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Unidos em oração na madrugada

Culto da mata do Unasp completou 25 anos

16 de dezembro de 2014
Em busca de consagração e renovação de fé, centenas de pessoas frequentam o culto da mata.

Em busca de consagração e renovação de fé, centenas de pessoas frequentam o culto da mata.

São Paulo, SP…[ASN] Você tem o hábito de orar? Na Bíblia, a oração é retratada como uma via de mão dupla, em que o homem se comunica com Deus e Ele com o homem, de forma direta. Todo ser humano tem a oportunidade de experimentar isso individual e coletivamente, de forma gratuita. Há 25 anos, orar em grupo tem sido a opção de centenas de fiéis da zona sul de São Paulo. Eles participam do chamado Culto da Mata, em uma das áreas verdes do campus do Unasp-SP.

Realizado semanalmente às 5 horas de domingo, a iniciativa atrai quem mora perto e longe. “Sou do Rio de Janeiro e estou passando férias na casa de alguns parentes que moram perto do colégio. De tanto ouvir falar, aqui estou“, conta a estudante Mariana Alcântara.

Porém, no início, as reuniões mobilizaram apenas 12 pessoas que se reuniam, aos sábados, em outro espaço do internato. “Pastores como Umberto Moura, um dos fundadores; Eufrásio Pereira; Berengar Dammann, entre outros grandes líderes foram importantes para o desenvolvimento do Culto da Mata”, menciona o atual organizador do projeto, pastor Tito Rojas.

Hoje, cerca de 20 pessoas ajudam na realização das atividades. “Temos a contribuição de voluntários que se preocupam com detalhes. Isso é muito gratificante”, afirma Rojas que também conta com o apoio de líderes locais como os pastores Neumoel Stina, Hélio Carnassale, Wilson Almeida e o Dr. Wilson Rossi.

Ambiente diferenciado

A iluminação natural da lua no fim da madrugada torna o encontro diferenciado. Enquanto não amanhece, os participantes utilizam lanternas apenas para auxiliar na trilha e na leitura da Bíblia. “Achei diferente e muito interessante pelo fato de ser feito nesse horário, quando tudo está escuro e, aos poucos, a luz natural vai aparecendo”, comenta o contador Gabriel dos Santos Ferreira.

É neste clima que pessoas de distintas crenças religiosas se reúnem para viver uma experiência com Deus e renovar a fé por meio da oração. Há um momento em que os participantes manifestam sua devoção e compartilham suas emoções. “Acredito que tudo tem um propósito. Tenho passado por muitas dificuldades, mas já expus meus problemas e senti paz. Sei que Deus está me ouvindo”, relata a dona de casa Marcela Dias.

No culto, tempo também é dado para o testemunho sobre bênçãos recebidas. “Teve um rapaz que fez um pedido aqui para arrumar uma namorada e acabou conhecendo uma moça que também frequentava nosso culto. Depois de um tempo, eles acabaram casando no lugar em que se conheceram, ou seja, aqui. Houve também um casal que tinha dificuldades para engravidar e Deus atendeu o anseio dele”, relembra Rojas.

Mudança de vida

Ao longo de 25 anos de intercessão, os frequentadores do Culto da Mata têm ouvido histórias dramáticas de conversão, algumas vivenciadas por eles e outras contadas por visitantes. Esse é o caso do funileiro Dino Franco Araújo, de 36 anos, que testemunhou para mil pessoas, em uma programação liderada pelo pastor Luiz Gonçalves, como deixou a vida de crimes para tornar-se um discípulo de Cristo.

Aos 13 anos, Dino participava de assaltos e trabalhava para traficantes, na Zona Leste paulistana. “Morava com minha mãe e minhas irmãs, mas era muito independente. Eu era dono de mim mesmo. Fazia o que queria e achava certo. Esse foi o problema”, afirma.

Com o tempo, além de vender, ele passou a consumir drogas e a ganhar espaço entre os líderes do tráfico. Dino não temia o futuro. Medo era uma palavra que não fazia parte de seu vocabulário. “Na minha concepção, eu não tinha o que perder. Encarava a morte como uma consequência. Enfrentava o perigo e agia sem pensar em nada”, declara Dino que, aos 18 anos acabou preso pela primeira vez por tráfico de drogas.

A primeira iniciativa

Por mais que se achasse autossuficiente, Dino sentia algo estranho, como se dependesse de Alguém. Um dia, no presídio, ele acordou angustiado e, de forma autoritária, desafiou a Deus pedindo que o libertasse dali. Para sua surpresa, assim que terminou a prece, uma agente visitou sua cela, dizendo que Dino estava liberado.

De volta às ruas, ele retornou ao mundo do crime. Foi preso mais duas vezes: por assassinato e sequestro. Na cadeia, Dino cometeu crimes hediondos. Passou por vários presídios e chegou a integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) na Casa de Detenção de São Paulo, o antigo Carandiru. “Eu me transformei num monstro. Ao mesmo tempo em que tinha a sensação de poder, me sentia vazio e um lixo por dentro. Por isso, questionava muito Deus”, relata.

Luz em meio à escuridão

Após cumprir seis anos de pena, Dino voltou para casa, frequentou diversas denominações até se assistir ao DVD O Grande Conflito, apresentado pelo pastor Luís Gonçalves. Interessado pela doutrina do sábado, ele acompanhou os estudos até o fim para saber qual igreja ensinava a guardar o dia sagrado. Tempos depois, também providencialmente, alguém passou na oficina em que Dino trabalhava e lhe explicou onde ficava a igreja adventista mais próxima da residência dele. “Por providência divina, esse rapaz me apresentou a igreja que fica na região de Embu das Artes, a qual eu comecei a frequentar e faço parte hoje”, diz o funileiro.

Os estudos bíblicos foram complementados por um membro da igreja e o ex-presidiário foi batizado. “Minha vida foi um milagre. Hoje eu consigo ter a paz que tanto precisava e buscava. Antes eu estava preso, mas Jesus me libertou”, garante. Hoje Dino coordena uma classe de estudos da Bíblia para idosos e ajuda na sonoplastia da sua igreja. Para aperfeiçoar seu conhecimento bíblico, ele está frequentando um curso básico em Teologia, com duração de dois anos. O sonho dele é que seus familiares abracem a mesma mensagem bíblica na qual ele acredita. [Equipe ASN, Danúbia França]

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