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Criança entende o real significado de compartilhar

Mateus (6) gosta de brincar de carrinhos, nadar, andar de bicicleta e brincar no parquinho. E já percebe o verdadeiro sentido de compartilhar.

Por Fabiana Lopes 30 de setembro de 2020
Mateus (6) gosta de brincar de carrinhos, nadar, andar de bicicleta e brincar no parquinho. E mostra qual o verdadeiro sentido de compartilhar.

Mateus tem apenas 6 anos de idade, mas já entendeu o significado de fazer o bem ao próximo. Foto: Arquivo Pessoal

Mateus (6) já sabe identificar o real significado da palavra compartilhar. Como a maioria dos meninos nesta idade, ele gosta de brincar de carrinhos, nadar, andar de bicicleta e brincar no parquinho. Antes da pandemia, ele tinha aulas na escola pela manhã e à tarde brincava, fazia aula de piano e natação. E foi durante a pandemia que ele e sua família perceberam que poderiam fazer algo mais pelo próximo.

Marília Bittencourt Espíndola, Everton Júlio Viana Espíndola e o pequeno Mateus moravam no sul do Brasil até outubro de 2017, quando fizeram uma mudança da região sul para a sudeste. O novo destino: Rio de Janeiro. Doutora Marília, que tem especialização em Cirurgia geral, Cirurgia Oncológica e Cirurgia Bariátrica, recebeu o convite para trabalhar no Hospital Adventista Silvestre. Sentindo que essa era sua missão, ela aceitou o convite.

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A família sempre teve o hábito de visitar orfanatos, asilos e creches. E o Mateus sempre acompanha seus pais, costume que faz parte na rotina da família. Contudo, com a chegada da pandemia e todo o isolamento social que foi imposto, eles tiveram que recuar com suas ações sociais.

Porém, Marília estava incomodada por não poder mais ajudar ao próximo como faziam. E foi justamente durante o início da pandemia que ela começou a leitura de um livro que chamou muito sua atenção: Em seus passos o que faria Jesus?, de Charles M. Shaldon. O livro conta a história de um viajante que mudou a vida de uma cidade e mostra o cuidado e o amor de Jesus pelas pessoas.

O desconforto por não poder sair de casa

“A grande quantidade de pessoas em situação de rua aqui no Rio de Janeiro sempre chamou muito minha atenção”, afirma a médica. “Eles são muitos, eu não estava acostumada a ver tantos assim! Em Porto Alegre existem moradores de rua, claro! Mas talvez por causa da temperatura fria, a gente vê muito menos do que aqui”, acrescenta.

Foi quando ela teve a ideia de preparar sanduíches para compartilhar pelo bairro da Glória, perto de onde eles moram. No primeiro sábado que saíram, a família levou 20 sanduíches e o Mateus ficou todo feliz por ajudar.

Isso despertou em Marília o desejo de fazer mais, mesmo durante a pandemia. E como sempre, ela não poderia deixar o Mateus de fora da ação. Dividiu a ideia com Everton e logo colocaram em prática: levar sanduíches a moradores de rua perto de onde moram semanalmente, a cada sábado.

Desde que começaram a distribuição eles já entregaram mais de mil sanduíches, além de bolos, água e folhetos. “Para mim, felicidade é o sentimento de ver nosso Mateus envolvido!”, afirma Marília.

Quando a mãe pergunta o que o filho mais gosta de fazer quando saem para distribuir alimentos aos moradores de rua, ele responde com toda simplicidade que uma criança de apenas seis anos tem:

“Eu gosto de tudo, gosto de entregar às pessoas que precisam, eu gosto de fazer os sanduíches. Eu fico com pena delas não terem um lugar onde morar”, conta o pequeno, que já consegue entender um pouco da necessidade nas ruas.

Mateus (6) gosta de brincar de carrinhos, nadar, andar de bicicleta e brincar no parquinho. E mostra qual o verdadeiro sentido de compartilhar.

