Notícias Adventistas

Funcionários de multinacional recebem orientações sobre combate à violência doméstica

O grupo Bookfield fez uma parceria com a Igreja Adventista do Sétimo Dia na região Central do Rio de Janeiro para a realização de palestras sobre violência doméstica, do Projeto Quebrando o Silêncio.

Por Fabiana Lopes 28 de novembro de 2019

Em novembro, cerca de 150 operários de dois canteiros de obras já receberam orientações. Na foto, a palestra feita na obra do Méier, dia 21. Fotos/ Dispositivo móvel

Para que uma obra seja bem edificada, ela precisa de muitos materiais de qualidade: ferro, cimento, areia, tijolos e entre outros. Porém, além dos materiais, existe a necessidade de bons profissionais: pedreiros, mestres de obra, engenheiros e tantos outros que, se não tiverem capacidade, entrosamento e harmonia no trabalho, podem deixar a construção com falhas ou riscos para os futuros moradores.

A família é a primeira célula de construção de uma sociedade, e mais do que nunca, precisa de cuidados essenciais. Uma família bem estruturada precisa de pessoas responsáveis que ofereçam amor, respeito e muito aconchego. Para que haja harmonia familiar é preciso, muitas vezes, reconstruir sobre ruínas, e muitas delas, são consequências diretas da violência doméstica.

Empresa Tegra e o Projeto Quebrando o Silêncio

Jonatas Magalhães é Técnico em Segurança do Trabalho na sede da empresa Tegra, no Rio de Janeiro. Tegra é uma empresa do setor de desenvolvimento imobiliário residencial, comercial e desenvolvimento urbano do grupo canadense Brookfield Asset Management, com forte atuação no Rio de Janeiro e São Paulo, e está presente em mais de 30 países.

A ideia das palestras sobre violência doméstica surgiu a partir de uma campanha feita na empresa, durante o primeiro semestre de 2019, que abordou o tema da não violência contra as mulheres. Magalhães procurava parcerias para levar o assunto aos funcionários nos canteiros de obra durante a semana feita no segundo semestre para questões voltadas à segurança do trabalho e também abre espaço para temas voltados para a área social e emocional. Então, ele fez uma busca na internet e encontrou o site Quebrando o Silêncio. “O site passa muita credibilidade, tudo bem organizado. Fiz contato por e-mail e fui respondido rapidamente”, relata. A partir do primeiro contato, Jonatas foi encaminhado à sede da Igreja Adventista do Sétimo Dia, na região central da capital fluminense, localizada na Praça da Bandeira – Associação Rio de Janeiro (ARJ). Ali ele conheceu a líder do projeto da região, Adjane Firme.

“A infraestrutura do local me passou a mesma credibilidade que senti no portal. Muita organização e uma exposição do trabalho com muita credibilidade, além do suporte que a Adjane nos ofereceu. Nossa ideia é levar a palestra para todos os canteiros do estado do Rio – atualmente temos três, mas no próximo ano teremos outros em funcionamento”, diz.

A primeira palestra aconteceu em Botafogo, no dia 18 de novembro, para aproximadamente 50 funcionários; a segunda foi no Méier, dia 21, com pouco mais de 100 operários. Adjane Firme foi acompanhada por seu esposo, pastor Ademir Firme, que cuida do Ministério da Família, também na região central do Rio de Janeiro. Ele introduziu o assunto falando sobre a importância da família e em seguida, Adjane falou sobre o combate à violência infantil e contra a mulher. “Foi interessante ver a atenção que estes homens dão ao assunto. No primeiro encontro tivemos o relato do mestre de obras que pediu para contar um pouco da sua história, com traços de violência na infância. Esperamos poder ajudar a diminuir os índices de violência em nosso estado”, sublinha Adjane.

Dados da violência

A violência doméstica afeta todas as camadas da população. Os números são cada vez mais alarmantes e despertam a atenção de toda a sociedade. Cerca de 300 milhões de crianças vivem em situação de violência e 15 milhões de mulheres entre 15 e 19 anos já foram vítimas de abuso, segundo dados do relatório “Uma situação habitual: Violência na vida de Crianças e Adolescentes”, elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em 2017. A questão da violência contra a criança, incluindo a sexual, entrou na Nova Agenda de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Alguns sinais emitidos por uma criança que sofre algum tipo de abuso ou violência:
  1. Saiba com quem a criança está e o que fazem quando estão juntos;
  2. Desconfie se ela repentinamente não quer estar perto de alguém conhecido;
  3. Observe alguma mudança brusca de comportamento, choro ou irritação;
  4. Isolamento, falta ou excesso de apetite, pesadelos;
  5. Nunca desconsidere o que ela compartilha com você, principalmente por desenhos;
  6. Em caso de suspeita, investigue a situação;
  7. Busque a consulta psicológica, pode ser que a criança se abra com um profissional e tenha vergonha de contar a você;
  8. Se o abuso for confirmado, não se desespere, com tratamento adequado o trauma pode ser superado;
  9. Ame, proteja, escute e se coloque ao lado da criança.

Estratégias lúdicas durante as palestras

Adjane usa a dinâmica da bexiga para trabalhar a violência familiar feita por palavras.

Adjane Firme utilizou de estratégias lúdicas para tratar o assunto, com dinâmicas feitas entre eles. Uma delas foi encher uma bexiga com o ar – simbolizando palavras que gostaria de dizer a alguém, mas que por algum motivo estão presas dentro de cada um. Na sequência, eles ficaram de frente uns para os outros com a bexiga apontada para sua dupla e no momento indicado, soltaram a ponta que prendia o ar.

“Quando soltaram o balão viram que ele não foi apenas em uma direção, mas em várias. O mesmo acontece com as palavras. Quando falamos, podemos ferir não apenas uma, mas várias pessoas”, explicou Adjane. Ao final da palestra, ela distribuiu cartões em branco e desafiou aqueles homens a aproveitarem a oportunidade do dia para pedir perdão a algum membro da família ou um amigo. “Se buscarmos na memória, certamente encontraremos um motivo para nos desculpar com alguém que amamos, pois infelizmente, é dentro de casa que acontecem as maiores violências”, afirma.

Visão de quem ouve as palestras

José Paulo de Araújo ao lado de Adjane Firme, a palestrante.

José Paulo de Araújo é pedreiro e pai de oito filhos. Para ele, palestras assim são muito importantes no ambiente de trabalho. “Gostaria que tivesse mais vezes. Para mim, meus bens mais preciosos são os meus filhos. Vivo, trabalho e respiro pela minha família”, ressalta Araújo.

“Quando o trabalhador não está bem, isso pode desencadear riscos para o trabalho”, relata Jorge de Carvalho, responsável de Segurança do Trabalho da obra no Méier. Durante uma semana, a empresa buscou assuntos diferenciados, além de segurança no trabalho. “Procuramos informações que possam agregar no âmbito familiar. As maiores causas para a destruição da família são drogas, bebidas e violência doméstica; e nós procuramos trabalhar isso aqui”, revela Carvalho.

“A ideia é continuar buscando mais parcerias para ajudar nossos trabalhadores com informações que os ajudem. Isso faz parte da política e do compromisso da empresa”, finaliza Magalhães.

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox