Marques.

As cestas foram dividias entre as três casas, para que todos pudessem desfrutar. Mas o que marcou cada membro ali presente foi o sorriso no rosto de cada menino, que denunciava um agradecimento sincero de quem ganhou uma nova chance na vida. “Fiquei muito feliz em ver a repercussão dessa ação da igreja, olhando para eles aqui temos a certeza de que esse é um projeto que tem que ser levado adiante”, ressalta Márcia.

Aventureiros do clube Cosmos Kids ajudam na entrega das cestas para a ONG.

Aventureiros do clube Cosmos Kids ajudam na entrega das cestas para a ONG.

Hoje, muitas crianças que foram atendidas pelo projeto, cresceram e são administradoras das mesmas casas de apoio ao redor do país. “Muitas de nossas crianças se formaram e trabalham muito bem também em prol do projeto que as resgatou”, lembra Aluisio e conta ainda que atualmente a ONG “Meninos e Meninas de Deus”, em Campo Grande, conta com 20 funcionários. “São mães sociais, cozinheiras, faxineiros, psicólogos, assistentes sociais, motoristas, entre outros, todos somam forças para que o projeto não deixe de existir”, diz.

O projeto recebe apoio da Prefeitura Municipal, mas a maior parte da renda para manutenção das casas vem mesmo de doações. “Recebemos doações e realizamos bazares para manter os três lares e acredito principalmente que a ONG só existe pela graça de Deus que sustenta cada uma dessas pessoas”, finaliza Zuleica. [Equipe ASN, Rebeca Silvestrin]

Fotos: Deivison Pedrê

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