Eles organizam uma linha de montagem na própria cozinha: a mãe prepara o recheio, Mateus empilha os sanduíches e o pai vai embalando. Foto: Arquivo Pessoal

Mais de mil sanduíches durante a pandemia

Já foram 26 semanas de voluntariado em família, somando uma média de 40 sanduíches por sábado (mais de mil até esta matéria ser postada), fora bolos, garrafas d´água e folhetos. A princípio, pode parecer uma pequena soma diante de uma cidade tão fragmentada com diferenças sociais como o Rio de Janeiro, mas isso tem feito a diferença.

“O mais legal é que como distribuímos quase sempre nos mesmos lugares e já estamos com alguns ‘amigos’ nestes locais. O pessoal já conhece a gente. E como começamos sem nenhuma identificação de igreja, quando adicionamos os folhetos, um deles disse assim: ‘Ah, eu sabia que vocês eram de alguma igreja’”, relembra Marília.

Para Everton, a experiência é gratificante, pois além da distribuição, eles podem conhecer pessoas incríveis. “A gente sempre fica com uma sensação de que estamos fazendo tão pouco. Se levássemos mil sanduíches a cada sábado, ainda seria pouco. Inclusive, conheci uma pessoa de Bagdá e pudemos trocar algumas frases em inglês – o inglês que aprendi durante a pandemia! Um dos moradores está escrevendo sua própria história, e em breve vai nos passar também”, explica o pai, que é Educador Físico e Fisiologista do Exercício.

“Acreditamos que a experiência para o Mateus tem sido muito importante e será inesquecível, afinal, ele tem apenas 6 anos. Nosso sábado tem sido muito especial com este trabalho e ganhou um novo significado”, define Everton. Marília conta que Mateus tinha um pouco de medo no início, mas agora ele abaixa o vidro e conversa com as pessoas. “Ele já cumprimenta as pessoas com o ‘soquinho’ e tudo”, garante a mãe.

No final da distribuição, a família se reúne numa praia e faz o pôr do sol. “Assim nosso sábado fica mais verdadeiro e com sentido, afinal, Cristo nos disse para cuidar do pobre, órfão e viúva. É nosso dever cuidar destas pessoas. Quando fazemos a eles, é como se fosse ao próprio Cristo”, declara Marília.

Comemoração de aniversários de forma diferente

Os três primeiros aniversários do Mateus foram comemorados com ações de solidariedade. O pedido aos pais dos amiguinhos era que substituíssem os presentes por fraldas e itens de higiene. Desta forma, Marilia e Everton Espíndola faziam as doações para crianças em orfanatos.

Manter o culto diário é prioridade

A família tem o hábito de realizar o culto diariamente com Mateus, com a leitura da sua lição, as meditações que ele mais gosta, além de orarem juntos todas as noites. Dessa forma, eles fazem os cultos de pores do sol junto com a família que mora na região Sul do país, através do aplicativo Zoom ou What´sApp.

Para finalizar o culto realizam um Bom de Bíblia sobre a lição do Mateus. Enfim, isso acabou contagiando o Antonio, de 7 anos, que mora no sul e seus pais estão afastados da Igreja. Desta forma, os pais do Antonio relembram temas bíblicos ao estudar a lição com sua criança.

“E o nosso Bom de Bíblia já é missionário, pois envolvemos o neto da esposa do meu pai”, finaliza Marilia. No final do concurso, cada criança ganha um carrinho e os avós assistem e relembram temas bíblicos vibrando com a alegria das crianças.

Treinamento para Classes Infantis

Está começando um novo trimestre, o qual abrange os meses de outubro, novembro e dezembro nos Departamentos Infantis das Igrejas Adventistas em todo o mundo. Portanto, se você quiser desenvolver mais atividades com sua criança, juvenil ou adolescente em casa, assista ao treinamento que foi realizado aqui no Rio de Janeiro entre as três sedes da Igreja Adventista do Sétimo Dia (Rio de Janeiro, Rio Sul e Rio Fluminense). Cada classe infantil também teve um treinamento específico e vale a pena conferir na descrição do vídeo principal: Rol do Berço, Jardim da Infância, Primários, Juvenis e Adolescentes.

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